sábado, janeiro 22, 2011

Respondendo ao demônio



Hoje eu respondi a um comentário feito por um ávido leitor de nosso blog, que atende pela alcunha de “Demo”, mas nunca mostrou a cara (ou um argumento robusto em favor da sua causa). Ele sempre posta comentários espirituosos.
Ele fez o seguinte comentário em um texto do nosso blog:

Demo disse...
Suposta benevolência é algo que ficou por dizer…
18/1/11 9:36 AM

Eu não entendi bem, mas fui até o link no blog dele para ver o que era. Aliás, recomendo que visitem o blog do Demo e deixem que seus argumentos falem por si mesmo. Veja uma réplica do texto escrito pelo Demo:

18 DE JANEIRO DE 2011

Suposta benevolência…

“Misteriosos são os desígnios do Senhor”.
Esta é uma das pérolas utilizada pelos crentes para fazer passar a ideia errada, de que tudo é aceitável e de igual valor, apenas com a intenção de transmitir uma mensagem, no mínimo, duvidosa e incoerente.
Algumas justificações, além de ridículas, revelam a inexistência ou incapacidade de pensamento dos crentes que, convencidos pelas falsas virtudes de um punhado de preconceitos, acabam por aceitar e promover ideias e atitudes que ultrapassam as fronteiras do que é racionalmente aceitável.
Para quem lê Deuteronômio 13:6-10 – na interpretação católica ou evangélica –, as dúvidas, quanto á existência de uma divindade benevolente, ficam esclarecidas de imediato. Um ser superior que exige o apedrejamento até á morte, de quem ponha em causa a sua existência ou doutrina, é certamente um promotor da paz e do amor.
O Maurílo, por exemplo, justifica estes versículos afirmando que: “Se Deus é nosso dono, se Ele é uma divindade, então, Ele tem total direito sobre nós. […] Se for Deus, Ele pode ditar seus preceitos sobre nós”.
Eu não sei se ignorar a ideia sanguinária do apedrejamento foi propositado mas, mesmo assim, a ideia de termos um dono admite a aceitação da escravidão. (Sugerido no Levítico).
Escravidão é decadência, é imoralidade, é o fim da dignidade humana. Escravidão é exclusão de direitos elementares, é opressão, é extinção da vontade própria. É o princípio do fim.
Se isto faz parte do curriculum de um ser superior venerado pelos crentes então, ficamos esclarecidos.

Veja que o texto na verdade, confunde acusação com argumento. Além disso, ele cortou a parte da minha resposta que traz a legitimidade do “domínio” de Deus sobre nós.
Mas em uma coisa ele está certo. Nós somos escravos de Deus. Todos nós. Quer acreditemos Nele ou não. Nenhum cristão nega isso. Pena que a idéia de escravidão que a Bíblia nos coloca é bem diferente da escravidão moderna. Mas é mais fácil analisar o mundo por uma perspectiva pós-iluminista do que tentar ser generoso com o texto e analisá-lo em seu contexto histórico. Corre-se o risco de perceber que a legislação que Deus deu para Israel representava um enorme avanço moral em relação aos outros povos. Mas isso é coisa para outro texto.
Leiam abaixo minha resposta ao meu amigo Demo, que está postada no blog dele.

Caro Demo.
É uma alegria ver que você voltou a escrever em seu blog. Assim podemos estender nossas agradáveis conversas para cá.
Então, você como todo bom ateu, resolveu usar o velho e já mais do que respondido argumento do “Deus tirano do Velho Testamento”. Muito bem.
Na verdade, esse é um caminho natural na vida de todo ateu que tem vindo nesse novo movimento ateísta, que confunde reclamação com argumento. Pena que nesse novo movimento não exista nenhum intelectual do peso de Antony Flew. Esse sabia argumentar e raciocinar. E a maior prova disso é que no final de sua vida chegou a conclusão óbvia: Deus existe.
Enfim, vamos responder ao seu texto. Se você considera algumas ações ordenadas por Deus no Velho Testamento como atrocidades, devo então entender que você aceita que Deus existe? Digo isso porque não faz sentido discutir as atrocidades cometidas por algo que não existe. Não faz sentido. Se você reconhece que Deus existe, então podemos ter essa discussão e se você estiver disposto a analisar as “atrocidades” cometidas por Deus dentro de seu próprio contexto histórico (e não a partir de uma perspectiva pós-iluminista, de onde aliás você tira sua definição de escravidão), vai perceber que não foram realmente atrocidades. Mas esse caminho é mais trabalhoso do que o que você vem tomando.
Mesmo falar em atrocidades não faz sentido se Deus não existe. Sem um legislador maior no qual podemos basear o que é certo e o que é errado, “atrocidades” não é nada mais do que uma questão de gosto, “eu não gostei disso que você fez”. Deixa de ser objetivo e passa a ser subjetivo. Ao gosto do cliente. Ou você por acaso estaria falando que existe algo intrinsecamente errado em relação a essas atrocidades? Se é intrinsecamente errado, no que você baseia tal afirmação? Sem Deus como legislador, só te sobram duas opções:
  • Genes: Se você acredita que os genes são responsáveis pela moralidade, me explique como algo além de cada um de nós (valores morais objetivos) pode estar programado dentro de nós? E se é genético, o que nos garante que o senso de moralidade dos antigos israelitas não estava de acordo com a constituição genética deles? E se essas atrocidades trouxeram algum benefício para a propagação da nação judaica? E se houve alguma mudança genética na nossa espécie que passou a achar que tais coisas são atrocidades? Se os genes são responsáveis pela moralidade, essa seria uma ilusão e atos feitos a muito tempo atrás podem muito bem ser condizentes com a genética daquela época. Se a genética define moralidade, certo e errado são ilusões e os antigos israelitas (e também o seu Deus) estão desculpados de qualquer “atrocidade”.
  • Sociedade: Se a moralidade é definida pela sociedade, um “construto social” como se diz, então como podemos julgar os atos dos israelitas antigos como atrocidades se foram cometidos por uma outra sociedade em um outro contexto social? E se para a sociedade israelita antiga apagar do mapa nações pagãs perversas fosse algo legítimo? Como poderíamos dizer que eles agiram de forma errada? Não seria isso uma forma do mesmo etnocentrismo que acusamos os antigos israelitas? Imagine o seguinte: as atrocidades cometidas no nazismo eram objetivamente erradas? Continuariam sendo erradas, mesmo que os nazistas tivessem vencido a guerra e feito lavagem cerebral em todo mundo para que todos aceitassem o nazismo como algo bom? Pois a sociedade alemã em sua maioria não condenou o nazismo enquanto governo estabelecido. Poderíamos dizer então que o nazismo foi errado só porque eles perderam a guerra?
Se você tira Deus da conversa, tudo é permitido.
Portanto, primeiro decida-se sobre a existência de Deus e depois eu te explico como as ordenanças de Deus no Velho e no Novo Testamento faziam sentido dentro de seu contexto histórico, já que a fé cristã é uma fé histórica e evidencialista.
Grande abraço e continue escrevendo. Um dia quem sabe você acerta.

Maurilo

Um comentário:

disse...

Olá, te vi no twitter, e ja estou te seguindo, siga-me também se quiser, será bem legal!

Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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