sábado, julho 07, 2012

Hebreus, o Espírito Santo e as testemunhas de Jeová




Esse semana eu estava lendo Hebreus 3 quando me deparei com o seguinte texto:

Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz,
Não endureçais os vossos corações, Como na provocação, no dia da tentação no deserto.
Onde vossos pais me tentaram, me provaram, E viram por quarenta anos as minhas obras.
Por isso me indignei contra esta geração, E disse: Estes sempre erram em seu coração, E não conheceram os meus caminhos.
Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso.
Hebreus 3:7-11

Parei por um instante, refleti um pouco e imediatamente peguei a minha Tradução do Novo Mundo das Sagradas Escrituras (versão oficial da Bíblia das testemunhas de Jeová) e procurei o mesmo texto nesse livro, onde lemos o seguinte:

Por esta razão, como diz o espírito santo: “Hoje, se escutardes a sua própria voz, não endureçais os vossos corações como na ocasião em que se causou ira amarga, como no dia em que se fez a prova no ermo, em que os vossos antepassados me submeteram a uma prova, com uma provação, e, no entanto, tinham visto as minhas obras por quarenta anos. Por esta razão me aborreci desta geração e disse: ‘Eles sempre se perdem nos seus corações, e eles mesmos não chegaram a conhecer os meus caminhos.’ De modo que jurei na minha ira: ‘Não entrarão no meu descanso.’”

Esse texto sozinho é capaz de derrubar duas das mais significativas (e perigosas) doutrinas da Torre de Vigia: que o Espírito Santo não é uma pessoa e muito menos é Deus.
O texto começa com o Espírito Santo falando, fazendo uma declaração. Se o Espírito Santo não fosse uma pessoa, ele jamais poderia falar nada, já que objetos não falam. Uma testemunha de Jeová poderia levantar a objeção que isso é pura figura de linguagem, como alguém que diz “pare em nome da lei”, ou qualquer coisa do tipo. Mas é importante lembrar como uma testemunha de Jeová chega a conclusão que o Espírito Santo não é uma pessoa. Eles não chegam a essa conclusão pela leitura das Escrituras, mas pelo seguinte raciocínio: como o Espírito Santo entrou nos apóstolos no Pentecoste e também pode operar em vários lugares ao mesmo tempo, ele jamais poderia ser uma pessoa (particularmente eu acho as doutrinas da Torre de Vigia muito materialista, mas isso fica pra outro post). Após esse raciocínio e após isso ter sido estabelecido, então, a testemunha de Jeová passa à caça de textos nas Escrituras que “comprovam” esse raciocínio. Muitos outros textos mostram a pessoalidade do Espírito Santo (Rom 8:27, 15:10; Atos 8:29, 11:12, 21:11; 1 Tim 4:1 e tantos outros) e esse, Hebreus 3, tem dupla função.
A segunda doutrina destruída por esse texto é aquela que diz que o Espírito Santo não é Deus. Aqui, o Espírito Santo fala como Deus. Foi contra Deus que o povo se rebelou no deserto e foi Deus quem decretou que eles vagariam por 40 anos antes de entrar na Terra Prometida. Como poderia o Espírito Santo dizer que ele foi submetido à prova e que ele havia operado obras e que ele se aborreceu e que os caminhos que o povo não chegou a conhecer foram os deles e que ele ficou irado, se não fosse uma pessoa e se essa pessoa não fosse Deus? Leia esse texto e compare com Números 14, especialmente do versículo 28 em diante. E note também que a palavra para Senhor nesse texto é o tetragrama, que as testemunha de Jeová afirmam ser o nome de Deus (Jeová).
Assim, um único texto é capaz de destruir duas doutrinas de uma única vez.
Eu tenho certeza que se eu abrisse a minha Watchtower Library eu encontraria alguma explicação esdrúxula para Hebreus 3 que poderia convencer aqueles dentro da seita, mas dificilmente resistiria a uma análise mais profunda.
Mas fiquem a vontade para tentar.

Um comentário:

Luís Araújo disse...

Caro Maurilo

Voltei novamente, depois de muito trabalho a realizar. Não sei se ainda se lembra de mim, mas ainda estou a aguardar a sua opinião sobre o ultimo email que enviei para si.
Agora deparei-me com a sua pesquisa de Hebreus e o espirito santo.
Ao fazermos uma pesquisa bíblica devemos levar em conta vários aspectos bem como o seu contexto. No caso do texto bíblico apresentado e sua explicação, encontrei algumas deficiências ou dificuldades em explicá-lo. Primeiro, o espirito santo não pode ser uma pessoa, afinal você próprio reconhece isso, por dizer que as Testemunhas de Jeová consideram esta passagem bíblica como uma figura de linguagem. Não é incomum nas Escrituras estas figuras de linguagem, bem como a sua personificação. Temos vários exemplos bíblicos, a sabedoria: Proverbios 1:20-33; 8:1-36, Mateus 11:19, Lucas 7:35. Outros exemplos que Paulo falou sobre pecado e a morte usando também várias figuras de linguagem: Romanos 5:14,17,21;6:12 e tantos outros exemplos que poderia mencionar. No entanto eu afirmo que não é só as Testemunhas de Jeová, outras dominações religiosas que não necessito mencionar, também não aceitam que o espirito santo seja uma pessoa.
Não entendi foi a sua explicação de que o espirito santo é Deus. Se assim o afirma então está a concordar com a doutrina da própria bíblia que afinal o espirito santo está em Deus, é um força que ele usa para a realização dos seus propósitos. Tenho conhecimento que você não gosta que mencione obras de referência publicadas pelas Testemunhas de Jeová, mas como fervoroso estudante da bíblia sinto-me tentado a mencionar uma explicação bíblica muito clara e sem preconceitos (talvez duvide isso na sua opinião) representada no dicionário bíblico “Estudo Perspicaz” volume 2, verbete “Espirito santo”. Eu sei que você tem acesso a esse dicionário de 3 volumes, e recomendo a ler essa explicação sendo que não necessito estar a colocar aqui.
Sendo assim a sua explicação não derrubou as doutrinas fundamentais da bíblia.
atenciosamente

Luís Araújo

Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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