terça-feira, fevereiro 01, 2011

A prisão dos “Pensadores livres”


“Você só poderá ser um pensador livre se pensar como nós pensamos. Todos os pensadores livres estão obrigados a seguir o mesmo padrão de pensamento que nós”.

A frase acima parece estranha não é? Mas ela representa a forma como muitos entendem um pensador livre.
Eu me considero um pensador livre. Eu me considero um cético. Eu gosto de raciocinar sobre minhas crenças (e também as dos outros) e não acredito nas coisas simplesmente porque me disseram. Gosto de analisar as evidências e seguir para onde elas apontam.
Mas em nossa interação com alguns ateus, tanto aqui no blog quanto em outros fóruns, percebemos que não podemos ser considerados pensadores livres. Por que? Algum erro metodológico de nossa parte, alguma falha na epistemologia da coisa? Não, simplesmente porque somos cristãos. Para muitos “pensadores livres” o simples fato de ser religioso é impedimento para o raciocínio correto. Ou seja, cometesse uma falácia genética, já que o raciocínio é descartado por sua origem, não por sua validade.
Mas para mim o mais interessante é que eu só poderia ser considerado um “pensador livre” se eu pensasse como eles, ou seja, se me submetesse a estar preso a suas idéias! Então, o pensador livre tem que estar preso a uma filosofia. E essa filosofia é só pode ser a naturalística.
A mesma coisa é verdade em relação a ser considerado cético. Eu não posso ser visto como cético porque sou religioso. Novamente uma falácia genética. Não importa que eu tenha considerado as evidências, pesado os argumentos e depois disso tenha tomado minha decisão. Não. O que me impede de ser cético é que eu tenha decidido acreditar na existência de entidades e atividades metafísicas, no sobrenatural. Como cético, como pensador livre, eu jamais teria a liberdade de chegar a tal conclusão. Eu só estaria livre para chegar às conclusões previamente estabelecidas e nenhuma delas pode incluir Deus ou o sobrenatural.
Resumindo, eu só poderei ser levado à sério no debate dos argumentos se eu já aceitar a priori a conclusão oposta. Mesmo que todas as evidências apontem o contrário.
Os chamados “pensadores livres” e “céticos” acabam aprisionados em sua própria filosofia naturalística, ficando assim sem a liberdade de poder analisar todas as possibilidades de resposta e encontrar aquela que melhor responde em face das evidências.
Prefiro continuar com o pensamento religioso. Pelo menos ele me permite analisar todo o escopo das evidências e exercer meu ceticismo.

2 comentários:

Wandrey Suarez disse...

Irmão, 'toque aqui'. Eu não poderia defender um pensamento tão lógico e com tais palavras sábias, como o irmão fez aqui.

Já estive, igual ao irmão, conversando e trocando ideias com os ateus (eu 'conheço' o Carlos Esperança e sua patotada lá de Prtugal) e, durante aqueles tempos, eu cheguei à mesma conclusão que o irmão chegou aqui - eles são 'livres' somente se acreditarem em suas 'filosofias'.

Parabéns irmão e, escolhamos antes, sermos escravos de Deus mas dependentes de uma lei - a Lei do Cristo - que é para os que são verdadeiramente livres.

Wandrey

Maurilo e Vivian disse...

Olá Wandrey.
Fiquei feliz que alguém se identifica comigo nesse sentido. São vários de nós, mas não vamos nos deixar abater pela verocidade dos ateus.
Ainda mais por que, um dia, já fomos como eles. E quem sabe a graça do Senhor não os alcança? Só podemos orar por isso.
Abraços.

Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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