quarta-feira, dezembro 29, 2010

Uma bela árvore de Natal

terça-feira, dezembro 28, 2010

Niguém Sabe Quando a Vida Começa!


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Quando um Humano é um Ser Humano?


Gregory KouklStand to Reason
Tradução Pés Descalços

Um resposta simples para dar da próxima vez que alguém disser que o não nascido é “um ser humano, mas não uma pessoa.”

Um bebê é completamente humano desde a concepção. Não existem dúvidas sobre isso. Mesmo dizendo que é completamente humano está faltando algo. Note isso. A lei da identidade: uma coisa é ela mesma e não outra coisa. O que isso significa é que seja o que for que algo é, ele continua sendo o que é enquanto existir. As coisas não mudam de uma coisa essencial para outra coisa essencial.
As pessoas dizem, e se você se tornasse um gato? É impossível para você se tornar um gato porque um gato é uma substância essencial diferente. Se você se tornar um gato, alguém poderia perguntar, o que existe no gato que é o mesmo que você era? Não existe nada no gato que seja remotamente humano e não existe nada em um humano que seja remotamente gato. Mesmo a alma de um gato é um diferente tipo da alma humano, portanto você jamais poderia se tornar um gato. Você seria destruído e algum cato criado no seu lugar ou talvez modelado de suas moléculas físicas, mas isso não faria de você um gato.

As coisas não mudam sua natureza essencial. O que mudam são suas propriedades. Elas ficam maiores, menores, mudam cor do cabelo, mudam textura, crescem apêndices. Mas aquilo que são não muda. Você tinha 2 ou 3 quilos em algum momento da sua vida, agora você é muito maior. Só porque você é maior não quer dizer que você é mais humano. Existe mais do seu corpo físico, mas não mais de você mesmo. Você ainda é o mesmo você que era – humano. Você era totalmente humano quando foi concebido; você era totalmente humano quando nasceu; você era totalmente humano quando era vinte vezes maior do que o seu tamanho quando nasceu. Suas propriedades mudaram; sua característica essencial não. A natureza da sua humanidade não muda.

Agora, quando um ser é trazido à existência, esse ser se mantém o mesmo até sua destruição. Não se torna mais humano porque humanidade não é uma coisa do tipo quantitativa. Se esse fosse o caso, poderíamos dizer que pessoas que não possuem certas características ou possuem menos dessas características que outros são menos humanos. Se humanidade fosse auto-consciência, por exemplo, então aqueles que estão mais sintonizados consigo mesmos são mais humanos e aqueles em menos sintonia consigo mesmos menos humanos. Se fosse inteligência, então aqueles mais inteligentes são mais humanos e merecem mais direitos e aqueles menos inteligentes são menos humanos e não merecem o mesmo tipo de respeito.

O que estamos falando é sobre as mudanças nos atributos, ou tecnicamente falando, propriedades. Não estamos falando sobre mudanças de natureza. Então quando o novo ser humano vem a existência na concepção (a propósito isso é uma realidade científica indiscutível, não está mais aberto para debate) esse ser se mantém o mesmo até a extinção de sua existência. O ser que vem a existência da junção de dois seres humanos também é um ser humano. É a Lei da Biogênese que diz que tudo recria de acordo com a sua própria espécie. Não é possível para dois seres humanos produzir um descendente que não é da mesma espécie, que não é humano. A humanidade é um fato do momento da concepção. É totalmente humano. Não existe graduação nesse sentido. Existe apenas graduação de desenvolvimento.

Esse ponto é admitido pelos mais sofisticados filósofos que defendem a escolha em questões sobre o aborto. Você vai encontrar muitas pessoas que não são sofisticadas que usam esse e outros argumentos ruins. O que eles tentam fazer é uma distinção entre humanidade e personoalidade, mas chegasse no mesmo problema.

Como eu sei que o não nascido é uma pessoa desde a concepção? Porque é humano desde a concepção. Seres humanos são seres do tipo pessoal. Personalidade é uma qualidade que é inerente à natureza humana. Não é uma propriedade que se desenvolve mais tarde. Um humano é um ser do tipo pessoal. Existem outros seres pessoais, a propósito. Anjos, por exemplo. Ou Deus, teoricamente, se Ele criou e tem atributos pessoais. Os atributos não O fazem pessoal, eles apenas nos permitem identificá-Lo como o ser pessoal que Ele é. Então talvez existam outros seres que são pessoais, mas não existem seres humanos que não sejam pessoais porque todos os seres humanos são seres pessoais. Personalidade é a categoria maior, humanidade é a categoria menor. Eu sei que a personalidade começa na concepção porque é uma característica inerente à natureza.

Bem, talvez alguém não esteja disposto a aceitar toda essa filosofia e talvez você não seja capaz de articulá-la tão bem. Tudo bem. Aqui está uma saída. Quando alguém disser que é um ser humano mas não uma pessoa, pergunte qual a diferença? É uma pergunta justa porque aparentemente estão lhe oferecendo uma razão do porquê está tudo bem em tirar a vida de um outro ser humano inocente que não pode defender a si mesmo, mas está atrapalhando. Então, você pode dizer, se você está argumentando com bases tão pesadas em personalidade de forma que pode justificar a morte de um ser humano inocente, então parece razoável que você tenha claramente estabelecido o que é uma pessoa, se essa não é o mesmo que um ser humano.

Agora, 99% das vezes você não vai receber uma resposta porque as pessoas nunca pensaram direito sobre isso. Na verdade, isso é um artifício retórico. Uma maneira de encerrar a conversa. É uma forma de colocar o ponto de vista deles na sua cara e o fazer ficar quieto. Então você simplesmente o joga de volta para eles. Qual a diferença? Algumas vezes você vai encontrar alguém que vai tentar definir algum critério para personalidade. Existem duas respostas adicionais para uma lista de atributos de personalidade. Pergunte onde a pessoa conseguiu essa lista? Se a lista é arbitrária, por que você não faz uma lista também? Uma pessoa é alguém de cor branca. Se eles discordarem de você, pergunte por que eles podem justificar a lista deles mas desaprovar a sua.

O segundo problema com todas essas listas é que elas sempre desqualificam pessoas que claramente são seres humanos. Dizem que ciência de si mesmo é um critério. E as pessoa que estão em coma? Eles não são pessoas? Alguns extremistas vão dizer isso. Se eles não são pessoas eles não possuem direitos e podemos fazer todo o tipo de coisa com eles. Uma criança de dois meses de idade não consegue distinguir entre ela mesma e o ambiente em volta, então ela também não seria uma pessoa. Algumas pessoas como James Rachels vão dizer que os bebês não são pessoas e podemos matá-los. Você terá problemas com essas listas de personalidade porque terá humanos que claramente são pessoas mas são desqualificadas da lista mas terá outros seres que se qualificam, como chimpanzés e gorilas. Esses são os problemas com essas listas.

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segunda-feira, dezembro 27, 2010

O Mantra do Cético

Jesus existiu! Sem dúvida.


“Qualquer um que tenta usar o argumento que Jesus de Nazaré nunca existiu [como uma figura histórica verificável] está simplesmente ostentando sua ignorância. Não existe nenhuma dúvida real na mente de eruditos sérios, em lugar nenhum do mundo que certamente existiu uma personalidade histórica chamada Jesus de Nazaré. Agora, você pode discutir se ele era o Filho de Deus ou não, discutir sobre os aspectos sobrenaturais de sua vida, mas em relação a característica histórica de Jesus, todas as evidências são a favor.”

Historiador Paul L. Maier

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Como o 25 de Dezembro virou Natal



Tradução Ministério Pés Descalços

No dia 25 de Dezembro, cristãos ao redor do mundo irão se reunir para celebrar o nascimento de Jesus. Canções alegres, liturgias especiais, presentes lindamente embrulhados, comidas festivas – tudo isso caracteriza a festividade nos dias de hoje, pelo menos no hemisfério norte. Mas como a festividade do Natal se originou? Como o 25 de Dezembro foi associado com o nascimento de Jesus?

A Bíblia oferece poucas dicas: celebrações da Natividade de Jesus não são mencionadas nos Evangelhos ou em Atos; as datas não são dadas, nem mesmo a época do ano. A referência bíblica a pastores apascentando seus rebanhos à noite quando ouviram as novas sobre o nascimento de Jesus (Lucas 2:8) pode sugerir a chegada da primavera; no frio mês de Dezembro, por outro lado, as ovelhas já estariam em currais. No entanto, a maioria dos eruditos pediriam cautela sobre extrair um detalhe tão preciso mas incidental da narrativa que tem um foco mais teológico do que cronológico.

A evidência extrabíblica do primeiro e segundo séculos é igualmente escassa: não existe menção de celebrações da natividade dos antigos escritores cristãos como Irineu (130–200) ou Tertuliano (160–225). Orígenes de Alexandria (165–264) chega até a zombar as celebrações romanas de aniversários, repudiando-as como práticas pagãs – uma forte indicação que o nascimento de Jesus não era marcado por festividades similares naquela região e naquela época.1 Até onde podemos dizer, o Natal não era celebrado de forma alguma nesse período.

Tudo isso é um forte contraste com as mais antigas tradições acerca dos últimos dias de Jesus. Cada um dos quatro Evangelhos provê informações detalhadas sobre o tempo da morte de Jesus. De acordo com João, Jesus é crucificado quando o cordeiro pascal está sendo sacrificado. Isso deveria ocorrer no dia 14 do mês hebreu de Nissan, um pouco antes do início do feriado judeu ao pôr-do-sol (considerando o início do dia 15 porque no calendário hebreu, os dias começavam ao pôr-do-sol). Em Mateus, Marcos e Lucas, no entanto, a Última Ceia foi celebrada depois do pôr-do-sol, no início do dia 15. Jesus é crucificado na manhã seguinte – ainda no dia 15.a

A páscoa, que se desenvolveu muito antes do que o Natal, era simplesmente uma reinterpretação gradual da Páscoa em termos da Paixão de Jesus. Sua observância podia ser até mesmo implicada no Novo Testamento (1 Corintios 5:7–8: “Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado. Pelo que celebremos a festa...”); certamente uma festa cristã distinta pela metade do segundo século d.C., quando o texto apócrifo conhecido com a Epístola para os Apóstolos mostra Jesus instruindo seus discípulos a “fazer comemoração de [sua] morte, ou seja, a Páscoa.”

O ministério, milagres, Paixão e Ressurreição de Jesus eram muitas vezes mais interessantes para os escritores do primeiro e início do segundo séculos d.C. Mas com o tempo, as origens de Jesus se ganhariam uma crescente atenção. Podemos ver essa mudança ainda no Novo Testamento. Os escritos mais antigos – Paulo e Marcos – não fazem menção ao nascimento de Jesus. Os Evangelhos de Mateus e Lucas provêem relatos bem conhecidos mas bem diferentes do evento – apesar de nenhum deles fornecer uma data. No segundo século d.C., mais detalhes do nascimento e infância de Jesus são relatados em textos apócrifos como O Evangelho Infantil de Tomé e o Proto-Evangelho de Tiago.b Esses textos provêem tudo, desde o nome dos avós de Jesus até os detalhes de sua educação – mas não a data de seu nascimento.

Finalmente, em cerca de 200 d.C., um professor cristão no Egito faz referência à data que Jesus nasceu. De acordo com Clemente de Alexandria, várias datas diferentes foram propostas por vários grupos cristãos. Apesar de parecer surpreendente, Clemente não menciona 25 de Dezembro. Clemente escreveu: “Existem aqueles que determinaram não somente o ano do nascimento do nosso Senhor, mas também o dia; e eles dizem que isso aconteceu no 28º ano de Augusto e no dia 25 de Pachon [mês egípcio, 20 de Maio do nosso calendário]... E tratando de sua Paixão, com grande precisão, alguns dizem que isso aconteceu no 16º ano de Tibério, no dia 25 do mês de Phamenoth [21 de Março]; e outros no dia 25 de Pharmuthi [21 de Abril] e outros dizem que no dia 19 de Pharmuthi [15 de Abril] o Salvador sofreu. Além disso, outros dizem que Ele nasceu em 24 ou 25 de Pharmuthi [20 ou 21 de Abril].”2

Claramente, havia grande incerteza, mas também um considerável interesse em datar o nascimento de Jesus no final do segundo século. No século quatro, no entanto, encontramos referência a duas datas que eram largamente reconhecidas – e agora também celebradas – como o nascimento de Jesus: 25 de Dezembro no Império Romano ocidental e 6 de Janeiro no oriental (especialmente no Egito e na Ásia Menor). A Igreja Armênia moderna continua a celebrar o Natal no dia 6 de Janeiro; para muitos cristãos, no entanto, o dia 25 de Dezembro prevaleceria, enquanto 6 de Janeiro eventualmente passou a ser conhecido como a Festa da Epifania, comemorando a chegada dos magos em Belém. O período entre as datas se tornou um período de festividade conhecido como os 12 Dias do Natal.

A menção mais antiga de 25 de Dezembro como o aniversário de Jesus vem de um almanaque romano da metade do quarto século que lista a data de morte de vários bispos cristãos e mártires. A primeira data listada, 25 de Dezembro, está escrita: natus Christus in Betleem Judeae: “Cristo nasceu em Belém da Judéia.”3 Em cerca de 400 d.C., Agostinho de Hipona menciona um grupo cristão local dissidente, os Donatistas, que aparentemente mantinham uma festividade de Natal em 25 de Dezembro, mas recusavam-se a celebrar a Epifania em 6 de Janeiro, denunciando-a como uma inovação. Já que o grupo Donatista somente emergiu durante a perseguição sob Diocleciano em 312 d.C. e então se mantiveram teimosamente ligados às práticas daquele momento na história, eles parecem representar uma tradição cristã antiga do norte da Africa.

No oriente, 6 de Janeiro não somente foi associado com os magos, mas também com a história do Natal como um todo.

Então, quase 300 anos depois que Jesus nasceu, finalmente encontramos pessoas observando seu nascimento no meio do inverno. Mas como eles chegaram as datas de 25 de Dezembro e 6 de Janeiro?

Existem duas teorias hoje: uma extremamente popular e outra pouco ouvida fora dos círculos eruditos (apesar de ser mais antiga).4

A teoria mais amplamente ensinada sobre as origens da(s) data(s) do Natal é que ela foi emprestada de celebrações pagãs. Os romanos tinham no meio do inverno seu festival Saturnália no final de Dezembro; povos bárbaros do norte e leste europeu tinham feriados na mesma época. E para acrescentar, o imperador romano Aureliano estabeleceu a festa do nascimento do Sol Invictus (O Sol Invencível) no dia 25 de Dezembro. O Natal, segundo o argumento, é uma variação desses festivais solares pagãos. De acordo com essa teoria, os primitivos cristãos deliberadamente escolheram essas datas para encorajar a expansão do Natal e do cristianismo por todo o mundo romano: se o Natal se parecesse com um feriado pagão, mais pagãos estariam aberto tantos para o feriado quanto para o Deus o qual o nascimento era celebrado.

Apesar da popularidade nos dias de hoje, essa teoria da origem do Natal tem seus problemas. Ela não é encontrada em nenhum escrito cristão antigo, por um motivo. Autores cristão da época notaram uma conexão entre o solstício e o nascimento de Jesus: O pai da igreja Ambrósio (339–397), por exemplo, descreve Cristo como o verdadeiro sol, que suplantou os deuses decaídos da antiga ordem. Mas os antigos escritores cristão nunca insinuaram nenhuma engenharia contemporânea no calendário; eles claramente não acreditavam que a data havia sido escolhida pela igreja. Na verdade, eles viam as coincidências como um sinal providencial, como uma prova natural que Deus havia selecionado Jesus acima dos falsos deuses pagãos.

Não foi até o século 12 que encontramos a primeira sugestão que a celebração do nascimento de Jesus foi deliberadamente marcada na data dos festivais pagãos. Uma nota marginal em um manuscrito dos escritos do comentaristas bíblico siríaco Dionysius bar-Salibi afirma que em tempos antigos o feriado do Natal foi alterado de 6 de Janeiro para 25 de Dezembro para que caísse na mesma data que o feriado pagão do Sol Invictus.5 Nos séculos 18 e 19, estudiosos bíblicos estimulados pelos novos estudos de religiões comparadas se agarraram a essa idéia.6 Eles afirmavam que, porque os cristãos primitivos não sabiam quando Jesus nasceu, eles simplesmente assimilaram o festival pagão do solstício para seus próprios propósitos, reivindicando-o como o momento do nascimento do Messias e o celebrando de acordo.

Muitos dos estudos recentes têm demonstrado que muitos dos ornamentos modernos dos feriados realmente refletem costumes pagãos emprestados muito depois, enquanto o cristianismo expandia para o norte e oeste da Europa. A árvore de Natal, por exemplo, tem sido associada com práticas druídicas antigas. Isso só tem encorajado o público moderno a achar que a data também, deve ser pagã.

Existem problemas com essa teoria popular, no entanto, como muitos estudiosos reconhecem. Mais importante, a primeira menção de uma data para o Natal (200) e da celebração mais antiga que conhecemos (250 – 300) vêem de um período quando o cristianismo não estava tomando emprestado pesadamente de tradições pagãs de caráter tão óbvio.

É claro, as crenças cristãs não se formaram isoladamente. Muitos elementos antigos da adoração cristã – incluindo a refeição da eucaristia, celebrações em honra aos mártires e artes funerárias cristãs antigas – seriam compreensíveis para os observadores pagãos. No entanto, nos primeiros séculos d.C., as minorias cristãs perseguidas tinham grande preocupação em se distanciar de grande celebrações religiosas públicas pagãs, como sacrifícios, jogos e feriados. Isso ainda era verdade durante o período das violentas perseguições conduzidas pelo imperador romano Diocleciano entre 303 e 312 d.C.

Isso só iria mudar depois que Constantino se converteu ao cristianismo. Da metade do quarto século em diante, nós encontramos cristãos deliberadamente adaptando e cristianizando festivais pagãos. Um famoso proponente dessa prática era o Papa Gregório, o Grande, que, em uma carta escrita em 601 d.C. para um missionários na Bretanha, recomenda que os templos pagãos locais não sejam destruídos mas convertidos em igrejas e que os festivais pagãos sejam celebrados como festas para os mártires cristãos. Nesse período, o Natal pode muito bem ter adquirido alguns ornamentos pagãos. Mas não temos evidência de cristãos adotando festivais pagãos no terceiro século, no qual as datas para o Natal já estavam estabelecidas. Portanto, parece pouco provável que a data foi simplesmente selecionada para corresponder com o festival solar pagão.

A celebração do 25 de Dezembro parece existir antes de 312 – antes de Constantino e sua conversão, pelo menos. Como já vimos, os cristãos Donatistas no norte da Africa pareciam conhecer a data antes desse período. Além disso, da metade para o fim do quarto século, os lideres da igreja no lado ocidental do império se preocupavam não em introduzir a celebração do nascimento de Jesus, mas com a adição da data em Dezembro em sua celebração tradicional em 6 de Janeiro.7

Existe uma outra forma de explicar a origem do Natal em 25 de Dezembro: apesar de parecer estranho, a chave para se datar o nascimento de Jesus pode estar relacionada com a datação da morte de Jesus na Páscoa. Essa visão foi sugerida pela primeira vez pelo erudito francês Louis Duchesne no início do século 20 e totalmente desenvolvida pelo americano Thomas Talley nos últimos anos.8 Mas eles certamente não foram os primeiros a notar a conexão entre as datas tradicionais de morte e nascimento de Jesus.

Cerca de 200 d.C. Tertuliano de Cartago reportou o cálculo que o 14 de Nissan (a data da crucificação de acordo com o Evangelho de João) no ano que Jesusc morreu foi equivalente ao 25 de Março no calendário romano (solar).9 25 de Março está, claramente, nove meses antes de 25 de Dezembro; foi mais tarde reconhecida como a festa da Anunciação – a comemoração da concepção de Jesus.10 Assim, acreditava-se que Jesus tinha sido concebido e crucificado no mesmo dia do ano. Exatamente nove meses depois, Jesus nasceu, em 25 de Dezembro.d

Essa idéia aparece em um tratado cristão anônimo chamado “Sobre Solstícios e Equinócios”, que parece vir do norte da Africa do quarto século. O tratado afirma: “Portanto, o nosso Senhor foi concebido na oitava das calendas de Abril no mês de Março [25 de Março] que é o dia da paixão do Senhor e sua concepção. Porque nesse dia ele foi concebido e também sofreu.”11 Baseado nisso, o tratado baseia a data do nascimento de Jesus no solstício de inverno.

Agostinho, também, estava familiarizado com essa associação. Em A Trindade (399–419) ele escreveu: Porque acreditasse que ele [Jesus] foi concebido no dia 25 de Março, dia o qual ele também sofreu; então o útero da Virgem, no qual ele foi concebido, no qual nenhum mortal foi gerado, corresponde a nova tumba que ele foi enterrado, onde nenhum outro homem havia sido colocado, nem antes nem depois. Mas ele nasceu, de acordo com a tradição, em 25 de Dezembro.”12

No oriente também, as datas da concepção e morte de Jesus estavam ligadas. Mas ao invés de trabalhar com o 14 de Nissan no calendário hebreu, os orientais usaram o 14 do primeiro mês de primavera (Artemisios) em seu calendário grego local – 6 de Abril para nós. 6 de Abril está, claramente, nove meses antes de 6 de Janeiro – a data oriental para o Natal. No oriente, também, temos evidência que Abril estava associado com a concepção e crucificação de Jesus. O bispo Epifânio de Salamina escreveu que no dia 6 de Abril, “O cordeiro foi encerrado na útero da santa virgem, ele que tomou e toma em sacrifício perpétuo os pecados do mundo.”13 Até hoje, a Igreja Armênia celebra a Anunciação no início de Abril (no dia 7, não no dia 6) e Natal em 6 de Janeiro.e

Assim, nós temos cristãos em duas partes do mundo calculando o nascimento de Jesus baseando-se que sua morte e concepção ocorreram no mesmo dia (25 de Março ou 6 de Abril) e chegando a essas datas próximas mas diferentes (25 de Dezembro e 6 de Janeiro).

Ligar a concepção e a morte de Jesus dessa maneira parece estranho para leitores modernos, mas reflete a compreensão antiga e medieval da ligação de toda a salvação. Uma das mais pungentes expressões dessa crença é encontrada na arte cristã. Em inúmeras pinturas da Anunciação do anjo para Maria – o momento da concepção de Jesus – o bebê Jesus é mostrado deslizando-se para baixo em, ou com, uma pequena cruz (veja foto com o detalhe da cena da Anunciação do mestre Bertram); uma lembrança visual que a concepção traz a promessa de salvação pela morte de Jesus.


A noção que criação e redenção deveriam ocorrer no mesmo período do ano também está refletido na tradição judaica antiga, registrada no Talmude. O Talmude Babilônico preserva uma disputa entre dois rabinos do início do segundo século d.C. que compartilhavam essa visão, mas discordavam sobre a data: O Rabino Eliezer disse: “Em Nissan o mundo foi criado, em Nissan os Patriarcas nasceram; na Páscoa Isaque nasceu... e em Nissan eles [nossos ancestrais] serão redimidos no tempo por vir.” (O outro rabino, Josué, data os mesmo eventos no mês seguinte, Tishrei.)14 Assim, as datas do Natal e da Epifania pode ter resultado da reflexão de teólogos cristãos em tais cronologias: Jesus teria sido concebido no mesmo dia que morreu e nasceu nove meses depois.15

Ao final, ficamos com a questão: como o 25 de Dezembro virou Natal? Não podemos ter absoluta certeza. Elementos da celebração que se desenvolveram do quarto século até agora podem muito bem terem se derivados de tradições pagãs. No entanto, a data em si pode ter se derivado mais do judaísmo – da morte de Jesus na Páscoa e das noções rabínicas que grandes coisas podem ser esperadas, uma e outra vez, na mesma época do ano – do que do paganismo. E também, nessa noção de ciclos e retorno da redenção de Deus, talvez estejamos tocando em algo que os pagãos romanos que celebravam o Sol Invictus e muitos outros povos desde então, possam ter entendido e reivindicado para eles mesmo.16

Notas
1. Orígenes, Homilia sobre Levíticos 8.
2. Clemente, Miscelânea 1.21.145. Adicionalmente, os cristão no Egito de Clemente pareciam conhecer a comemoração do batismo de Jesus – algumas vezes entendido como o momento de sua adoção divina, sendo assim uma história alternativa da “incarnação” - na mesma data ( Miscelânea 1.21.146). Para mais sobre esse assunto, veja Thomas J. Talley, Origins of the Liturgical Year / Origens do Ano Litúrgico / , 2nd ed. (Collegeville, MN: Liturgical Press, 1991), pag. 118–120, baseado em Roland H. Bainton, “Basilidian Chronology and New Testament Interpretation,” / A Cronologia Basilidian e a interpretação do Novo Testamento / Journal of Biblical Literature 42 (1923), pag. 81–134; e agora especialmente Gabriele Winkler, “The Appearance of the Light at the Baptism of Jesus and the Origins of the Feast of the Epiphany,” / A Aparição da Luz no Batismo de Jesus e as origens da Festa da Epifania / em Maxwell Johnson, ed., Between Memory and Hope: Readings on the Liturgical Year (Collegeville, MN: Liturgical Press, 2000), pp. 291–347.
3. O Calendário Filocaliano.
4. Eruditos da história litúrgica nos países de língua inglesa são particularmente céticos da conexão do solstício; veja Susan K. Roll, “The Origins of Christmas: The State of the Question,” em Between Memory and Hope: Readings on the Liturgical Year (Collegeville, MN: Liturgical Press, 2000), pags. 273–290, especialmente pags. 289–290.
5. Um comentário sobre o manuscrito de Dionysius Bar Salibi, d. 1171; veja Talley, Origens, pp. 101–102.
6. Prominente entre estes estava Paul Ernst Jablonski; sobre a história do estudo veja Roll, “The Origins of Christmas,” / As Origens do Natal / pag. 277–283.
7. Por exemplo, Gregório de Nazianzen, Horácio 38; João Crisóstomo, In Diem Natalem.
8. Louis Duchesne, Origines du culte Chrétien, / Origens do Culto Cristão / 5th ed. (Paris: Thorin et Fontemoing, 1925), pp. 275–279; e Talley, Origens.
9. Tertuliano, Adversus Iudaeos 8.
10. Existem outros textos relevantes para essa linha de argumentação, incluindo Hipólito e o (pseudo-Cipriânico) De pascha computus; veja Talley, Origens, pp. 86, 90–91.
11. De solstitia et aequinoctia conceptionis et nativitatis domini nostri iesu christi et iohannis baptistae.
12. Agostinho, Sermão 202.
13. Epifânio é citado em Talley, Origens, p. 98.
14. b. Rosh Hashanah 10b–11a.
15. Talley, Origens, pp. 81–82.
16. Sobre as duas teorias como falsas alternativas veja Roll, “Origins of Christmas.” / Origens do Natal /
a. Veja Jonathan Klawans, “Was Jesus’ Last Supper a Seder?” / Foi a Última Ceia de Jesus um Seder? / BR 17:05.
b. Veja o seguinte aritog da BR: David R. Cartlidge, “The Christian Apocrypha: Preserved in Art,” BR 13:03; Ronald F. Hock, “The Favored One,” BR 17:03; e Charles W. Hedrick, “The 34 Gospels,” BR 18:03.
c. Para mais sobre a datação do ano do nascimento de Jesus, veja Leonara Neville, “Fixing the Millennium; AO 03:01.
d. Os antigos estavam familiarizados com o período gestacional de 9 meses baseado na observação do ciclo menstrual das mulheres, gravides e abortos espontâneos.
e. No ocidente (e eventualmente em toda parte), a celebração da Páscoa foi mais tarde alterada do dia real para o domingo seguinte. A insistência dos cristãos orientais em manter a Páscoa no dia 14 causou um enorme debate dentro da igreja, com os orientais sendo referidos como os Quartodecimans, ou “Décimo-quartos.”

Andrew McGowan
Diretor e Presidente da Trinity College na Universidade de Melbourne, Austrália, os trabalhos de Andrew McGowan sobre o cristianismo primitivo incluem God in Early Christian Thought /Deus no pensamento cristão primitivo/ (Brill, 2009) e Ascetic Eucharists: Food and Drink in Early Christian Ritual Meals / Eucaristia Acética: Comida e bebida no cristianismo primitivo / (Oxford, 1999).

O significado do Natal, Charlie Brown


O significado do Natal, Charlie Brown http://ow.ly/3ubwX

FELIZ NATAL PARA TODOS!
VAMOS COMEMORAR O NASCIMENTO DO SALVADOR!

quinta-feira, dezembro 16, 2010

terça-feira, dezembro 14, 2010

Sua namorada já abortou? Sérgio Cabral e a defesa do aborto.

sergio cabral aborto
Leia a reportagem a seguir.

'Quem aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?', diz Cabral
Governador do Rio volta a defender a legalização do aborto e critica a falta de discussão no País
“SÃO PAULO - O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), criticou nesta terça-feira, 14, a lei do aborto no Brasil. Em São Paulo, ele defendeu a legalização da prática. "Quem aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?", indagou, ao comentar que as clínicas ilegais são comuns no País.
Cabral também criticou a falta de discussão sobre o tema. "Há uma hipocrisia no Brasil. Esse tema foi muito mal discutido na campanha eleitoral. As pessoas já conhecem minha opinião. Acho que primeiro que a mulher tem que ser muito ouvida", afirmou.
Segundo o governador, a discussão deve ser feita "entre a classe médica e as mulheres". "Assim (do jeito que é hoje) está falso, mentiroso, hipócrita. Isso é uma vergonha para o Brasil."
O govenador ainda destacou que o poder público "tem que estar preparado para atender a mulher". "Ninguém é a favor do aborto, você é a favor do direito da mulher a recorrer no serviço público de saúde à interrupção de uma gravidez."
As declarações foram feitas em entrevista à imprensa após um evento da Revista Exame, na Editora Abril. Não foi a primeira vez que o governador carioca se posicionou a favor do aborto. Em 2007, ele defendeu a prática como método de redução da violência no Rio.”

Fonte: Estadao

Sérgio Cabral tenta fazer uma defesa pela aborto (ou interrupção de uma gravidez, como querem alguns), utilizando um tipo de raciocínio bem estranho. A idéia é a seguinte: já que todo mundo faz, então vamos legalizar. Cabral deve acreditar na vontade da maioria como padrão moral. Se todo mundo (ou a grande maioria) achar aceitável, então, o ato é moral. Se a maioria não quiser, ou não fizer, então, o ato é imoral. A sociedade dita o que é moral. Se isso for verdade, então a Alemanha nazista jamais poderia ser considerada imoral porque possuía aceitação da maioria da população. Assim como o escravismo, que durante séculos sempre foi considerado aceitável pela maioria. Como poderíamos dizer que algo é imoral?
Podemos dizer que a condenação ao apedrejamento da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani é imoral? E se a maioria da população for a favor?
Uma forma de saber se um pensamento é válido ou não, é utilizá-lo em outras situações semelhantes e ver se faz sentido. Vamos pensar a situação “de quem aqui não fez... então, vamos legalizar” do governador.
“Quem aqui nunca roubou alguma coisa, mesmo que seja algo pequeno?” A maioria (se não todos) já cometeu algum pequeno furto, por menor que fosse. Baixar música ilegal da internet é roubo. Pegar algo que não é seu sem pedir permissão, é roubo. Se a maioria das pessoas já fez isso, não deveríamos então legalizar o furto? Para longe com o artigo 155 do Código Penal Brasileiro.
Não faz sentido. Poderíamos extrapolar esse pensamento para outras questões morais, como adultério, mentira e tantos outros. Mas por que ficar somente nas intenções? E os pensamentos? Quem nunca quis matar alguém? Deveríamos legalizar o assassinato? Acho que aqui cheguei mais perto das conseqüências do governador, apensar de achar que ele não percebeu esse ponto.
A primeira e importante questão é: avaliar questões morais pelo paradigma de Cabral torna todo o processo de legislação e moralidade simplesmente impossível. Levado às últimas conseqüências, todos os criminosos de guerra deveriam ser soltos se eles possuíam aprovação de sua população. E isso inclui os nazistas.
Além desse raciocínio falacioso, o discurso do governador tem o foco errado nessa discussão toda. Ele acredita que é uma questão de direito da mulher. Seria, se o objeto do aborto não fosse um outro ser humano inocente. O que é abortado da mulher não é alguma parte da própria mulher. Se fosse, não haveria discussão. Vá e aborte. Na verdade, o nome não seria aborto, mas sim amputação ou mesmo auto-mutilação. Ela estaria extirpando uma parte do corpo. Mas não é o caso. Aquilo que a mulher elimina no aborto é o corpo de outro ser humano, um ser humano que esta sobre seus cuidados, um ser humano inocente que não tem como se defender. Por isso o aborto é um dos mas cruéis e covarde dos crimes.
Essa discussão deve incluir não somente os médicos e as mulheres, mas toda a população. Se existe a possibilidade de uma ação governamental legalizar a morte de seres humanos inocentes e indefesos, todos devemos tomar parte nisso.
A reportagem termina dizendo que o governador “em 2007, ele defendeu a prática como método de redução da violência no Rio”. A idéia por trás dessa crença é que se menos crianças indesejadas nascerem, teremos menos pessoas envolvidas em crimes.
Esse pensamento é estranho porque ele parte de um pressuposto que acredito que não possui comprovação: a idéia que todo bandido foi uma criança indesejada. Ou que somente criança indesejadas viram bandidas. Esse pensamento ignora cobiça como uma motivação para os crimes, além de outras questões sociais que estão envolvidas. É uma simplificação do problema.
Mas o pior dessa simplificação é que ela quer tratar um problema causando um problema maior ainda. Existe justificativa para se matar alguém simplesmente porque ela pode vir a cometer um crime? Se a resposta for sim, não devemos simplesmente nos limitar a abortar as crianças indesejadas no útero, mas também aquelas que já nasceram. Estas são tão seres humanos quanto as anteriores. Talvez até seja melhor escolher esse segundo grupo, pois vários sinais de uma possível vida criminal podem estar evidentes.
Se a resposta for não, então essa maneira de reduzir a violência é inválida e imoral. Além de não passar de um “chute”. Imagine descobrir depois de muitos anos (e milhares de fetos mortos) que estávamos errados e que os índices de violência não caíram? Vamos pagar esse preço?
Tudo isso se soma ao fato principal, que já destaquei: o feto é um ser humano inocente distinto de sua mãe. Diferente de uma unha (como tentou argumentar um amigo ateu), o feto se deixado para seguir seu curso natural dará origem a uma criança, que deixado para seguir seu curso natural dará origem a um adulto. Um único ser humano, mas com diferentes estágios de desenvolvimento. Mas tudo aquilo que faz o adulto um ser humano, está presente no feto. Ele é intrinsecamente humano. Nada muda isso.
Espero que o governador Sérgio Cabral passe a abordar o aborto de uma forma mais serena e reflita sobre o ponto mais importante da discussão: o que é o feto? Como já disse várias vezes aqui, se o feto não é um ser humano inocente, nenhuma justificativa precisa ser dada para o aborto. No entanto, o feto é um ser humano inocente no final das contas, nenhuma justificativa é forte o bastante para validar essa morte.
Esse raciocínio precisa chegar até nosso legisladores. Precisa chegar até nossa população.
Divulgue.

domingo, dezembro 12, 2010

Um palavra de Spurgeon sobre Evangelismo


“Somos realmente sérios em relação à alma dos outros? Homens e mulheres cristãos, vocês amam seus companheiros de criação, ou não? Quão poucos de nós tornam seu trabalho continuamente contar a doce história de Jesus e seu amor! Eu li, outro dia, sobre um capelão do exército do norte, na lamentável guerra nos Estados Unidos, que, enquanto caia ferido no campo de batalha, ouvi um homem, não muito longe, proferir uma maldição. Apesar de estar ele mesmo tão ferido que não podia se levantar, ele desejou alcançar essa pessoa para falar uma mensagem do evangelho para ele e pensou, “Eu posso alcançá-lo se eu rolar sobre mim mesmo.” Então, mesmo sangrando profundamente, ele rolou e rolou até que ele chegou ao lado do pobre blasfemo, e sozinhos no campo de batalha, ele pregou sobre Jesus para ele. Outros homens chegaram perto e ele disse para eles, “Vocês podem me carregar? Temo que esteja morrendo, mas não quero ser retirado do campo de batalha. Eu gostaria que, se vocês puderem, me carregassem de um homem caído até o outro, por toda a noite, para que eu possa falar para eles sobre o Salvador.” Que ação maravilhosa foi essa! Um homem sangrando falando para aqueles cheios de pecado sobre as feridas sangrentas do Salvador! Ó, você que não tem feridas, que pode andar, e que possui todas as faculdade para torná-lo hábil para o serviço, quantas vezes você perde oportunidades e se recusa a falar sobre Jesus? “Tu és agora o bendito do Senhor,” e eu quero que nesse momento você imagine que o abençoado Senhor está colocando suas mãos perfuradas sobre você dizendo, “Vá e diga aos outros o que fiz por você.” Nunca pare de proclamar a história divina, quando tiver a oportunidade, até que sua voz seja perdida na morte; então seu espírito irá proferir a história em uma esfera mais elevada.” C.H. Spurgeon

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Deus, um tirano? Ou amoroso?


Todo mês recebemos um email de Jim Wallace, do ministério Please Convince Me, com alguma informação interessante sobre a fé cristã. Esse mês, o email é sobre "Deus e o problema do mau", ou pelo menos, sobre a suposta tirania de Deus
Como é sempre um assunto interessante, traduzimos o email para vocês.

Este mês o nosso "Treinamento sobre Verdades em Três Minutos" está focado em uma reclamação que eu frequentemente recebo através do nosso site. Eu vim a chama-la de "Problema teísta do 'mau'". Espero que isso o prepare para responder a aqueles que tentam retratar o Deus do Antigo Testamento como uma espécie de 'valentão' divino, ou como Christopher Hitchens descreveu Deus em seu mais recente debate, como um “ditador celestial - espécie de Coreia do Norte dos céus".

OPOSIÇÃO: Os cristãos afirmam que Deus é todo-poderoso e todo-amoroso. No entanto, o Deus do Velho Testamento muitas vezes parece qualquer coisa, menos amoroso. Às vezes ele comanda a pilhagem e matança dos inimigos de Israel com grande brutalidade. Um Deus que comanda a destruição brutal dos inimigos de Israel é claramente imoral e indigno de nossa adoração!

RESPOSTA: A resposta a esta objecção reside em nossa compreensão da autoridade de Deus. É fácil para nós julgarmos as palavras e as ações de Deus como se Ele fosse apenas um outro ser humano, sujeito às mesmas normas que os seres humanos aceitam como parâmetros morais. Mas quando julgamos as ações de Deus desta forma, estamos ignorando a Sua autoridade e poder únicos:

Deus é o maior artista
Se você e eu estivéssemos em uma aula de arte em conjunto e de repente eu ficasse frustrado com o meu desenho e decidisse destruí-lo, você não iria reclamar nem um pouco. No entanto, se eu pisasse em cima do seu cavalete e destruísse o seu esboço, você certamente reclamaria que eu estava fazendo algo injusto. Veja, o artista tem a autoridade e o direito de destruir o seu próprio trabalho. A arte pertence ao artista. Se existe um Deus, toda a criação é obra das Suas mãos. Ele tem o direito de criar e destruir o que é seu, mesmo que essa destruição possa parecer injusta para com a arte em si.

Deus é o maior médico
Se você ou eu sofrêssemos uma picada de cobra no nosso braço, a quilômetros do hospital mais próximo, um médico pode nos aconselhar por telefone para fazer um torniquete no braço para salvar a nossa vida. Ao fazer isso, certamente sacrificamos uma mão de outra maneira saudável para evitar que o veneno se espalhe para nosso coração. Mas o médico entende que essa medida drástica é necessária para prevenir a nossa morte. Você e eu podemos não concordar com o plano, ou com o resultado, mas o médico sabe melhor. O plano de tratamento pertence ao médico. Se existe um Deus, todos nós somos seus pacientes. Ele tem a sabedoria e autoridade para tratar-nos como Ele achar adequado, mesmo quando não somos capaz de compreender o perigo que enfrentamos, se medidas drásticas não forem tomadas.

Deus é o grande Salvador
Se você e eu vivêssemos como se nossa vida mortal for tudo o que temos, vamos muitas vezes ficar frustrados porque nossas vidas parecem estar cheias de dor e injustiça. Mas a cosmovisão cristã descreve a existência humana como eterna na natureza. Nós temos uma vida além-túmulo. Vivemos mais do que 80 ou 90 anos, nós vivemos para sempre, seja com Deus no céu, ou separado de Deus por toda a eternidade. Se existe um Deus, ele está certamente mais preocupado com nossa existência eterna do que sobre a nossa existência mortal. Seus planos são maiores do que os nossos planos. Seus desejos eternos são maiores que o nossos desejos mortais. Se existe um Deus, Ele está mais preocupado em salvar-nos para a eternidade do que tornar a nossa vida mortal mais segura.

Os cristãos entendem que houve momentos na história da humanidade, quando o povo escolhido de Deus (aqueles que depositaram sua confiança Nele) estavam em grande perigo espiritual eterno por aqueles que os rodeavam. Deus entendeu o risco como o grande médico e muitas vezes prescreveu medidas drásticas para reduzir a ameaça. Deus tem o poder como o grande artista de destruir o que era Seu, em primeiro lugar, e Ele também teve a sabedoria e a compaixão como o Grande Salvador para fazer o que era necessário para proteger a vida espiritual eterna da Sua criação. Se Deus deixasse de agir nessas situações, dificilmente poderíamos chamá-lo de todo-poderoso e todo-amoroso.

Jim Wallace

segunda-feira, novembro 29, 2010

Segundas terminológicas: advento


Advento:
Significa literalmente “vinda” ou “chegada”. O termo refere-se à vinda de Jesus Cristo à terra para promover a salvação, por meio de sua vida, morte e ressurreição e ascensão. Agora os cristãos aguardam o segundo advento, quando Cristo voltará à terra em forma corpórea para receber a igreja e julgar as nações. O termo advento também se refere a um período do ano eclesiástico em que a igreja comemora a primeira vinda de Cristo à terra (Natal).

Fonte: Dicionário de Teologia, edição de bolso. Ed. Vida.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Pés Descalços está de férias! E pés pra cima!


Caros amigos do blog:
Estaremos de férias pelas próximas duas semanas. Vamos descansar por uns dias, viajando para a praia.
Nesses dias dificilmente vamos atualizar alguma coisa aqui. Mas no Twitter é bem possivel. Incluíndo as praias que visitarmos. No Flickr da Vivian também vai ter fotos. Fique de olho.
Portanto, esteja orando por nós. Ore pela viagem, pela nossa segurança e também que Deus nos dê oportunidades para evangelizar o povo. Estamos levando notas de um milhão de dólares com mensagem evangelística.
Nós vemos em alguns dias.
Enquanto isso, aproveite para ler os posts antigos do blog. Tem muita coisa boa dos anos anteriores.
Um grande abraço para todo mundo!


Ps: E quando voltarmos, vamos começar com uma série de ensaios sobre a confiabilidade na redação e transmissão do Novo Testamento.

Segundas terminológicas: adoração


Adoração:
Ato de adorar e louvar a Deus, ou seja, reconhece-lo como único ser digno de exaltação e culto. A igreja, que deve ser uma comunidade adoradora (1 Pedro 2:5), expressa sua adoração, coletiva e publicamente, por meio de oração, salmos, hinos, cânticos espirituais, leitura e exposição das Escrituras, observância dos sacramentos e uma vida santa e de serviço, individual e coletivo.

Fonte: Dicionário de Teologia, edição de bolso. Ed. Vida.

O Cristianismo é verdadeiro!


Já está disponível em nosso blog toda a série de ensaios que buscam mostrar como o cristianismo é verdadeiro. Hoje publicamos o últimos texto. São 23 textos que analisam a fé cristã e apresentam uma defesa racional e biblica para nossa fé.
Acesse no linke "O Cristianismo é Verdadeiro?" e lá você verá o índice com os ensaios e links.
E em dezembro, vamos publicar os ensaios em formato de e-book.

O Cristianismo é Verdadeiro? - O homem sábio busca a Deus


O homem sábio busca a Deus por Brian Auten

(Áudio em MP3 aqui em breve)

Vamos imaginar que Deus não existe. Talvez tudo o que existe veio a existir a partir do nada e sem razão nenhuma. Os processos da matéria fundiram-se para formar padrões em uma colisão infinita de átomos e partículas. Após um determinado período de tempo, matéria e energia formaram moléculas auto-replicantes. Por algo que não podemos nem mesmo chamar de sorte, o que chamamos de vida veio a existir no final de um processo puramente materialista. Seres pensantes, conscientes, auto-reflexivos surgiram para contemplar, comunicar, e popular. A chamada moralidade, a sociedade e a humanidade veio a existir.

Este é um universo ateu. Nenhuma intenção. Nenhum propósito. Sem direção. Nenhum projeto. Ele veio a existir em um rápido momento do espaço-tempo e tudo irá eventualmente queimar em um frio nada – sem ninguém olhando, sem ninguém se importando e sem ninguém a par disso. Tudo o que foi, é e será – é apenas uma construção sem sentido. Sem Deus, a morte é apenas uma remodelação de átomos, a perda de um certo tipo de organização molecular. O que quer que estava acontecendo nos neurônios de uma pessoa simplesmente cessou. Não haverá lembranças. Sem conseqüências, não há recompensas, sem arrependimentos. Aquele que está vivo, neste momento, pode fazer uma pausa para refletir: Por que estou vivo agora? Por que não estou morto ainda?

No entanto, o homem sábio busca a Deus.

Mas por quê?

O objetivo deste ensaio é mostrar que, pelos dados que estão diante de nós, na ausência da certeza de que Deus não existe, é o homem sábio que busca a Deus. Além disso, este artigo vai argumentar que se deve procurar o Deus cristão, pois, se o Deus cristão verdadeiramente existe, Ele pode ser encontrado por aqueles que o buscam em Seus termos.

Antes de prosseguir, vamos definir os termos dentro do assunto. Por sábio, queremos dizer agir com bom senso. Sabedoria é intrinsecamente ligada à implicação das escolhas e ações para a vida. Sabedoria inclui julgamento coerente, bom senso,1 ou fazer o melhor uso do conhecimento disponível.2 Se alguém vai ser sábio com o dinheiro, por exemplo, deve-se pensar não só nas necessidades do momento, mas olhar para a aposentadoria. Ou considere o agricultor sábio; toma ações no início do ano, com vista à colheita. O homem sábio usa o conhecimento disponível atualmente (na maioria das vezes sem certeza) e faz escolhas de longo alcance para o futuro. Assim, no contexto deste ensaio, pode-se enfatizar que a sabedoria significa escolher um curso de ação prudente com um horizonte de tempo mais longo possível em vista.

Podemos definir o que entendemos por Deus? Aqui estamos falando sobre o Deus cristão revelado na Bíblia. No entanto, deve-se notar que para os fins deste ensaio não estamos propondo a "construção de um Deus" por uma acumulação de partes apenas ou atributos obtidos através de argumentação lógica. Os meios pelos quais estamos abordando a questão de Deus aqui não são "de baixo para cima" – em vez disso estamos abordando o cristianismo como uma hipótese auto-contida, com alegações de uma verdade própria verificável. Com esta abordagem é totalmente aceitável usar a definição de Deus como o Deus cristão da Bíblia sem a necessidade de prová-Lo antes.

Dito isto, podemos ver como a Bíblia descreve Deus e ver certos atributos claros e básicos a serem considerados. Por exemplo, o Deus cristão é o criador e doador da vida. Ele é justo e correto. Ele é amoroso e misericordioso. Ele se revelou, contudo Ele está escondido (Isaías 45:15). Ele promete justiça e oferece a salvação. Ele é perfeito e digno de adoração. Naturalmente, estes são apenas alguns elementos da imagem de Deus que vemos na Bíblia. No entanto, para os fins deste ensaio, é suficiente mencionar apenas alguns. Novamente, esses atributos não precisam ser provado para serem usados como parte de nossa definição de Deus.

Vamos também definir a palavra buscar. A palavra buscar pode ser definida como "ir em busca de, procurar, para tentar descobrir, para pedir, pedir, para tentar adquirir ou obter; desejar algo"3 Procurar implica em ação e intenção. Implica também a possibilidade de que o objeto de procura pode ser encontrado, que ele realmente possa existir para ser encontrado. Se um pai perde uma criança na floresta, ele começa a procurar. Todas as suas energias se concentram em encontrar essa criança preciosa. Talvez o pai chame por um grupo de busca com centenas de pessoas todas procurando ativamente para encontrar a filha perdida. Enquanto há mesmo que uma possibilidade de encontrar a criança, o pai continua as buscas.4 Neste ensaio, vamos utilizar a palavra buscar com significado de "uma busca intencional ativa para encontrar."

Com estas condições básicas definidas, como podemos dizer que o homem sábio é aquele que busca Deus? Existem alguns passos nessa linha de raciocínio.

Em primeiro lugar, não é certo que Deus não existe. Para alguns, este ponto pode ser reconhecido como óbvio e, portanto, descartado como irrelevante. Mas, independentemente de quão óbvio a questão possa ser, é muito relevante. Pois na falta da segurança no ateísmo, a busca de visões alternativas do mundo é uma opção válida. Com efeito, se a visão ateísta do futuro é "fim do jogo", enquanto uma visão teísta do futuro é "continua", a sabedoria nos obriga a investigar a opção teísta seriamente e com cuidado.

Em segundo lugar, a evidência prima facie que encontramos no mundo é contra o naturalismo (a visão que o mundo natural, físico da matéria e energia é tudo o que existe). Apesar de não ser capaz de provar que a matéria é tudo que existe, o naturalista também tem o peso de inúmeras experiências espirituais pessoais contra ele.5 Considere a experiência espiritual de milhões de pessoas que afirmam ter encontrado algo transcendente. Independentemente de qual religião uma pessoa participe, essas inúmeras experiências de hoje e por toda a história de "eu encontrei algo" vai conta a afirmação "não há nada a ser encontrado." Mesmo que apenas uma das milhares de experiências seja verdade e o resto sejam ilusões, isso mostra que o naturalismo é falso. Assim, parece que a prova prima facie para o naturalismo é fraca, enquanto que a evidência de algum tipo de sobrenaturalismo é forte.

Como Geisler e Corduan destacam:
... A negação da realidade do Transcendente implica a afirmação de que não só algumas pessoas tenham sido enganadas sobre a existência de Deus, mas que na verdade todos os religiosos que já existiram foram completamente enganados em acreditar que existe um Deus, quando realmente não há. Pois, se mesmo que uma pessoa religiosa estiver certa sobre a realidade do transcendente, então o transcendente realmente existe.6

Em terceiro lugar, existem boas razões e argumentos em favor do teísmo em geral e especificamente o Cristianismo. Estas não são provas incontestáveis que comprovam que o teísmo ou o cristianismo estejam certos, é claro. Em vez disso, o peso total da prova em favor do teísmo cristão, em termos de argumentos filosóficos, históricos, científicos e vivenciais e racionais é substancial. Todas estas flechas evidenciais cumulativas contam para a verdade da visão cristã de mundo e contra uma visão ateísta. A pergunta no final deste ensaio não é "podemos provar que Deus existe?" Mas a questão é, "temos razão suficiente para buscar esse Deus?"

Claro que existem muitas outras visões de mundo lá fora. Mas a sabedoria sugere que comecemos com o melhor "opção viável." O que se qualifica como uma opção viável? Embora muitos critérios poderiam ser oferecidos, parece razoável começar com pelo menos dois: 1) aqueles que afirmam ter o maior impacto final sobre a sua existência, agora e na eternidade, e 2) aqueles que têm o maior suporte evidencial com o mínimo de contra-afirmação evidencial. O cristianismo se encaixa nesses critérios. Como John Bloom sugere:

Dado que temos uma quantidade limitada de tempo nesta vida ao estudo das religiões, podemos dispensar aquelas que nos oferecem uma segunda chance na vida após a morte, ou que venhamos a reencarnar se cometermos um erro nesta vida, ou que prometem que tudo ficará bem, eventualmente, não importa o modo como vivemos agora. A prudência recomenda que primeiro devemos considerar as reivindicações daquelas religiões que dizem que tudo depende das decisões tomadas e vividas nesta vida.7

Portanto, dada a incerteza do ateísmo e da evidência prima facie que o naturalismo é provavelmente falso, se alguém tem razões justas que apóiam a possibilidade da hipótese teísta, então as opções teístas devem ser exploradas a fim de descobrir se elas podem ser verificados como verdade. Os argumentos teístas, então, embora não provem que Deus existe, provam que existem boas razões para buscar a Deus, como iremos explorar agora.

E se o ateísmo for verdade? Quais são as implicações para a vida? Para o sábio, talvez algo como esta linha de pensamento seja adequado: "Viva a sua vida ao máximo que vale a pena, porque em breve terá acabado". Na visão ateísta do mundo, isso é sabedoria, para o maior tempo possível do horizonte da vida - talvez 70 anos, talvez 17 anos. No entanto, não há vida depois desta vida. Todas as ilusões sobre sentido são apenas momentâneas. Não há prestação de contas no final. No ateísmo, pode-se supor que a morte implica o nada. Uma experiência pessoal de morte não significa percepção consciente da vida que foi vivida. Para o homem morto, será como se sua existência nunca tivesse acontecido.

E se o teísmo for verdade? Quais são as implicações para a vida? Para o sábio, talvez algo como esta linha de pensamento seja adequado: "Viva a sua vida ao máximo que vale a pena, pois logo terá fim. E as ações e escolhas nessa vida importam (e têm conseqüências) para a eternidade" Na concepção teísta do mundo, isso é a sabedoria, pois o horizonte de tempo mais longo possível é o tempo da eternidade. As ações e escolhas na vida são cruciais pois elas tem relação com a eternidade. Não há prestação de contas no final. Significado não é ilusão. Significado é objetivamente real. No teísmo, pode-se supor que a morte é um encontro com seu Criador e justo Juiz. Uma experiência pessoal de morte leva a um melhor conhecimento da realidade vivida na recompensa adequada ou no castigo devido. Para o morto, é como se a vida fosse apenas um momento breve, porém crucial do começo de uma vida que não cessa.

Mas, alguém pode argumentar que o teísmo não é garantido também, nem o é o cristianismo nesse caso. Do ponto de vista probatório isso pode ser verdade. A certeza é uma raridade; apreciada pelo matemático, não pelo metafísico. Para exigir uma prova indubitável (certeza) antes de acreditar em algo significa rejeitar a maioria das crenças – incluindo o ateísmo. Em vez disso, só se pode estar satisfeito com um certo grau de certeza ou um alto grau de confiança (do ponto de vista probatório). Mas a diferença crucial aqui é a da verificação. Ateísmo carece de meios de verificação, enquanto que o teísmo cristão oferece verificação pessoal, existencial, além de seu forte apoio probatório. Simplificando, se o Cristianismo é verdadeiro, não apenas a evidência externa o apoia, mas também se pode encontrar Deus pessoalmente.

O que mais essa falta de certeza probatória implica para ambas visões de mundo?8 Isto implica que a "sabedoria" do ateu (que vive só para esta vida) não é realmente sabedoria, pois, em certo sentido, ele está sendo sábio nas coisas pequenas mas tolo nas importantes. Sem certezas da visão ateísta, viver sem perspectiva eterna é um jogo eterno. Note-se que este não é um apelo às conseqüências sugerindo que se deve de alguma forma falsificar uma crença em algo apenas para estar seguro. O ponto aqui é que quando falta a certeza da prova para duas visões concorrentes, deve-se favorecer a visão que fornece uma verificação sobre aquela que não pode ser provada.

Na cosmovisão cristã, a falta de segurança da prova não é uma dificuldade, pois implica também que se pode encontrar verificação existencial e pessoal suficientes. Então, o cristianismo tem tanto apoio substancial da prova e promete verificação pessoal, existencial. (João 8:31-32, 2 Coríntios. 1:22, Gal. 4:6, 1 João 3:24, 1 João 4:13, Rom. 8:14-16) Note-se que esta verificação existencial é chamada de pessoal porque ele não pode ser oferecida como prova para outros. No entanto, ela pode fornecer provas suficientes para o indivíduo, mesmo quando a pessoa ainda não encontrou suporte probatório substancial para a verdade do cristianismo. Pois, se Deus existe, Ele é capaz de se fazer conhecido sem importar se chegou-se a Ele através dos processos da razão e dos cinco sentidos.9 E se a prova é tão difícil de se conseguir, por que deveríamos nos surpreender que só Deus pode fornece-la?

Imagine que você é avisado que tem um irmão a muito perdido. Pesquisa e investigação fornecem uma série de provas – mas são inconclusivas. Sua única irmã está convencido de que você não tem boas razões para acreditar que você tem um irmão. No entanto, sua mãe insiste que você realmente tem um irmão perdido. Claro, se você tivesse um irmão, ela estaria em uma boa posição para saber se era verdade. Você a pede uma prova, mas tudo que ela pode fornecer são mais indícios inconclusivos. No entanto, sua mãe tem um endereço que, segundo ela, pertence ao seu irmão. Neste caso, você pode decidir "somente crer" uma forma ou de outra, com base em interesses pessoais que você pode ter no assunto. Ou, se você quiser descobrir se você realmente tem um irmão, você pode começar a procurá-lo. Claro, se seu irmão souber que ele está sendo procurado, ele poderia simplesmente se revelar a você na hora em que bem entendesse. O que importa é: você vai tomar as medidas necessárias para procurá-lo?

O ponto da ilustração é que, mesmo quando a evidência é inconclusiva, ela ainda pode ser suficiente para justificar uma pesquisa. Além disso, pode-se ir além de uma avaliação nua das evidências disponíveis a fim de descobrir se o Cristianismo é verdadeiro. E tem mais: há algo para ser encontrado no cristianismo além simplesmente da verdade ou falsidade de uma proposição metafísica. No cristianismo existe uma pessoa a ser encontrada.

Isso pode levar à pergunta: Se Deus existe, por que Ele simplesmente não se faz conhecido? Mas esta pode ser uma pergunta errada para se perguntar agora. Em vez disso, talvez devêssemos perguntar: Se Deus pode existir, por que você não O procura? A razão que esta é a pergunta certa a se perguntar agora se tornará evidente quando voltamos nossa atenção para as afirmações da Bíblia – pois, se o Cristianismo é verdadeiro, então os meios pelos quais pode-se buscar e encontrar Deus são verdadeiros. Pode ser que o incrédulo simplesmente não buscou a Deus nos próprios termos de Deus.

A partir da Bíblia, podemos ver que Deus deseja que O procuremos. No livro de Atos, Paulo declarou que Deus criou todas as pessoas "determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação; para que buscassem a Deus, se porventura, tateando, o pudessem achar, o qual, todavia, não está longe de cada um de nós;" (Atos 17:26-27) O próprio Jesus disse que aqueles que desejam encontra-lo devem primeiro procurar: "Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á." (Mateus 7:7-8) Se o que Jesus disse é verdade, então, uma postura de busca intencional faz sentido, porque as Escrituras também declaram que "ele recompensa aqueles que o buscam." (Hebreus 11:6)

Além disso, Jesus indicou que a atitude da vontade desempenha um papel na sua busca por Deus: "Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo." (João 7:17) E a Bíblia registra atitude de Deus para seu povo, a quem Ele implorou para buscá-lo: "Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração" (Jeremias 29:13)

Estas escrituras sugerem que há mais em relação a grande pergunta do que simplesmente a afirmação ou negação da proposição metafísica de que Deus existe. Em vez disso, se a visão cristã é verdadeira, o conhecimento do homem sobre esta questão é inseparável da questão da sua vontade de se colocar sob a autoridade suprema do Criador. Pois, se o Deus cristão existe, encontra-lo exige que você se humilhe. Podemos perguntar: Se existe um Deus amoroso, você se submeteria a Ele? Se o Cristianismo fosse verdade, você iria adotá-lo?

Imagine que você tenha despertado em uma grande floresta. Tudo ao seu redor é uma vastidão de árvores florestais. Você não sabe onde está, como chegou lá, ou o que você deve fazer. Você consegue caminhar uma longa distância através da floresta, apenas para perceber que, sem alimentos e água não vai durar muito tempo. Você deve encontrar o caminho para a civilização. Mesmo sem nenhuma evidência de pessoas em qualquer lugar perto de você, você decide chamar por socorro. Felizmente, é este apelo por ajuda que te salva. Sem que você soubesse, uma equipe de resgate estava perto o suficiente para ouvir o seu chamado.

Talvez você não tenha certeza da existência de Deus. Como o homem perdido, mesmo na incerteza, chamar por socorro é sábio se for possível que alguém possa ouvi-lo. Segundo a Bíblia, se Deus é real, Ele pode ser encontrado, por aqueles que O buscam. Portanto, se o Deus cristão existir realmente, você estaria disposto a entregar-se a Ele? A questão aqui não é que se deve forçar a si mesmo a acreditar em algo que não se acredita atualmente. Em vez disso, a questão é reconhecer que ,se é possível que o Deus cristão exista, então por que não pedir a Deus (que pode existir) para se revelar? Por que não orar, "Deus, eu não sei se você existe, mas se você existir, eu estou disposto a ser convencido." Orar orações "hipotéticas" parece completamente legítimo quando não se tem certeza, pois só podem ajudar na descoberta.

"Deus, se você for real, eu quero saber. Eu não me sinto pronto, mas eu quero estar num relacionamento correto com você, se você é real. Revele-se para mim, se você está lá, e me faça desejoso. Mude o meu coração e abra meus olhos."

Então, o que pode fazer o homem sábio? Na ausência de certeza, o sábio olha para o resultado final de sua vida e deve escolher seu caminho. Ele não sabe no que acreditar ainda sobre Deus, já que as evidências parecem inconclusivas. No entanto, há evidências suficientes para justificar uma pesquisa. Ele se humilha, grita por Deus, e está disposto a se render - pois se Deus existe, Ele é tanto capaz de ouvir e pronto para fazer-se conhecido por aqueles que estão dispostos. O homem sábio busca a Deus.

"Existem apenas três tipos de pessoas: aqueles que encontraram Deus e O servem, aquelas que estão ocupadas procurando por Ele e não O encontraram, aquelas que vivem sem procurá-Lo ou encontrá-Lo. Os primeiros são racionais e felizes, os últimos são tolos e infelizes, os do meio são infelizes e racionais."
- Blaise Pascal, Pensées (160/52)

1 http://www.merriam-webster.com/dictionary/wisdom
2 http://en.wikipedia.org/wiki/Wisdom
3 http://www.merriam-webster.com/dictionary/seek
4 This story is adapted from illustrations used by Dr. Phil Fernandes.
5 As C. Stephen Evans explains , “experience provides prima-facie evidence which should normally be accepted unless we have stronger evidence that leads us to doubt or discount the experience.” – Philosophy of Religion: Thinking About Faith (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1982), p. 90.
6 Norman Geisler and Winfried Corduan, Philosophy of Religion (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1988), p. 76.
7 John A. Bloom, “Truth Via Prophecy,” in Evidence for Faith: Deciding the God Question, ed. John Warwick Montgomery; Cornell Symposium on Evidential Apologetics, 1986 (Dallas, TX: Probe Books, 1991), p. 175.
8 When using the term evidential certainty in this context, this includes physical and empirical evidences as well as philosophical arguments, reason, etc.
9 For more on the subject of Christian epistemology, see the essay Can the Christian Know?

O Cristianismo é Verdadeiro? - Mostrando que o Cristianismo é verdadeiro


Mostrando que o Cristianismo é verdadeiro por Matthew Flannagan

(Áudio em MP3 aqui em breve)

"Você pode mostrar que o cristianismo é verdadeiro?" Para nos ajudar a concentrar o nosso pensamento quanto à forma como se deve responder a essa pergunta, vou colocar algumas outras questões a seguir. Você pode mostrar que existem outras pessoas ou que existe um mundo que permanece independente de nossos sentidos, que continua a existir quando nós já não mais o percebemos? Pode a minha crença de que é errado infligir dor em outra pessoa por razão nenhuma ser mostrado como verdadeiro? E a minha crença na hipótese cética de Russell de que todo o universo veio à existência seis segundo atrás, incluindo todas as aparentes memórias e sinais da idade - isso é falso ou verdadeiro?

Espero que o ponto destes exemplos esteja claro. Se não queremos cair em um ceticismo global que desafia o bom senso, temos de reconhecer que existem algumas crenças que mantemos de forma racional e sabemos que são verdade e que, no entanto, não podem ser mostradas ou provadas como verdadeiras a partir de premissas que todas as pessoas inteligentes são obrigadas a aceitar. Na verdade, ironicamente, a alegação de que alguém só é racional quando acredita em algo a menos que isso possa ser demonstrado a partir de premissas verdadeiras, as quais todas as pessoas sãs são obrigados a aceitar, é auto-refutante, afinal, muitas pessoas sãs rejeitam essa hipótese e ela ainda tem de ser demonstrada como verdade a partir de premissas que todas as pessoas sãs devem aceitar.

No entanto, uma pessoal é racional em aceitar algumas crenças independente de qualquer argumento que mostre a verdade dessas crenças; os filósofos chamam essas crenças de crenças propriamente básicas. Essas crenças funcionam normalmente como crenças fundamentais, uma pessoa raciocina a partir delas como premissas para a verdade de outras proposições que a pessoa tem. Da mesma forma, elas funcionam como os dados básicos contra os quais se avalia hipóteses propostas para aceitação. Elas surgem porque os apelos contínuos de premissas para provar premissas para provar premissas têm que terminar em algum lugar. Crenças fundamentais corretas constituem as crenças nas quais se é racional que os apelos por provas cessem.

É preciso observar que crenças fundamentais básicas não são infundadas. Enquanto não acreditamos em uma crença básica baseada em uma inferência, as crenças básicas são muitas vezes baseadas em alguma forma de experiência. Alvin Plantinga compreende dois tipos de experiências, a "evidência dos sentidos", coisas que podemos ver, ouvir ou sentir em um determinado objeto e "evidência doxástica", que ele se refere como "a crença que parece correta, aceitável e natural."1 Crenças doxásticas parecem ser auto-evidentes. Um exemplo de tal crença é a condição correspondente do modus ponens. Quando uma pessoa cumpre as condições do modus ponens, isso simplesmente parece ser correto. Modus ponens parece auto-evidente de uma forma que uma inferência abertamente falaciosa não. É esse tipo de experiência que dá base às crenças básicas.

Muitos filósofos e teólogos como Calvino, Pascal, Alston e Plantinga sustentam que certas crenças teológicas são por si mesmas básicas. A crença na existência de Deus é, do ponto de vista do crente, apropriadamente básica e fundamentada diretamente em alguma forma de experiência religiosa, pelo que é justificado e racional acreditar nessas doutrinas, independentemente de qualquer argumento em favor delas. Embora eu não possa elaborá-lo em um pequeno artigo, estou fundamentalmente de acordo com essa posição. A requisição, então, que os cristãos mostrem ou demonstrem que o cristianismo é verdadeiro, muitas vezes se baseia em uma premissa que eu acho que está enganada, este pressuposto é que a crença racional cristã requer que os argumentos ou provas sejam fornecidas para o Cristianismo e não fornecê-las faz do crente um ser irracional.

Há uma outra questão mais moderada que se esconde em volta. Se alguém aceitar que o crente é racional em aceitar a fé cristã de uma maneira propriamente básica, então que motivos o crente pode dar para aqueles que não possuem as mesmas crenças básicas para aceitar a fé cristã? Talvez algumas pessoas, com base em algum tipo de experiência religiosa, tenham de imediato crenças propriamente básicas, mas muitas pessoas não venham a ter esse tipo de experiência - que motivo pode ser dado a elas para a aceitação da fé cristã? Este problema exasperasse pelo fato de que é extremamente difícil demonstrar a verdade das crenças fundamentais, precisamente porque são crenças fundamentais. Para provar alguma coisa é preciso apelar para premissas e toda a questão neste caso é sobre quais premissas básicas aceitar. Como, então, mostrar para essas pessoas que o cristianismo é verdadeiro?

Eu acho que várias estratégias estão disponíveis, mas por falta de espaço vou apenas esboça-las brevemente aqui.

Primeiro, em muitos casos, pode-se mostrar que o cristianismo é verdade refutando-se objeções à fé cristã. Crenças propriamente básicas são crenças que se é racional acreditar independentemente de qualquer argumento para elas na ausência de boas razões que as afirmem. Isso não significa, porém, que essas crenças não podem ser derrotadas por razões oferecidas contra elas. Se eu vejo o João cerrando o rosto e agarrando sua perna, eu poderia formar a convicção de que João está com dor. No entanto, se depois ele me diz que não estava com dor, mas ensaiando sua cena de morte em uma peça que ele está atuando, eu poderia mudar a minha crença para acreditar que ele não estava com dor. A crença inicial de que ele estava com dor era propriamente básica, no entanto, por causa do que eu descobri mais tarde, sua posição racional foi derrotada.

Acredito que muitas pessoas estão em uma posição análoga à várias crenças cristãs, eles as rejeitam não porque não achem que elas sejam verdadeiras, mas porque aceitam várias objeções a essas crenças. Considere a seguinte frase de Richard Dawkins “apesar das aparências em contrário, o único relojoeiro na natureza são as forças cegas da física, ainda que organizadas de uma forma muito especial... é um relojoeiro cego." O que é interessante aqui é a frase "apesar das aparências em contrário", Dawkins admite que, prima facie, o mundo aparece e parece que foi projetado e na ausência de qualquer razão para negar tal coisa, então a observação natural é dizer que ele o é. Dawkins sugere, no entanto, que as aparências enganam porque a ciência tem alegadamente fornecido refutações para essa crença. Mostrar em tal contexto que os argumentos de Dawkins são errados permite que as pessoas aceitem essas aparências.

A segunda linha de argumento é mostrar que várias alternativas ao cristianismo são falsas. Muitas vezes as pessoas não conseguem ver a verdade do cristianismo porque aceitam as visões equivocadas do mundo e equivocadas normas epistêmicas tais como aquelas associadas com o naturalismo. Eles podem experimentar a presença de Deus na natureza, mas acreditam que isso é uma ilusão, porque eles estão convencidos de que nada existe além da natureza. Eles podem pensar que somente as coisas que podem ser demonstradas empiricamente podem ser racionalmente cridas e essas experiências são uma ilusão fomentadas pela evolução para assegurar a cooperação social. Mostrar que essas imagens da realidade são falsas os ajuda a reexaminar a natureza dessas experiências verídicas. Refutar alternativas ao cristianismo oferece uma outra dinâmica para ver a verdade do cristianismo.

As pessoas têm que viver de acordo com alguma visão de mundo. Por questões práticas, não se pode permanecer agnóstico em relação a muitas questões existenciais. Se todas as alternativas viáveis para o cristianismo podem ser mostradas como implausíveis, então, o cristianismo tem de ser levado a sério por pessoas que não podem, na prática, viver uma vida de suspensão de julgamento sobre questões importantes.

Terceiro, mesmo que uma pessoa não aceite uma dada proposição ela ainda pode raciocinar sobre tais crenças. Alguém pode raciocinar "condicionalmente",2 se tal pessoa aceite certas premissas ou proposições como as crenças propriamente básicas. Então outras posições, hipóteses e teorias são igualadas e as pessoas de todos os lados da disputa podem avaliar e debater se o raciocínio é consistente. Plantinga afirma:

As conclusões da ciência teísta podem não ser aceitas pelos não-teístas, mas o método - tentar ver a melhor forma de explicar os fenômenos relevantes do ponto de vista teísta - é realmente aberto para todos.3

Pode-se mostrar que quando se raciocina pelo ponto de vista teísta algumas questões existenciais e teóricas podem receber respostas coerentes. Alguém pode explicar coisas como a origem do universo, a existência de entidades contingentes, a existência e a natureza da obrigação moral, a existência de leis da natureza, questões existenciais sobre culpa, perdão e assim por diante. Plantinga observa que a existência de Deus importa “uma grande unidade para o empreendimento filosófico e a idéia de Deus ajuda com uma variedade surpreendentemente larga de casos: epistemológicos, ontológicos, éticos, que têm a ver com significado, e coisas do tipo".4 Mostrar que se alguem aceita o teísmo, então respostas plausíveis, fundamentadas, abrangentes e unificadas estão disponíveis para o que seriam perguntas intratáveis, fornece uma maneira de mostrar aos outros por que eles deveriam aceitar a crença em Deus como uma crença propriamente básica.

A quarta e última maneira é colocar a pessoa em uma posição em que ela provavelmente terá uma experiência necessária que fundamenta crenças teológicas propriamente básicas. Suponha que eu veja uma árvore no parque e minha esposa me pede para mostrar-lhe que esta árvore existe. A maneira mais óbvia de fazer isso não é construir uma prova para a existência de uma árvore, mas levá-la ao parque e mostrar-lhe a árvore. Da mesma forma, muitas pessoas não conseguem absorver os axiomas auto-evidentes da lógica porque elas não conseguem entendê-los, mas quando estes são explicados, se tornam auto-evidente. O mesmo acontece com a crença cristã. Uma forma de mostrar para os agnósticos a verdade do cristianismo é colocá-los em circunstâncias nas quais, se estivermos atentos, é provável que eles comecem a ver a verdade.

Pode-se explicar as Escrituras para eles, incentivá-los a buscar Deus em oração - isso é semelhante à forma como uma pessoa perdida no mato pode chamar por salvamento, mesmo se ele ou ela não tem certeza se alguém o estava procurando. Pode-se incentivá-los a participar no estudo das Escrituras enquanto levem a sério a possibilidade de que elas são a palavra de Deus. A pessoa poderia se envolver em uma comunidade de crentes onde Deus habita e trabalha, onde a pessoa pode ser encorajada a viver de acordo com a lei moral e honestamente confessar suas falhas e buscar o perdão por seus erros morais. Pascal apresentou este ponto em sua famosa aposta, enquanto um agnóstico não pode simplesmente optar por acreditar em algo que ele não acredita, ele pode optar por olhar, por procurar e por entender. Quando o agnóstico sinceramente faz isso, é provável que ele virá a experimentar Deus. Assim como uma pessoa que tenta entender a lógica vai ver porque seus axiomas são auto-evidentes ou uma pessoa que realmente procura pelo parque verá que há uma árvore ali.

Concluindo, as doutrinas básicas do cristianismo, se forem verdade, constituem crenças fundamentais básicas corretas. Não se acredita nelas com base em argumentos ou provas já que elas se baseiam diretamente na experiência. Normalmente é muito difícil provar, com argumentos, que uma crença fundamental é verdade, mas sua verdade pode ser mostrada de outras formas indiretas. Pode-se argumentar que os argumentos contra tais crenças são falsos, pode-se argumentar que as alternativas para aceitá-las são falsas ou problemáticas, e pode-se mostrar que se alguém aceita o Cristianismo, então essas crenças fazem sentido de forma coerente com o mundo, elas fornecem respostas abrangentes a muitas questões teóricas e existenciais. Finalmente, no contexto de tudo que foi colocado acima, pode-se ajudar o cético a adotar a postura de um buscador sincero, para levá-lo a um tipo de posicionamento em que ele pode vir a ter o requisitado encontro com Deus, a fim de ver que o cristianismo é verdade. Esta é, no final das contas, como alguém pode mostrar que o cristianismo é verdade.

1 Alvin Plantinga Warranted Christian Belief (New York: Oxford University Press, 2000) 110-111.
2 See Alvin Plantinga “Creation and Evolution: A Modest Proposal” in Darwinism Design and Public Education ed John Angus Campbell & Stephen C Meyer (East Lansing: Michigan State University Press, 2004) 521-232; “Reason and Scripture Scholarship” in Behind the Text: History and Biblical Interpretation ed C Bartholomew, C Stephen. Evans, Mary Healy & Murray Rae (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2003) 98-100.
3 Alvin Plantinga “On Rejecting The Theory of Common Ancestry: A Reply to Hasker” Perspectives on Science and Christian Faith 44 (December 1992): 258-263.
4 Alvin Plantinga “Two Dozen or so Theistic Arguments” accessed 7 March 2010.

domingo, novembro 14, 2010

O ateu que passou a acreditar em Deus. Veja o porque.



Agora acredito que o universo foi criado por uma Inteligência infinita. Acredito que as intrincadas leis deste universo manifes­tam o que os cientistas têm chamado de a Mente de Deus. Acredito que a vida e a reprodução têm sua origem em uma Fonte divina.
Por que acredito nisso, se ensinei e defendi o ateísmo por mais de meio século? A resposta é curta: esse é o retra­to do mundo, como eu o vejo, e que emergiu da ciência moderna. A ciência mostra três dimensões da natureza que apontam para Deus. A primeira é o fato de que a natureza obedece a leis. A segunda é a dimensão da vida, de seres movidos por propósitos e inteligentemente organizados que surgiram da matéria. A terceira é a própria existên­cia da natureza. Mas não é apenas a ciência que tem me guiado. O fato de eu ter retomado o estudo dos argu­mentos filosóficos clássicos também tem me ajudado.
Não foi nenhum novo fenômeno ou argumento que me motivou a abandonar o ateísmo. Nessas últimas duas décadas, toda minha estrutura de pensamento tem per­manecido em estado de migração, e isso foi conseqüên­cia de uma contínua avaliação das manifestações da na­tureza. Quando finalmente cheguei a reconhecer a existência de um Deus, isso não foi uma mudança de pa­radigma, porque meu paradigma permanece aquele que Platão escreveu em A República, atribuindo-o a Sócrates: "Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar".

Antony Flew, Deus Existe.

sábado, novembro 13, 2010

William Lane Craig contra Richard Dawkins


Um outro título para esse post poderia ser “A Razão contra a Fé”, tendo claro, William Lane Craig do lado da razão e Richard Dawkins pelo lado da fé naturalista. Mas pelo comentário abaixo, você verá que um terceiro título seria “Um homem educado contra um outro mal-educado”.
Hoje está acontecendo um painel no México intitulado “Does the Universe have a purpose?” (O universo tem um propósito?) e os participantes são o teólogo e filósofo William Lane Craig, junto de outros apologistas e do outro lado o biólogo evolucionista Richard Dawkins e outros neo-ateus famosos.
O mais legal desse evento é que Richard Dawkins sempre se esquivou de debater William Lane Craig. Ele sabe que vai levar uma surra maior ainda do que a que Christopher Hitchens levou. Portanto, é essencial que ele fique o mais longe possível de Craig para tentar manter a sua aura de intelectual. Quando suas idéias são analisadas à luz da boa filosofia, ela simplesmente não se sustenta.
Não sei porque dessa vez Dawkins aceitou o desafio. Mas seja qual motivo for, leia abaixo a rapida conversa que ambos tiveram no saguão do hotel, conforme informação do site Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo:

“A grande notícia é que Richard Dawkins é um dos meus adversários no painel de discussões! Eu fiquei absolutamente chocado! Eu me encontrei com ele ontem à noite na recepção.
Eu disse: “Eu fiquei surpreso em ver que você estará no painel”
“Por que?”, ele perguntou.
“Bem, você sempre disse que não aceitaria debater comigo”
Ele de repente ficou muito frio: “Eu não considero este painel um debate com você. Os mexicanos me convidaram para participar e eu aceitei.”
Ele então virou as costas para ir embora.
Eu disse: “Bem. Espero que tenhamos uma boa discussão então.”
Ele disse, “Duvido muito disto.” e saiu andando,
Whoa! Então este painel será interessante…”

Ou seja, Dawkins continua usando arrogância como argumento contra a existência de Deus. No final das contas, como ficou bem claro em seu livro “Deus, um delírio”, esse é o único argumento que ele tem. Além de reclamar pra caramba. Mas isso já foi discutido em outro post.
Tem um link para a transmissão on line da conferência, que já começou. Mas espero que depois disponibilizem o vídeo para melhor apreciação. A transmissão on line não está boa.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Verdade para você, mas não para mim


Todo mês recebemos um email de Jim Wallace, do ministério Please Convince Me, com alguma informação interessante sobre a fé cristã. Esse mês, o email é sobre verdades objetivas, a nossa capacidade de reconhecê-las e a influência que isso tem sobre a existência de Deus.
Como é sempre um assunto interessante, traduzimos o email para vocês.

Olá

Uau, já é novembro. Sou só eu, ou os anos voam mais rápido do que nunca? Em Outubro tive o prazer de treinar alguns homens do Retiro de Homens Hume Lake e nós conversamos sobre dois pré-requisitos para o cristianismo (a existência da verdade objetiva e a existência da alma). Alguma vez você já se deparou com frases como "Isso pode ser verdade para você, mas isso não é verdade para mim"? Bem, este mês, gostaria de oferecer uma breve resposta a dois erros que as pessoas frequentemente fazem relacionados com a natureza da verdade:

OPOSIÇÃO: A verdade está nos olhos de quem vê. Toda a verdade depende da sua perspectiva. O que pode ser verdade para você não é necessariamente verdadeiro para mim. Além disso, a verdade é ilusória. Ninguém pode realmente ter certeza de que sabe a verdade, porque ninguém sabe tudo o que pode ser conhecido sobre um determinado assunto. É arrogante a alegação de que você sabe que algo é objetivamente verdade!

RESPOSTA: Algumas verdades são claramente pessoais e pertencem aos sujeitos que as detêm. Se você e eu estivéssemos em um museu olhando para uma escultura, cada um de nós poderia reagir de forma diferente. Você pode dizer que a escultura faz você se sentir ansioso, eu poderia dizer que me faz sentir calmo. Mas a verdade sobre a existência ou não da escultura em primeiro lugar, não reside em qualquer um de nós como indivíduos. A verdade sobre a existência da escultura está no objeto em si (a escultura). Nossa negação subjetiva da escultura não mudaria o fato de que a escultura existe. Não é uma questão de opinião subjetiva ou perspectiva, é uma questão de verdade objetiva. A cultura que nos rodeia, no entanto, muitas vezes, faz duas afirmações ilógicas sobre a verdade:

"A verdade objetiva não existe"
Quando as pessoas fazem uma afirmação como esta, basta fazer a pergunta: "Será isso verdade? Você está me dizendo que é objetivamente verdade que não há tal coisa como verdade objetiva?" O cético que faz esta afirmação sobre a verdade espera que aceitemos a sua afirmação como se fosse objetivamente verdadeira para todos e não simplesmente como uma questão de opinião subjetiva. Em essência, eles estão afirmando (como fundamento) a mesma coisa que eles estão negando. Eles estão fazendo uma afirmação "auto-refutante" que falha em seus próprios critérios

"A verdade objetiva não pode ser conhecida"
Quando as pessoas fazem uma afirmação como esta, basta fazer a pergunta, "Você tem certeza? Você está me dizendo que você sabe com certeza que nada pode ser conhecido com certeza?" O cético que faz esta afirmação sustenta que ele está em uma posição para saber definitivamente que nada pode ser conhecido em definitivo. Eles estão novamente fazendo uma declaração "auto-refutável" que tropeça em si mesma antes mesmo de poder sair da linha de partida.

Enquanto você e eu podemos ter opiniões subjetivas sobre a forma como a existência de Deus nos faz sentir, a verdade sobre a existência de Deus em primeiro lugar (como a verdade sobre a existência da escultura) não está na nossa perspectiva subjetiva, mas no próprio objeto. Deus existe ou não existe. Deus também tem uma natureza específica ou Ele não tem. Nossas opiniões e as perspectivas não criam a verdade sobre Deus. Ou nós temos opiniões que são objetivamente verdadeiras (elas reconhecem as verdades objetivas pré-existentes sobre Deus) ou não. E sim, isso significa que alguns de nós temos convicções precisas e alguns de nós não. A realidade da verdade objetiva exige que levemos a questão da existência de Deus a sério. Não é uma questão de perspectiva pessoal. A verdade sobre Deus é objetiva e está para ser descoberta por aqueles de nós que vão reconhecer a natureza da verdade em primeiro lugar.

João 8:31-32
"Então Jesus disse aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."

Muito mais poderia ser dito sobre a questão da verdade objetiva, mas esperamos que essa resposta curta ajude você a fazer sua defesa!

Jim Wallace
Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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