segunda-feira, dezembro 24, 2012

Postagens natalinas




Eu gosto muito do natal, muito mesmo. Fico esperando essa data o ano todo. Nem sempre eu consigo comemorar como eu quero, ou acabo comemorando do jeito que outras pessoas querem, mas eu gosto muito do natal. Mas eu sei que a data mais importante do cristianismo é a páscoa, não o natal. Por isso temos tantos posts sobre a páscoa, a ressurreição de Cristo e afins.
Ainda assim, temos alguns posts interessantes sobre o natal e listamos todos eles abaixo. Para mim, o mais interessante é o que apresenta uma boa explicação para como o 25 de dezembro se tornou o natal, diferente da teoria prevalente que a data foi apenas escolhida para casar com a data do solstício de verão, uma data festiva para os pagãos. Existe uma outra alternativa, baseada em escritos da época, que em nada tem a ver com as festividades pagãs e que apresenta a igreja celebrando o natal bem antes da formação da Igreja Católica Romana.
Uma boa leitura e um feliz natal!










Nossa gatinha Gracie, comemorando o natal (ou mais provável, olhando um ratinho pela janela).

domingo, dezembro 23, 2012

Como saber a vontade de Deus?



A Vivian estava conversando com uma amiga cristã sobre um assunto específico na qual a nossa amiga dizia que não queria agir porque ela acreditava que agir em relação a tal assunto seria o mesmo que afirmar que Deus não era poderoso para agir por ela. Não vou entrar nos detalhes da coisa, mas esse raciocínio possui uma falha porque ele acha que Deus apenas se preocupa com o fim das coisas, quando às vezes o foco maior de Deus é o processo como um todo, pois, mais do que receber aquilo que queremos, como chegamos ao recebimento (ou não) é o que realmente transforma o nosso caráter.
Isso me lembrou duma outra coisa: como saber qual é a vontade de Deus para minha vida? Como saber se devo fazer algo ou não? Como escolher entre A ou B? Isso tem sido tema de livros, palestras, pregações e conferências. Muita gente quer saber: como descobrir a vontade de Deus? Na verdade, isso é quase uma obsessão no meio evangélico.
Duas coisas me parecem motivar essa obsessão. A primeira, mais espiritual, é que as pessoas realmente estão dispostas, até certo nível, em descobrir e cumprir a vontade de Deus. Elas sabem que isso é importante, Deus possui uma vontade. A segunda, bem menos espiritual, é que o povo quer uma garantia que toda vez que fizerem a vontade de Deus, tudo dará certo. Tudo será um mar de rosas. Fazer a vontade de Deus é paz, alegria, tranquilidade. Não fazer a vontade de Deus, tudo dará errado. Quem nunca ouviu, “se você está no centro da vontade de Deus, coisas boas vão acontecer com você”. Se isso fosse verdade, o apóstolo Paulo jamais poderia ser considerado como estando no centro da vontade de Deus, já que a vida dele foi bem miserável (2 Cor 11:23-33) e ainda morreu decapitado.
Um lembrete importante: Deus é soberano. Completamente soberano. A vontade Dele sempre irá se cumprir na sua vida. Você não tem como enganar Deus. Ele não está lá, olhando através de uma televisão cósmica, torcendo para que você escolha fazer aquilo que Ele planejou que você venha a fazer. Mas, de repente, que puxa, você escolheu errado! E agora? Deus pega seus planos, rasga tudo e começa a trabalhar em um plano B. Enquanto isso, você paga pela sua burrice: como pode ter escolhido tão errado quando estava tão óbvio!
Nada disso. Deus, o soberano Senhor de todo o universo, sabe de todas as coisas, Ele sabe as suas decisões e Ele decreta tanto os fins quantos os meios. Não vou entrar em detalhes sobre a questão do calvinismo ou arminianismo (particularmente eu acredito na graça soberana de Deus), mas a soberania divina é declarada por toda a Bíblia (Salmo 103:19).
Ainda assim, somos responsáveis por nossas decisões porque elas são tomadas livremente por nós. Existe uma tensão aqui, que eu não me proponho a resolver, mas que pode ser simplificada da seguinte forma: Deus soberanamente decreta aquilo que nós livremente vamos escolher. Complicado? Se fosse fácil, não teria tanta gente errando nesse assunto.
Mas à parte de tudo isso, existe uma forma de “descobrir a vontade de Deus” que é simples, desde que você entenda ao menos que Deus é soberano e que você jamais irá engana-lo. São três passos simples que irão te ajudar a escolher de forma sábia entre qual carreira seguir, com qual pessoa devo me casar, compro uma casa ou faço uma viagem? É tão simples que parece inacreditável.
  • Leia a Bíblia: muita gente diz, “eu quero saber a vontade de Deus para minha vida” e elas se referem aquelas coisas secretas sobre o que vai acontecer que ninguém nunca sabe. Aí você pergunta, “você já leu toda a Bíblia?” e muitas vezes a resposta é não. A Bíblia é a vontade revelada de Deus. Se você não conhece a vontade revelada, então, dificilmente irá entender o resto. Muitos dos dilemas da vida cristã estão bem explicados na Bíblia. O livro de Provérbios é um tesouro de sabedoria que se os cristãos colocassem em prática, o mundo seria diferente. As cartas de Paulo não apenas nos ensinam teologia (o que ajuda também, especialmente se você conhece o caráter e os atributos de Deus), mas também nos mostram de forma prática como agir dentro e fora da igreja. Em resumo, quando você estiver se sentindo confortável em praticar a vontade revelada de Deus, aí eu acho que você pode se preocupar em tentar a vontade secreta. Leia a Bíblia.
  • Oração: uma mente informada pelas Escrituras passa a orar conforme as Escrituras e passa a buscar aquilo que realmente é importante, o Reino de Deus. Por mais que todos nós sabemos a importância da oração, ela ainda é subestimada. Ore, leve as suas petições à Deus, peça por sabedoria para tomar a melhor decisão e lembre-se que Deus é soberano. Agora, não fique esperando ouvir uma voz audível que irá te dizer exatamente o que fazer. Deus não lida conosco como simples robôs que recebem sua instrução e segue à risca os comandos. Somos filhos e Deus está mais interessado em nosso caráter do que nossas posses.
  • Peça conselhos para irmãos mais velhos e maduros na fé: vivemos em uma sociedade bastante individualista e temos a tendência de não envolver ninguém em nossas decisões. E isso também acontece na igreja. Na verdade, o crescimento de megas-igrejas e telepastores tem privilegiado a existência de um evento desconhecido nas Escrituras: o cristão solitário. Tal coisa não existe. A vida cristã deve ser vivida em comunidade. É um corpo, não um ser unicelular. Aqui eu tenho que fazer um mea culpa porque eu sofro desse mal também. Mas como cristãos, devemos buscar o conselho de irmãos cristãos mais maduros na fé, que nos conhecem e podem nos ajudar a ter uma visão geral e mais ampla sobre um assunto. Está na dúvida se deve seguir o pastorado? Ou se tornar missionário? Converse com seus irmãos mais maduros. Veja o que eles dizem sobre isso. Uma ressalva aqui: via de regra, o irmão mais maduro tem mais tempo de cristianismo, mas nem sempre é assim. Saiba diferenciar uma coisa da outra.

Aí estão. Três passos para saber qual é a vontade de Deus para você. Parece simples? E é. Não é nada mais complicado do que isso. Não tem glamour, mas funciona e é como a igreja sempre buscou a vontade de Deus. Por dois mil anos isso funcionou perfeitamente para a igreja, não tem porque não funcionar para você.
Tenho certeza que quase todas as suas decisões poderão ser tomadas com base nesses três passos. E você a cada dia, irá se tornar mais sábio.

terça-feira, dezembro 18, 2012

A verdadeira questão sobre o casamento gay



A questão (do casamento gay) não é sobre controlar “o que as pessoas fazem em seus quartos”, ou “quem eles podem amar”. A questão é sobre que tipo de união o Estado irá reconhecer como “casamento” e lhe dar todos os benefícios adjacentes. O Estado não nos diz com quem podemos ser amigos ou com quem podemos viver. Você pode ter um amigo, três amigos ou uma centena de amigos. Você pode morar com sua irmã, com sua mãe, seu cachorro ou seu colega do trabalho. Você pode celebrar seu relacionamento com a sua avó ou o seu colega de quarto o quanto quiser. Mas nenhum desses relacionamentos – não importa o quão especial sejam – são casamentos. A recusa do estado em reconhecer esses relacionamentos como “casamento” não nos impede de persegui-los, aproveitá-los ou considerá-los significantes.
O debate é muitas vezes caracterizado como liberdade (aqueles que apoiam qualquer um casar com qualquer um) contra opressão (aqueles que querem lhe dizer com quem você deve se casar). Os conversadores estão perdendo o debate porque essa é a história contada em milhares de episódios de televisão, em milhares de músicas e por um número crescente de políticos e educadores. Mas no longo prazo, o triunfo do casamento gay (caso triunfe como uma realidade cultural e legal) irá significar a restrição da liberdade de milhões de americanos.
Isso vai acontecer primeiro de uma forma bem óbvia – por condenar ao ostracismo aqueles que discordam, pelo bullying através do politicamente correto e pisando na liberdade religiosa. É claro que os cristãos precisam entender que não importa quantas ressalvas emitimos, não importa quantas nuances tenhamos em nossas posições, não importa o quanto alentamos ou mostremos compaixão para com os homossexuais, nada disso será suficiente para repelir as acusações de ódio e homofobia. Nós teremos muitas oportunidades para andar como Jesus que, quando injuriado, não cometeu injuria como resposta e quando ele sofreu, não lançou ameaças, mas continuou confiando naquele que pode julgar de forma justa (1 Pedro 2:23).
Mas o casamento gay irá desafiar nossa liberdade de outras maneiras também. Não apenas evangélicos, assim como católicos tradicionais e mórmons serão ameaçados. Assim que o governo ganha novos poderes, ele raramente abre mão deles. Haverá uma leve tirania que irá crescer enquanto o poder do Estado aumentar, um crescimento que é intrínseco à própria noção de casamento gay

Kevin DeYoung; "A Few Things to Consider BeforeSupporting Gay Marriage"; DeYoung, Restless, and Reformed

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Uma festa inesperada (ou um versículo inesperado)



Eu estou brincando com o nome do título porque este não tem nada a ver com o assunto da postagem. Mas a citação bíblica que deu origem ao texto foi realmente inesperada, mas não surpreendente. Enfim, eu acho que só quis usar esse titulo por causa da estreia de O Hobbit. Na minha página do Facebook finalmente colocamos as fotos de nossa viagem para Hobbiton, em Matamata, na Nova Zelândia. Foi muito legal. Mas não estou escrevendo sobre O Hobbit.
Sábado passado a Vivian e eu fomos a uma festa de aniversário. Eu nunca me senti muito a vontade nesses eventos (especialmente quando somos praticamente obrigados a ir), talvez por causa da minha herança de Testemunha de Jeová, talvez porque eu ache que mesmo os aniversários cristãos são tão focados no aniversariante que beira a própria adoração. Já deve fazer pelo menos uns quatro anos que eu não faço nenhuma comemoração especial no meu aniversário. No máximo, usamos como uma boa desculpa para ir ao Outback, para encontrar uma costela divina.
No aniversário de ontem, foi um pastor neopentecostal bastante próximo da família do aniversariante. Eu já o vi várias vezes (na verdade, eu o conheço desde a minha adolescência) e como parte do evento, o pastor tomou a palavra. Ele agradeceu a presença dos amigos, engrandeceu o esforço de todos estarem lá (especialmente ele mesmo, já que no sábado estava chovendo muito) e fez duas citações, uma de algum poeta que ele não se preocupou de esclarecer e outra, supostamente bíblica, de acordo com o pastor, que ele também não se preocupou de dar a referência. Eu não estava prestando muita atenção, mas a Vivian percebeu algo errado. O dito pelo pastor foi o seguinte: “e a outra frase, essa bíblica, diz, ‘quem encontra um amigo, encontra um tesouro’”.
Na hora eu não percebi nada de errado porque o pastor começou a orar e em suas súplicas demandava que Deus estivesse presente na vida do aniversariante. Isso estava na verdade me deixando um pouco mais irritado porque não temos como pedir por algo que já temos. Deus é onipresente (Salmo 139:7-12), ou seja, ela já está em todos os lugares, mas para o Cristão, já somos morada do Espírito Santo (1 Coríntios 3:16), já estamos na presença de Deus por causa de Jesus Cristo (Hebreus 4:14-16). Ou seja, não faz sentido ficar pedindo a presença de Deus. Eu acho que quando um evangélico clama pela presença de Deus, ou ele não entende o que é estar na presença de Deus ou ele está pedindo outra coisa. Talvez uma mistura de ambos. Mas isso é assunto pra outro post.
Assim que a Vivian me chamou a atenção para o “texto bíblico”, começamos uma perseguição para encontrar a referência. Santo 3G do smartphone! Procuramos aqui, procuramos ali, nada de tal referencia. A festa terminou, e na volta pra casa a Vivian continuou procurando pelo texto perdido  (eu estava dirigindo e a lei e o bom senso ditam que não se deve procurar por textos bíblicos ou qualquer outro, ao volante de um carro). E ela encontrou a referência. Para nossa surpresa, o texto realmente está na Bíblia. O texto lê-se assim:
Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro.
O texto pode ser encontrado na sua Bíblia no livro de Eclesiástico, capítulo 6, versículo 14.
Você deve estar se perguntando se eu não errei o nome do livro, pois o correto é Eclesiastes. Não, eu não errei. É no livro de Eclesiástico, que fica logo depois de Sabedoria e antes de Isaías. Pode procurar na sua Bíblia. Eu espero...
Encontrou? Não? Eu encontrei. Mas na minha Bíblia das Edições Paulinas. Você pode encontrar também na Bíblia Ave Maria. Se você estiver usando uma Bíblia comum, logo após Cantares você terá Isaías. Mas a Igreja Católica, no Concílio de Trento, entre 1545 e 1563, promulgou como canônicos vários livros que até aquela data só haviam sido considerados por concílios menores e nunca foram incluídos na lista de livros sagrados do judaísmo. Um dos principais motivos para inclusão desses livros pela Igreja Católica é que alguma das praticas católicas podem ser fundamentadas nessas passagens. Antes, apenas constavam com a autoridade eclesiástica e com o magistério como fonte de autoridade. Engraçado que a Igreja Católica não entende que as Escrituras sejam a única autoridade sobre a revelação de Deus (o Sola Scriptura protestante), mas tem uma lista de “autoridades”, como a tradição, o próprio Papa, mas ainda assim buscou colocar livros dentro da Bíblia para legitimar suas crenças.
Portanto, o querido pastor evangélico citou um texto de um livro deuterocanônico. Será que ele sabia disso? Será que ele sabia que a citação estava no livro de Eclesiástico? Se ele sabia disso, por que ele disse que estava na Bíblia? Será que ele sabe que existe uma diferença no número de livros entre uma Bíblia protestante e uma Bíblia Católica? Será que ele sabe que Eclesiástico é um livro deuterocanônico? Será que ele sabe o que é um livro deuterocanônico? E se sabe, será que ele os considera inspirado?
Todas essas são boas perguntas a serem feitas em nosso próximo encontro com o pastor, o que vai acontecer, já que as festas de aniversário em que ele está presente são muitas ao longo do ano. Seria interessante ouvir suas respostas. Mas eu também conheço a igreja onde ele se tornou pastor e sei que os pastores que são formados lá não apresentam nenhum treinamento teológico ou mesmo bíblico e o que os torna elegíveis para o pastorado são o carisma e a capacidade de liderança. Bíblia e teologia são detalhes. Quando for pregar, pegue um texto qualquer, de preferência motivacional ou moralizante e construa uma mensagem com alguma chamada para ação ao final. É assim que funciona. É assim que as ovelhas são alimentadas. Uma mensagem motivacional após a outra. Manejar bem a Palavra não é um foco daquela igreja (2 Timóteo 2:15). Quando eu vejo esse cenário, me pergunto se vale a pena questioná-lo sobre a citação deuterocanônica. Vai depender do meu humor no nosso próximo encontro.
Quando os ateus nos acusam de não conhecermos a Bíblia, muitas vezes eles estão certos. Não conhecemos. A maioria dos cristãos nunca leu toda a Bíblia. Gente com 5, 10, 20 anos de cristianismo. A maioria conhece um punhado de textos batidos, repetidos à exaustão, desprovidos de seu contexto, o que leva muitas vezes ao uso e ao abuso. Uma boa maioria não sabe nem ao menos se um livro está no Velho ou no Novo Testamento. Tem gente que acha que Maria Madalena foi uma prostituta ou uma mulher adúltera. Todo tipo de mitologia e superstição se adiciona à Bíblia pela falta de conhecimento daqueles que deveriam manejá-la bem.
Se esse já é um sintoma preocupante entre os leigos, imagine o horror quanto se torna sintomático entre pastores.
“Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus” (1 João 5:13).
Pena que o povo não está lendo o que foi escrito. Pena que os pastores não estão lendo o que foi escrito.

domingo, dezembro 16, 2012

Duzentos seguidores no blog Pés Descalços!!



Essa semana chegamos ao números de 200 seguidores no blog! Gostaríamos de agradecer a todos o carinho e paciência conosco. Esperamos sinceramente que esse blog esteja ajudando a todos que passam por aqui, de uma forma ou de outra, a entender que o Cristianismo é a melhor explicação para a realidade como ela é.
Mais uma vez, obrigado!

Sem Deus, não existe o bem ou o mal


Ataque em Newton, Connecticut

Sobre o atentado em Newton, Connecticut, na última sexta-feira.
É impossível construir uma sociedade ao redor da negação de um padrão dado por Deus e então, arbitrariamente, reintroduzir esse padrão conforme for conveniente, sempre que você precisar de uma palavra como “mal” para descrever o que acaba de acontecer. Essas palavras não podem apenas ser assopradas. Se nós as abolimos e também suas definições e todo fundamento possível para elas, precisamos reconhecer o fato que elas se foram. A descrença cultural, que leva inexoravelmente a um niilismo cultural e ao desespero, é completamente incapaz de responder apropriadamente a coisas como essa, enquanto é totalmente capaz de criar tais situações. Nas palavras proféticas de C. S. Lewis, “Em um tipo de simplicidade medonha nós removemos o órgão e exigimos a função. Nós criamos um homem sem peito e esperamos que eles tenham virtude e iniciativa. Nós rimos da honra e ficamos chocados ao encontrar traidores em nosso meio. Castramos e exigimos que o eunuco seja frutífero.”

sábado, dezembro 08, 2012

É possível uma vida sem Deus?



Essa semana morreu o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer. Eu entendo bem pouco de arquitetura, mas sei que ele foi uma pessoa que contribuiu imensamente para essa arte. Ele também era ateu. Era, porque agora ele não é mais. Tanto na visão cristã quanto na ateísta, Niemeyer deixou de ser ateu porque, na visão cristã, ele encontrou com o seu Criador e agora ele sabe que Deus existe e na visão ateísta, não existe vida após a morte, portanto, tudo o que sobrou do arquiteto é aquilo que já existia antes: um corpo físico, só que agora, morto.
Em comemoração à morte de Niemeyer (???) ou para homenageá-lo pela sua obra, a fan Page do Facebook ATEA nos presenteou com a imagem que você vê acima. “Na imagem, podemos ler: uma longa vida de realizações e sucesso, sem Deus”.
Essa frase está errada. O correto seria: “uma longa vida de realizações e sucesso, sem uma crença em Deus”. Pode parecer que ambas são a mesma coisa, mas não são. E já explico o porquê.
Antes, acho interessante notar que os novos ateus estão aprendendo alguma coisa de marketing com o movimento evangélico moderno, especialmente da teologia da prosperidade. Assim como muitas igrejas prometem sucesso na vida se você acreditar em Deus, os ateus estão prometendo uma vida feliz e próspera se você não acreditar em Deus. Dawkins já prometia isso no inicio de seu brilhante livro, “Deus um Delírio”. Parabéns ATEA! Se vocês conseguirem fazer com o movimento ateu aquilo que o evangelho da prosperidade fez com a igreja evangélica, o futuro do ateísmo caminha para um futuro sombrio.
Voltando ao tópico, uma vida sem Deus é diferente de uma vida sem crença em Deus. Niemeyer nunca teve uma vida sem Deus. Ele teve uma vida sem crença em Deus. Primeiro, a crença ou não na existência em Deus é irrelevante para a questão se Deus existe ou não. Se ele não acreditava em Deus, se ele negava a existência de uma divindade, essa divindade continuaria existindo independente de suas crenças. E mesmo sem essa crença, essa divindade continuaria exercendo influencia em sua vida, como exerce na de todos nós. O simples fato de Deus ter permitido que ele tivesse vivido por quase 105 anos mesmo negando a sua existência, apesar das comprovações mais óbvias de sua existência, mostra o quanto Deus é amoroso e agiu com graça para Niemeyer. Mas o segundo ponto para mim é ainda mais importante.
A frase “uma longa vida... sem Deus” é irracional. Para que a vida exista, Deus é necessário. Aliás, para que o universo exista, Deus é necessário. Se isso não fosse verdade, veja quantas crenças irracionais uma pessoa precisa aceitar para acreditar que uma vida sem Deus é possível:
  • Acreditar que coisas aparecem do nada sem causa.
  • Acreditar que a vida pode vir de algo sem vida.
  • Acreditar que informação pode ser gerada sem uma mente inteligente.
  • Acreditar que essa informação pode ser interpretada sem uma mente inteligente.
  • Acreditar que a primeira lei de Newton, da inércia, está errada.
  • Acreditar que padrões morais reais não existem.

E por aí vai. Todos esses conceitos acima contrariam as mais simples percepções de nosso universo. Todas elas são, para dizer o mínimo, irracionais. Portanto, uma vida sem Deus, é também uma frase irracional.
Se a ATEA quisesse parecer menos irracional, deveria mudar a frase sobre Niemeyer. Mas racionalidade nuca foi o forte por ali...

quarta-feira, outubro 31, 2012

Feliz dia da Reforma!


Olá. Estamos sumidos nas últimas semanas. Muitas coisas acontecendo, incluindo um possivel mudança de cidade e não estamos conseguindo postar nada no blog. Mas não abandonamos esse lugar aqui, apenas tiramos umas férias mais longas que o normal.
Mas não poderíamos deixar passar um dia tão importante quanto hoje! Não, não estou falando de halloween, estou falando da celebração do Dia da Reforma Protestante, o famoso dia em 1517 quando Martinho Lutero pregou as 95 teses na porta Wittenberg. Depois disso, o mundo nunca mais foi o mesmo.
Para meus amigos irmãos luteranos (devo ter uns dois ou três...) parabéns! Para meus irmãos protestantes de todas as outras denominações, especialmente as históricas, vamos nos lembrar do legado que nós hoje continuamos, de levar o evangelho da salvação pela graça somente para todos os povos, livrando-os do peso e do julgo de tentar se salvar pelas obras.

"Hier stehe ich. Ich kann nicht anders. Gott helfe mir. Amen"



domingo, setembro 30, 2012

Todos os caminhos levam à Deus


Quando alguém te disser: todos os caminhos levam à Deus, concorde. Isso é verdade. Todos os caminhos levam à Deus. Mas apenas um o leva como filho. Todos os outros o levam como réu.
Agradecimentos à André Gava pelo pensamento.

sábado, setembro 22, 2012

Pausa nas postagens


Como vocês devem ter percebido, não conseguimos publicar muitas coisas nas últimas semanas. A parte do ótimo texto escrito pelo nosso amigo Lucas Fava (leia, é muito bom), já faz algumas semanas que não temos nada novo no blog.
Vamos voltar a postar novos textos em breve. Com toda a correria das últimas semanas, não temos tido tempo para novos textos. Mas em breve voltaremos com tudo.
Enquanto isso, aproveite para ler os outros textos que já publicamos. Temos mais de 800 textos no blog. Tenho certeza que você vai encontrar algo interessante.
À esquerda desse texto, você vai encontrar uma caixa de pesquisa do Google que faz pesquisa exclusivamente no site. Digite uma palavra ou um grupo de palavras e veja o que pode encontrar por aqui.

Mas não vá longe. Em breve estaremos de volta.

segunda-feira, setembro 17, 2012

Por que evangelizar?



Por que evangelizar? Claro, devemos evangelizar, em primeiro lugar, porque Jesus nos manda (Marcos 16:15). Hoje em dia não gostamos da idéia de autoridade e não aceitamos de forma alguma fazer algo em simples obediência. Porém, Cristo é Senhor, e senhores têm o poder de mandar e desmandar em seus servos. Servos de Cristo o obedecem, e evangelizam.

Mas não é disso que quero falar. Quero falar da motivação por trás de evangelismo. Afinal, Cristianismo é sobre amor, e o que nos leva a obedecer a Cristo é amor (João 14:15), e não somente a questão de autoridade.


domingo, setembro 02, 2012

8 dicas de evangelismo


Evangelismo é uma coisa relativamente simples. Na maioria das vezes, nós é que tornamos o evangelismo algo de outro mundo quando achamos que é uma atividade totalmente a parte de nossa vida, como se fosse um momento em que deixamos todas as coisas e nos concentramos nessa atividade extracurricular chamada evangelismo. Na verdade, nós somos evangelistas de um jeito ou de outro. Por exemplo, eu vejo meus amigos no Facebook espalhando as boas novas sobre seus times de futebol, mostrando como seu time é superior aos outros. Isso de uma certa forma é evangelismo, só que de futebol.

Greg Koukl, de Stand to Reason, que passa bastante tempo viajando de avião entre uma palestra e outra, compartilha conosco uma de suas histórias de suas viagens, onde podemos tirar 8 dicas para o evangelismo. Veja abaixo a lista das 8 dicas. Se você quiser ler o artigo (em inglês), clique aqui.
  1. Procure por oportunidades.
  2. Quando conseguir uma oportunidade, não complique demais as coisas.
  3. Evite utilizar de linguagem religiosa, terminologia religiosa e o jeitão religioso.
  4. Fique focado na verdade, não nos benefícios pessoais do cristianismo.
  5. Apresente evidências.
  6. Fique calmo.
  7. Deixe que a pessoa vá embora, se quiser.
  8. Deixe que a pessoa vá embora com alguma coisa para ler (como o Evangelho de João, por exemplo).

E você, tem alguma dica de evangelismo para compartilhar?

quinta-feira, agosto 30, 2012

A marca de Caim: a cor negra?



De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar.
Atos 17:26

Os mórmons crêem que Deus amaldiçoou Caim com a pele negra e com o nariz achatado. Entretanto, a “marca” foi colocada sobre Caim antes do dilúvio. Durante o dilúvio, toda a carne pereceu, à exceção de Noé, sua esposa, seus três filhos e as esposas deles. Se a maldição que fora lançada sobre Caim fosse a pele negra, a única maneira de tal aspecto físico ter sobrevivido seria se Noé fosse um descendente direto de Caim. Todavia, de acordo com sua genealogia, ele descende de Sete (Gn 5:3, 6-32).

Bíblia Evangelismo em Ação, Editora Vida, página 1102

quarta-feira, agosto 29, 2012

Lição de vida 8 - A vida tem muitos perdedores. Você pode ser um deles!




Por RickThomas 

Lição de Vida 8: A sua escola pode ter se livrado com os vencedores e perdedores, mas a vida não. Em algumas escolas, chegaram a abolir com as notas e eles vão te dar quanto tempo quanto necessário para acertar a resposta. Isso não se parece nem um pouco com a vida real.

Você sabia que a infância é um teste para a vida adulta? É um teste. Você não vai ser um adulto maduro se você também não for uma criança madura. Não existe uma linha mágica que você cruza e de repente, bang, você é maduro.
É como o casamento. A certidão de casamento não é uma coisa que muda quem você é. A pessoa que você tem sido é a pessoa que você trará para o casamento. O seu cônjuge será da mesma forma.
Igualmente, a pessoa que você tem sido como criança será a pessoa que você trará para a idade adulta. As duas diferenças serão (1) você vai estar em um corpo muito maior, (2) e os seus erros terão punições muito maiores.
A infância é um laboratório para que você experimente, falhe, tente de novo. Quando você aprender a suceder, você estará pronto para a vida adulta. Mas não se engane. A vida adulta não irá esperar até você descobrir tudo isso.
A vida adulta e as responsabilidades não esperam por ninguém. Ou você nada ou você afunda. Se você errar, errou. Existem perdedores por ai. De uma volta pela sua cidade ou assista o jornal da noite para ver como os perdedores vivem.

terça-feira, agosto 28, 2012

Como a igreja reconheceu a canonicidade dos livros da Bíblia?





Existe um entendimento errado, popularizado por livros como O Código Da Vinci, que a forma como os livros da Bíblia foram escolhidos era através de concílios da igreja infundidos em política e votando contra os livros que eles não gostavam. No entanto, uma cuidadosa leitura da história da igreja desaprova esse entendimento.
Como visto no posto anterior, a igreja entendeu o seu papel em reconhecer os livros que Deus, ele mesmo, havia inspirado. Esse trabalho de reconhecimento era algo que a igreja primitiva realmente levou a sério, mas como eles fizeram isso? Quais critérios eles usaram?
Sabemos que a profeticidade era uma condição necessária para a canonicidade, mas algumas vezes os pais da Igreja que estavam tentando verificar a profeticidade de um livro estavam longe por décadas, ou mesmo séculos, da composição original do livro. Então, o que eles fizeram?
Norman Geisler e William Nix, em seu livro Um Introdução Geral à Bíblia, descreve o critério que foi na verdade utilizado pela igreja primitiva no processo.
O livro foi escrito por um profeta de Deus? Esse era o critério mais fundamental. Uma vez que isso havia sido estabelecido, a inspiração do livro era reconhecida.
O autor havia sido confirmado por atos de Deus? Se havia alguma dúvida sobre o autor ser um verdadeiro profeta de Deus, milagres serviam como confirmação divina.
A mensagem transmitia uma verdade sobre Deus? De acordo com Geisler e Nix, “qualquer ensino sobre Deus contrário aquilo que seu povo já sabia ser verdade deveria ser rejeitada. Mais ainda, qualquer predição feita sobre o mundo que falhassem em se tornar verdade deveria ser rejeitada”.
Ele vem com o pode de Deus?  Geisler e Nix explicam, “outro teste de canonicidade era o efeito edificador do livro. Ele possuía o poder de Deus? Os Pais acreditavam que a Palavra de Deus é “viva e ativa” (Hb. 4:12), e consequentemente deve ter uma força transformadora para edificação (2 Tm. 3:17) e evangelização (1 Pedro 1:23).”
O que é aceitável para o povo de Deus? Geisler e Nix afirmam que “a aceitação inicial de um livro pelo o povo a quem havia sido endereçado era crucial. Paulo disse sobre os tessalonicenses, ‘Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus’ (1 Ts 2:13). Qualquer debate subsequente que possa ter existido sobre o lugar de um livro no cânon, as pessoas na melhor posição para saber a sua credencial profética eram aqueles que conheciam o profeta que o havia escrito. Assim, apesar dos debates posteriores sobre a canonicidade de alguns livros, a evidência definitivo é aquela que atesta para a sua aceitação original pelos crentes contemporâneos ao livro”.
Geisler e Nix resumem:
A mais importante distinção a ser feita nesse ponto é entre a determinação e a descoberta da canonicidade. Deus é unicamente responsável pela primeira, e o homem é meramente responsável pela segunda. Que um livro é canônico é devido à inspiração divina. Como isso é conhecido como verdade é um processo de reconhecimento humano. O homem descobriu aquilo que Deus havia determinado olhando para as “marcas de inspiração”.
Perguntava-se se o livro (1) havia sido escrito por um homem de Deus, (2) havia sido confirmado por um ato de Deus, (3) falava a verdade sobre Deus, o homem e assim por diante, (4) vinha com o poder de Deus e (5) era aceito pelo povo de Deus. Se um livro tivesse a primeira marca, as outras eram normalmente pressupostas. É claro que os contemporâneos do profeta (apóstolo) conheciam as suas credenciais e aceitavam os seus livros imediatamente. Mas mais tarde os Pais da Igreja separaram a profusão de literatura religiosa, descobriram e deram um reconhecimento oficial para os livros que, pela virtude da inspiração divina, haviam sido determinados por Deus como canônicos e originalmente reconhecidos pela comunidade contemporânea ao qual ele primeiramente havia sido apresentado.

segunda-feira, agosto 27, 2012

Segundas terminológicas: busca pelo Jesus histórico

segundas com termos da teologia hoje agostinho



Busca pelo Jesus histórico:

Movimento do século 19 que buscava separar o homem Jesus de Nazaré do Cristo da fé proclamado pela igreja, estabelecendo assim uma distinção entre essas duas visões acerca de Cristo. Os defensores dessa busca concluíram que o Jesus "histórico"(não-sobrenatural) nunca fez nenhuma alegação messiânica, nunca predisse sua morte ou ressurreição e nunca instituiu os sacramentos adotados pela igreja. Em vez disso, as histórias bíblicas que atribuem esses atos a Jesus são "mitos" não históricos que, junto com certas afirmações filosóficas e teológicas apresentadas nos documentos do NT, foram projetados pelos discípulos, pelos escritores dos evangelhos e pela igreja primitiva. O verdadeiro Jesus histórico, em contrapartida, pregou uma mensagem simples, profundamente ética, resumida no princípio da "paternidade de Deus" e da "fraternidade dos homens".

Fonte: Dicionário de Teologia, edição de bolso. Ed. Vida.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Lição de Vida 7: seus pais eram legais




Por RickThomas 



Lição de Vida 7: Antes de você nascer, seus pais não eram tão chatos quanto são agora. Eles ficaram assim pagando as duas contas, limpando a sua roupa e ouvindo você falar o quanto você acha que é legal. Portanto, antes de se lançar para salvar a floresta amazônica das mazelas da geração dos seus pais, tente primeiro arrumar o seu quarto.

Seus pais costumavam a ter uma vida. Acredite. Eles tinham. Antes de você nascer eles podiam escolher serem irresponsáveis, espontâneos e livres. Então eles decidiram se casar e ter filhos. Isso mudou o mundo deles para sempre.
Talvez seus pais ainda sejam irresponsáveis, espontâneos e um pouco livres demais. E você? Você é diferente? Se eles ainda são dessa maneira, isso significa que você também deve ser assim? Se eles não te guiaram corretamente, então, e se você fosse radical e se tornasse o responsável da família?
Apesar de comportamentos indesculpáveis possam gerar comportamentos indesculpáveis, isso não quer dizer que você deve agir dessa maneira. Nenhum de nós pode se desculpar por nosso mau comportamento não importa quanto tentamos nos desculpar.
Eu gastei muito tempo da minha vida com um peso nos ombros porque eu me sentia enganado e traído pelos outros. Eu me sentia ludibriado e minha resposta era raiva, ressentimento, amargura e falta de perdão. Levou muito tempo pra eu perceber que eu não era diferente dos meus pais. Somos todos depravados – podres até o fundo e necessitados de um Salvador.
Eu proclamava as falhas deles sem nunca perceber as minhas. Um dia seus pais terão ido embora e não haverá desculpas para as escolhas que você fez, exceto afirmar que foram suas escolhas

Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.  
Mateus 7:2

Talvez a vida deles seja desorganizada, caótica e sem ordem. Ok, mas e a sua vida? Com o que a sua vida se parece? Se você aprender a crescer em situações difíceis, você terá aprendido uma das maiores lições da vida.
Nada dissuadiu o Salvador de Seu propósito, não importava qual era a distração ao redor Dele. Não espere até você ter trinta anos para aprender essa lição valiosa.

terça-feira, agosto 21, 2012

Poderoso como Moisés



Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e veio a ser poderoso em palavras e obras.
Atos 7:22

Não se preocupe se você não tem o “dom da palavra” quando o assunto foi testemunhar aos não salvos. Veja o caso de Moisés, que foi “educado em toda a sabedoria dos egípcios e veio a ser poderoso em palavras e obras”, mas Deus o usou para liberta o povo de Israel somente quarenta anos mais tarde. O caráter gentil de Moisés só foi produzido depois de longo tempo em que ele trabalhou como pastor de ovelhas. A Bíblia nos diz: “Conduz os humildes na justiça e lhes ensina o seu caminho” (Sl 25:9). A “sabedoria” que Moisés adquiriu no Egito não era sabedoria do alto. Quando ele viu a injustiça, fez justiça com as suas próprias mãos e cometeu um assassinato. Deus não precisa da sabedoria deste mundo. Ele deseja simplesmente que tenhamos alma pura, humilde, amorosa e cheia de compaixão, pois assim ele poderá nos usar para propagar o seu evangelho. Ele deseja que sejamos como “faróis” do seu amor no mar revolto do mundo. No momento em que recebemos o Espírito de Cristo, também recebemos o dom dessas virtudes. Não precisamos apascentar ovelhas durante quarenta anos, pois já temos o caráter do Bom Pastor manifesto em nós.

Bíblia Evangelismo em Ação, 2005, Editora Vida, página 1081.

segunda-feira, agosto 20, 2012

Segundas terminológicas: Rudolf Bultmann

segundas com termos da teologia hoje agostinho



Bultmann, Rudolf (1884 - 1976):

Catedrático da Universidade de Marburg, na Alemanha, Bultmann foi um dos mais importantes estudiosos do NT do século XX. Foi o pioneiro em estudar os evangelhos valendo-se da crítica da forma (Formgeschichte), que buscava descobrir pronunciamentos e fatos da igreja primitiva subjacentes à forma definitiva do texto dos evangelhos. Também é conhecido pela demitização, i.e., a tentativa de identificar os antigos "mitos" pressupostos pelos autores bíblicos e traduzi-los em termos modernos. Para Bultmann, isso significa interpretar o NT utilizando as categorias desenvolvidas pelo filósofo existencialista Martin Heidegger. Por exemplo, Bultmann redefiniu as "idéias primitivas" de pecado como "existência inautêntica" e salvação como "existência autêntica".

Fonte: Dicionário de Teologia, edição de bolso. Ed. Vida.

domingo, agosto 19, 2012

O que é apologética




A apologética é como um campo. No centro desse campo existe um jardim. O jardim possui uma porta e essa porta é Jesus. Existe um único caminho que leva até essa porta. Dentro do jardim existe vida eterna na presença de Deus. Fora do campo, no entanto, existem pedras, pedregulhos, espinhos, cardos, depressões, montes e vários falsos caminhos que não levam a lugar algum.
O apologista vive nesse campo e aponta as pessoas para o verdadeiro caminho para que eles possam achar o jardim. O apologista busca remover os espinhos intelectuais e as pedras emocionais que impedem as pessoas de encontrar o verdadeiro caminho para Deus. Também existem muitas pessoas que estão caminhando por falsos caminhos (cultos, filosofias, etc.) que nunca irão atingir o jardim. O apologista gentilmente guia essa pessoa, remove os obstáculos e aponta na direção do jardim. Quando a pessoa atinge o jardim, é entre ela e Deus se a pessoa vai entrar ou não.
Imagine-se como um trabalhador no campo. Não é o seu trabalho salvar ninguém. O seu trabalho é apontar para o caminho. Você não é único no campo. Não é seu trabalho levá-los até o jardim. Eles mesmos chegam lá. Você simplesmente deve ajudá-los.

sábado, agosto 18, 2012

11 maneiras de reacender sua paixão pela leitura da Bíblia



Eu me deparei com um bom artigo sobre como reacender a paixão pela leitura da Bíblia. Eu sempre afirmei aqui no blog que uma das maiores falhas da igreja evangélica é seu desconhecimento do conteúdo da Bíblia. Milhões de evangélicos passam toda a sua vida cristã sem ter lido a Bíblia inteira pelo menos uma vez!
Abaixo você pode encontrar um resumo do artigo. No link abaixo você pode ler o texto original em inglês.


1 – Cresça em um relacionamento amoroso com o Autor das Escrituras.
Se uma jovem recebe uma carta de seu noivo, ela ansiosamente se lança na leitura da mesma. Esse é o mesmo sentimento que devemos ter pelo Autor das Escrituras, nossas cartas de amor.

2 – Tenha um relacionamento pessoal com Deus.
Além de amar a Deus, o leitor das Escrituras deve também desenvolver um relacionamento pessoal com o Autor.

3 – Aborde a Bíblia com um temor em adoração.
É importante que você tenha uma atitude mental propícia à leitura da Bíblia, em temor, oração e adoração.

4 – Considere um privilégio ler e estudar as Escrituras.
Por 1500 anos na história da humanidade as pessoas normais não tinham acesso à Bíblia e somente a pouco tempo temos a Bíblia na maioria das línguas mundiais. Considere um privilégio poder ter uma Bíblia.

5 – Desenvolva um interesse real enquanto você lê uma parte das Escrituras.
Tem gente que reclama que aquilo que estão lendo é chato. Mas não precisa ser assim. Desenvolve um interesse genuíno pela passagem. Todas elas possuem uma razão para estar lá.

6 – Peça ao Senhor para que ele lhe dê verdadeira alegria enquanto você lê as Escrituras.
Nós sabemos que a alegria espiritual é fruto do Espírito Santo. Peça a Deus para que Ele estimule essa alegria no seu coração pela leitura da Bíblia.

7 – Encontre um lugar calmo e encontre tempo de qualidade para passar lendo as Escrituras.
Não importa o horário, você não deve ser perturbado enquanto estiver lendo as Escrituras. Procure um lugar livre de distrações.

8 – Comece seu tempo de leitura da Bíblia com oração.
Antes de começar a leitura do texto bíblico, pare por um minuto e peça a Deus que abençoe o seu tempo de leitura e que limpe seus pensamentos.

9 – Examina a passagem da Bíblia cuidadosamente e em oração.
Não leia a Bíblia como você lê um jornal. Lembre-se que existe uma riqueza espiritual naquilo que é a Palavra de Deus.

10 – Determine-se a ler por benefício espiritual do Senhor.
Paulo diz: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”. Romanos 15:4. A Bíblia no encoraja, mas também nos dá avisos, todos úteis. A Escritura nos dá a sabedoria que nos leva a salvação e nos ajuda a crescer. Se você mantiver os benefícios espirituais da sua leitura bíblica em mente, você terá cada vez mais desejo de ler a Bíblia.

11 – Lembre-se que você está buscando conhecer a vontade de Deus e a obedecê-la.
Lembre-se que você não está lendo a Bíblia para cumprir um dever ou somente por curiosidade. O propósito maior da leitura das Escrituras é conhecer a Deus, conhecer Sua vontade e obedecê-la.

sexta-feira, agosto 17, 2012

Você deve nascer de novo



"Não ache que você está pessoalmente justificado aos olhos de Deus porque você teve um pai e uma mãe de Deus, ou mesmo avós cristãos. A mensagem de Cristo para todos que não foram regenerados pelo Espírito Santo é, 'você deve nascer de novo'. A religião verdadeira é pessoal: é uma coisa de preocupação para cada homem em si mesmo".
Charles Spurgeon

quarta-feira, agosto 15, 2012

Lição de Vida 6: Se você errar, não é culpa dos seus pais




Por RickThomas 


Lição de Vida 6: Se você errar, não é culpa dos seus pais, então não fique choramingando sobre seus erros, aprenda com eles.

Tiago fez uma pergunta óbvia sobre a fonte da nossa raiva.
Eu acredito que a maioria dos cristãos não entende funcionalmente a resposta para essa pergunta.
Eu acho que muitos cristãos podem dar a resposta teológica correta, mas quando chega a parte funcional – a prática, eles realmente não entendem de onde a raiva se origina.

De onde vem as guerras e as brigas entre vocês? Tiago 4:1

Uma coisa é saber em nossas cabeças o que a Palavra de Deus diz e é outra coisa totalmente diferente como você vive a Palavra de Deus em sua vida.
Somente o conhecimento não irá te ajuda. É a prática desse conhecimento que faz a diferença (Tiago 1:22).
Satanás acredita em Deus e tem mais conhecido sobre Deus do que qualquer um de nós, mas ainda assim ele é o demônio e sua condenação é certa (Tiago 2:22).
Mesmo você sabendo de onde vem a sua raiva, vamos assumir que você sabe, pouco importa até que você assuma a sua raiva e mude. É assim que Tiago responde a sua própria pergunta:

Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis.Tiago 4:1-2

Em sua primeira pergunta, ele usa “vem” duas vezes. Ele realmente quer saber de onde vem. Se você está bravo não é porque o diabo o fez ficar assim ou que seus pais o fizeram ficar assim. Ele responde a sua pergunta com outra pergunta.
Ele usa três palavras, que são basicamente sinônimos – cobiça, inveja e guerra (por desejo). Todas essas três palavras significam ídolo. Um ídolo é algo que você quer mais do que você deseja a Deus e se você não consegue aquilo que você quer, você peca – nesse caso, você fica irritado.
Tiago coloca a causa de sua raiva nas suas paixões, desejos e/ou cobiça. Sua raiva está em você. Você é a causa da sua raiva. E ai você diz, “mas eles errarram comigo. Eles me machucaram. Você não entende.
E eu digo, “Eu entendo”.  É por isso que eu estava falando antes sobre esse mundo e as pessoas que estão nele não são justas. A vida não é justa. Nós nos machucamos, temos feridas e somos largados. A vida é assim. Lembre-se: Adão caiu e todos nós nos machucamos.
E então você diz, “mas eu orei a Deus tantas vezes para que Ele levasse meus problemas pra longe e eles nunca vão embora”. Eu entendo essa oração também. E Tiago também. É por isso que ele acrescenta a seguinte frase ao final de sua explicação sobre a origem da raiva:

Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres.Tiago 4:2-3

Nós oramos para que Deus faça muitas coisas, e entre elas para levar a dor embora. Algumas vezes Deus faz isso, outras Deus não faz. Algumas vezes Deus permite a dor e o sofrimento do coração em nossas vidas para nos ajudar..

terça-feira, agosto 14, 2012

A escatologia desconhecida



Eu preciso confessar uma coisa para os leitores do blog. Até essa sexta-feira teremos 800 artigos públicos em nosso blog em pouco mais de 6 anos de existência e, pelo menos que eu me lembre, nenhum deles abordou o assunto dos últimos dias, ou seja, a escatologia. E isso por um motivo simples: eu não entendo absolutamente nada sobre escatologia. É verdade, eu tenho um conhecimento que fica aquém do funcional sobre o assunto. Mas existe um motivo para isso. Acredito que tanto a Vivian quanto eu não chegamos ao momento de nos dedicarmos a estudar esse assunto.
Eu me lembro que quando me converti a escatologia era um assunto muito quente no meio evangélico. Em uma visita a uma família da igreja eu vi pela primeira vez aqueles quadros que mostravam desde a criação até o final dos tempos, com várias ilustrações e datas até os dias de hoje e um tempo mais ou menos previsto para os eventos futuros. Eu ficava me perguntando como as pessoas sabiam que tudo aquilo ia acontecer daquela forma. Mas praticamente desde a minha conversão eu já possuía um posicionamento escatológico: eu acreditava no arrebatamento da igreja, nos sete anos de tribulação que se seguiria e no reino de mil anos de Cristo, que culminaria no Armagedom. Mas esse meu posicionamento era mais fruto da crença coletiva do meio evangélico que eu vivia do que de uma análise bíblica dos fatos. Não estou dizendo que essa crença não possua fundamento bíblico, mas eu a tinha aprendido pelo comentário aqui e ali dos membros da igreja e nunca havia participado de um estudo sobre o assunto. Mas na verdade, isso nunca chegou a ser mais do que uma leve curiosidade. Eu sempre fui atraído por outras coisas, como evangelismo e apologética e o livro de Apocalipse foi ficando para trás. Eu já li alguns livros sobre o assunto, já tive aulas sobre escatologia em um curso de teologia básico que fiz, mas nada mais do que isso. Em um futuro eu acredito que irei dar um pouco mais de atenção a esse assunto, mas gostaria de apontar duas razões pelas quais a Escatologia não está nesse momento no meu foco principal:

1 – Você jamais poderá entender o livro de Apocalipse enquanto não entender o livro de Romanos.
Ou seja, a Escatologia não fará sentido se você não entender que o homem é pecador, que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados, que a salvação é pela graça de Deus, através da fé. Ou seja, se você não entender o básico de doutrinas e teologia cristã, jamais entenderá corretamente a Escatologia. Isso parece óbvio, mas você se surpreenderia se soubesse a quantidade de pessoas que entendem tudo sobre Escatologia, mas não tem a menor ideia de como o homem se salva ou do que ele é salvo. O fim dos tempos está dentro da história redentiva de Deus e ele nunca fará sentido solto sem contexto. É como ler somente o fim de um livro, sem nunca ter lido o começo e o meio. E particularmente, nesse momento estamos mais focados no aprofundamento do meio dessa história redentiva.

2 – “Tudo o que você precisa saber sobre o fim dos tempos você saberá quando o fim dos tempos chegar” – Paul Washer
Essa é uma frase do Paul Washer que eu gosto muito e concordo plenamente. Milenarista, amilenarista, pós-tribulacionismo, pré-tribulacionismo, seja qual for a vertente escatológica. Não haverá mais dúvidas. Isso não quer dizer que não seja importante aprender sobre essas coisas, é importante sim, mas é o tipo de posicionamento teológico que devemos manter com certa flexibilidade e jamais deveríamos nos dividir por causa disso. Por mais bem informado que estejamos sobre o assunto, apenas na volta de Cristo teremos certeza sobre como será esse evento em seus detalhes. Fique tranquilo, você não irá perder esse espetáculo. Só espero que esteja do lado do Cordeiro nesse dia.

Essa é a minha confissão. Escatologia é o meu calcanhar de Aquiles. Eu entendo muito pouco sobre o assunto. Tenho ótimos materiais sobre isso, mas ainda não tive tempo para estudá-los. E pelos motivos acima, isso não me perturba. A minha esperança está em Cristo e eu sei que, sejam quais forem os eventos, Cristo o fará como o Pai já determinou. Isso para mim é o suficiente para acalmar meu coração sobre o futuro.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Segundas terminológicas: Emil Brunner

segundas com termos da teologia hoje agostinho



Brunner, Emil (1889 - 1966):

Teólogo suíco de grande influência, que, junto com Karl Barth, está relacionado ao movimento chamado Neo-Ortodoxia ou Teologia Dialética. Brunner rejeitou o quadro que a teologia liberal apresentou de Jesus Cristo como mero ser humano altamente respeitado. Frisava, então, que Jesus era Deus encarnado e figura central da salvação. Brunner também tentou encontrar uma posição intermediária no debate arminiano e calvinista, declarando que Cristo se pôs entre o tratamento soberano de Deus para com a humanidade e a nossa livre aceitação do dom divino da salvação. Embora Brunner tenha ressaltado corretamente a centralidade de Cristo, os teólogos conservadores mostram-se hesitantes em aceitar outros de seus ensinamentos, dentro os quais a rejeição de certos elementos "miraculosos" das Escrituras e as objeções quando à utilidade da doutrina da inspiração da Bíblia.

Fonte: Dicionário de Teologia, edição de bolso. Ed. Vida.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Casamento bíblico: pode tudo? - Parte 2



Ontem apresentamos a primeira parte desse texto, quando analisamos os aspectos da argumentação dos novos ateus e como isso pode ser visto na imagem acima. Leia a primeira parte, pois esse texto aqui fará muito mais sentido com a introdução do primeiro.
Pronto?
Com tudo isso em mente, vamos analisar os oito tipos de casamentos que vemos na figura.

1 – Homem + mulher
Nada de errado aqui. Realmente a esposa é submissa ao marido, assim como a igreja é submissa à Cristo e este submisso a Deus. É uma questão do papel de cada um. E como pode ser visto no texto de Efésio 5 apresentado acima, essa submissão é baseada em amor, especialmente da parte do marido.
O único comentário adicional é que eles afirmam que todos os casamentos da Bíblia eram arranjados, como se isso fosse uma grande atrocidade. Na verdade, esse era o padrão de casamento da nossa sociedade até pouco tempo atrás e apenas recentemente isso mudou. Além disso, vários casamentos bíblicos foram baseados no amor, mesmo os arranjados. Um exemplo? Jacó e Raquel (Genesis 29:18).

2 – Homem + esposas + concubinas
Isso nunca foi um mandamento bíblico, nem foi definido como casamento pelas Escrituras. A Bíblia apenas relata os atos pecaminosos desses homens. Mesmo homens como Abraão, que para nós é um dos pais da fé, pecaram e não apenas uma vez. E muitas vezes viram o resultado de seus pecados.

3 – Homem + mulheres + mulheres
A Atea cita Gênesis 16 talvez na esperança que as pessoas não venham a ler o texto, já que aqui temos a história de como Sarai entregou sua serva para que Abrão dormisse com ela. Por tudo o que já lemos até aqui, vemos que não existe um mandamento de Deus para essa atitude. Na verdade, tudo isso é considerado como pecado e trouxe graves consequências para todos (leia o capítulo 21 de Gênesis). De qualquer forma, isso não é conceito de casamento, mas sim a descrição de um ato pecaminoso.

4 – Homem + mulher + mulher... (poligamia)
Já falamos sobre poligamia e como Deus deixou bem claro nas Escrituras que o casamento deveria ser entre um homem e uma mulher. Qualquer coisa que fosse além disso, seria considerado como fruto do coração pecaminoso do homem.

5 – Homem + viúva de seu irmão (casamento levirado)
Talvez por desconhecer em sua profundidade o texto bíblico (o que fica claro pela hermenêutica ruim da Atea), eles citaram Gênesis 38:6-10 para o casamento levirato (o correto é levirato), mas o melhor texto é Deuteronômio 25:5. Esse texto é um mandamento para uma situação específica: a viúva sem filhos. Se o marido morto possuía um irmão, então, ela deveria se casar com ele e não com alguém de fora. O objetivo dessa lei para Israel era proteger as viúvas, já que não existia uma seguridade social na época e uma mulher sem filhos poderia facilmente cair na prostituição para se sustentar. Era isso que a lei planejava: trazer proteção para a mulher. Lembre-se, aquela era outra sociedade, uma época muito mais dura e difícil.

6 – Estuprador + vítima
Se um homem se encontrar com uma moça sem compromisso de casamento e a violentar, e eles forem descobertos, ele pagará ao pai da moça cinqüenta peças de prata. Terá que casar-se com a moça, pois a violentou. Jamais poderá divorciar-se dela.
Deuteronômio 22:28-29 (NVI)

Veja esse mesmo texto na versão Almeida Corrigida Revisada e Fiel.
Quando um homem achar uma moça virgem, que não for desposada, e pegar nela, e se deitar com ela, e forem apanhados, então o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinqüenta siclos de prata; e porquanto a humilhou, lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias.

Dois pontos a se observar: o primeiro, o texto não aprova o estupro. Em momento nenhum o estupro é incentivado ou é dito que o estuprador fez algo correto. O texto, se realmente estiver lidando com estupro, apenas faz uma provisão para uma situação ruim. Mas a bem da verdade, eu acho pouco provável que o texto se refira a estupro. Veja que na versão Almeida o texto fala de um homem que se deita com uma virgem. Não diz que foi a força. Na verdade, o original em hebraico usa as palavras taphas para pegar e shakab para deitar-se. Taphas pode ter o sentido de violência ou não, mas como o texto fala apenas de uma virgem (excluindo assim mulheres que já tiveram relação sexual), acho pouco provável que o foco seja o estupro, mas sim a perda a virgindade, que era algo muito valorizado em sociedades antigas. Como julgamos as sociedades do passado pelos nossos valores, achamos hoje em dia absurda a valorização da virgindade. Mas isso fala muito mais sobre a pecaminosidade dos nossos tempos do que de qualquer outra sociedade.

7 – Soldado masculino + prisioneiras de guerra
Mais uma vez, a Atea torce para que aqueles que se encontrem com a figura, não venham a ler os dois textos apresentados: Número 31:1-18 e Deuteronômio 21:11-14. Ambos os textos mostram situações em uma sociedade que estava em guerra, mas de forma diferente. O primeiro é um ajuste pela desobediência dos soldados israelitas. Eles deveriam matar todos os midianitas, mas deixaram algumas mulheres vivas. Muito do pecado desses povos era sexual e envolvia mulheres, homens, animais e crianças. Já que os soldados desobedeceram ao comando de Moisés, foi feito um acerto para que pelo menos as virgens fosse poupadas, já que pelo menos elas dificilmente haviam se contaminado com os pecados sexuais de seu próprio povo. Tudo isso parece muito severo nos dias de hoje, mas lembre-se que Deus ordenava a morte desses povos como condenação de atrocidades que eles já faziam há muito tempo (veja o caso dos amoreus em Gênesis 15:16 e que somente foram punidos em Números 21). O segundo texto apresenta uma regulação para o caso de um soldado desejar tomar uma mulher de um campo inimigo como esposa. Ele deve trazê-la para Israel, deixá-la passar pelo luto da família por um mês e depois poderá tomá-la como esposa. Não como escrava sexual: como uma esposa digna. Em um período que mulheres eram propriedades e as mulheres de um campo inimigo deveriam se estupradas, a regulamentação bíblica sobre o assunto foi um enorme avanço.

8 – Homem escravo + mulher escravo
Leia Êxodo 21:1-4 e vejo os senhores eram horríveis com os servos, arrumando esposas para eles...

Ufa, que texto longo. Por isso dividi-lo em duas partes. Tentei cobrir o assunto de forma mais abrangente, mas muito mais ainda podia ser dito. Após analisar todos os argumentos da Atea para dizer que a Bíblia nunca possuiu uma única definição sobre casamento, podemos facilmente concluir que na verdade a Atea simplesmente desconhece o texto bíblico, ou desconhece os princípios mais básico da lógica, ou simplesmente possui um grande ódio por Deus e tudo o que se refere a Ele. Claro que nenhuma dessas opções é autoexcludente e possivelmente a melhor resposta seja uma combinação das três.
O mais importante é perceber que mesmo nos casos apresentados pela Atea o casamento sempre se caracterizou pela união entre homem e mulher. Mas quando o ódio é a força motriz por trás de sua argumentação, mesmo a coisa mais óbvia fica difícil de ser vista.

É por isso que eu sempre digo: LEIA A SUA BÍBLIA! Se você tiver um mínimo de conhecimento geral das Escrituras, irá tirar de letra esse tipo de argumentação falaciosa.

domingo, agosto 05, 2012

Casamento bíblico: pode tudo? - Parte 1



A ATEA –Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos é uma grande representante do movimento conhecido como Novos Ateus. E a grande novidade em relação a esses ateus não é uma nova argumentação, um raciocínio mais apurado sobre a religião ou sobre a existência de Deus. A grande novidade dos Novos Ateus é o ódio pela religião, por aqueles que são religiosos de alguma uma forma e especialmente um ódio mortal contra Deus, que apesar dele não existir, eles ainda assim o odeiam. Outra grande novidade é a forma de argumentação falaciosa (ad hominem, homem de palha e raciocínio circular são os favoritos) e quando se trata da Bíblia, esse aspecto se torna ainda mais forte.
No final de Julho um amigo do Facebook compartilhou a imagem acima, que mostra que a Bíblia possui várias definições de casamento. Assim, os cristãos que usam a Bíblia contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo estão na verdade errados, já que a própria Bíblia possui várias definições de casamento. Esse argumento ganha ainda mais força com uma linguagem gráfica como na ilustração. Como ontem eu publiquei um texto sobre a reação à declaração do presidente da Chick-Fil-Asobre o casamento bíblico entre homem e mulher, achei que seria bom responder ao argumento acima.
Antes de abordarmos as particularidades apresentadas na imagem, eu gostaria de falar um pouco sobre o modus operandi das argumentações contra a Bíblia da ATEA e dos novos ateus por tabela. Em sua grande maioria, quando um novo ateu faz uma apresentação contra algum ponto bíblico, seja ele qual for, ele se utiliza de alguns passos. O primeiro é isolar o texto de seu contexto. Ele trata um versículo bíblico como se esse estivesse solto no espaço e então passam para o segundo passo, o apresentam, via de regra, de forma distorcida, o que é fácil fazer quando o texto está fora de seu contexto. O terceiro e mais contraditório passo é quando esse texto é do Velho Testamento e o julgam a partir de padrões cristãos que eles mesmos adotam, mas que jamais teriam coragem de afirmá-los como tal. Ou seja, eles julgam sociedades antigas como se essas fossem exatamente a mesma coisa do que a nossa sociedade atual. Isso é muito comum quando julgam as atrocidades do Velho Testamento, mas tem dificuldade de chamar de errado as atrocidades da nossa era, como o aborto. Apesar de acharem que a moralidade é algo relativo, eles se tornam absolutistas na hora de julgar sociedades bíblicas.
Quarto e último passo para uma completa argumentação neo-ateísta: achar que tudo o que é descrito na Bíblia é um mandamento de Deus. O neo-ateu interpreta toda a Bíblia como se tudo aquilo que está ali fosse como ordenança ou exemplo de comportamento para a humanidade. O que eles falham em entender é que existem várias literaturas dentro da Bíblia. Não apenas isso, mas a Bíblia apresenta o homem como ele realmente é, com todas as suas falhas e defeitos. Ela não esconde a pecaminosidade do homem, muito pelo contrário, ela o mostra em toda a sua atrocidade, fazendo uma comparação com o amor de Deus, que se torna imenso perto da nossa transgressão. Se você seguir esses quatro passos, terá o padrão perfeito para a argumentação falaciosa do novo ateu.
Isso dito, qual é a definição bíblica de casamento? Não vamos encontrar nas Escrituras uma frase que siga exatamente assim: a definição correta de casamento é a união entre um homem e uma mulher. Não vamos encontrar essa frase porque a Bíblia não é um dicionário, mas apesar de não encontrarmos essa frase colocada dessa exata maneira, vamos encontrar esse conceito por toda a Escritura. Começando por Genesis, podemos ver que Deus criou uma ajudadora para Adão (Gn 2:18-24) e tudo culmina no versículo 24 que diz: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”. Veja aqui um padrão que será seguido por toda a Bíblia: o casamento entre um homem e uma mulher. Deus não criou dois homens ou não criou duas mulheres (até porque se tivesse feito isso, não existiriam mais seres humanos), não criou um homem e várias mulheres ou uma mulher e vários homens. Desde o começo o padrão de Deus para o homem era um homem e uma mulher. Jesus afirma isso quando fala sobre divórcio:

Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?
Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?
Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?
Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.
Mateus 19:3-8

Três coisas interessantes a se notar no texto acima: que desde o princípio o padrão é macho e fêmea, um homem e uma mulher; e depois, que Deus algumas vezes permite (e não ordena) certos comportamentos humanos divergentes de seus mandamentos por causa da dureza do coração humano. Lembre-se disso: se Deus fosse lidar com a pecaminosidade humana da forma como deveria, nós já estaríamos extintos há séculos. É apenas pela graça de Deus que o homem ainda caminha na terra. Mas Deus não tem feito vista grossa para nada disso e apesar de ele ser paciente e tardio em se irar (Joel 2:13), ele fará cumprir a sua justiça, seja na pessoa de Cristo para aqueles que se arrependeram, seja na própria pessoa que se rebelou contra Ele. Nada será esquecido. E o terceiro ponto: Cristo fez essa afirmação em uma sociedade poligâmica. Apesar disso, Cristo não disse que desde o princípio Deus criou um homem para várias mulheres, mas sim um homem e uma mulher. Mesmo em uma sociedade polígama, a definição de casamento continuava a mesma.
O casamento para o cristão também possui um forte contexto teológico, já que Cristo é apresentado como o noivo e a igreja como a noiva (veja Efésios 5:27-32). Os líderes da igreja deveriam ser casados com apenas uma esposa (1 Timóteo 3:2, 12). Mesmo os reis do Velho Testamento eram instruídos a não possuírem múltiplas esposas (Dt 17:17). Davi e Salomão desobedeceram a Deus quando tiveram muitas esposas e esse pecado não veio sem a justa punição:

E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração.
Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o SENHOR seu Deus, como o coração de Davi, seu pai,
1 Reis 11:3-4

Portanto, por toda a Bíblia, podemos ver que o conceito bíblico de casamento é entre um homem e uma mulher e isso é consistente entre o Velho e o Novo Testamento.
Um último ponto antes de analisarmos a imagem em si: muito do que é ensinado na Bíblia é uma regulação para o povo de Israel e não mandamentos para a Igreja. Deus fechou um acordo com o povo de Israel, uma constituição, uma legislação que deveria guiá-los, especialmente enquanto estes deveriam viver em terras estrangeiras, próxima de povos que muitas vezes eram muito mais depravados que os próprios Israelitas (sacrifício de bebês era comum nessas sociedades, assim como nos dias de hoje, só que antigamente eles esperavam o bebê sair da barriga para isso). Lembre-se que estamos falando de uma sociedade separada por mais de três mil anos até hoje, outros valores e uma sociedade que não havia sido influenciada pelos valores cristãos, como é o caso da nossa. Muito do que Deus regulou para Israel parece duro e rígido para nós que somos uma sociedade formada com uma base de princípios cristãos (amor, caridade, respeito ao próximo, igualdade, respeito), mas que quando comparado com as sociedades contemporâneas em sua volta, essa regulamentação se apresenta como um enorme avanço moral e humanístico.
Com tudo isso em mente, vamos analisar os oito tipos de casamentos que vemos na figura acima, mas apenas amanhã, pois o texto já está enorme para um blog.

Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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