segunda-feira, agosto 02, 2010

Dicas de evangelismo: olha a boca!


Não, não. Não estou falando em relação a palavrões. Não falar palavrões é muito importante no evangelismo (como o é na vida como um todo Efésios 4:29), mas um outra coisa muito importante mas esquecida durante o evangelismo é o nosso linguajar evangélico. Não porque ele seja ruim em si mesmo como um palavrão, mas porque muitas vezes ele só faz sentido para aqueles que estão dentro do circuito evangélico, além de poder criar uma interpretação errada para aqueles que estão ouvindo o termo pela primeira vez.
É muito comum o cristão possuir dois tipos de linguagens. Uma que usa no dia a dia e outra que usa na igreja, com os irmãos. Isso é de certa forma comum. Um advogado possui um linguajar técnico em seu trabalho e outro que usa com a família e com os amigos. O problema para o cristão que está evangelizando é que em muitas situações fora da igreja, ele liga o linguajar evangélico (porque está falando sobre assuntos religiosos) e seu interlocutor se sente perdido.
Isso é ainda mais comum quando estamos em um meio ambiente tipicamente evangélico. Freqüentamos a igreja, nossa família é cristã, nossos colegas de trabalho e chefes são evangélicos, nossas atividades sociais em sua quase totalidade podem ser definidas como “gospel”. Só vamos perceber o problema quando saímos dessa bolha (se refletirmos sobre isso, claro).
Eu me lembro quando estava fazendo o curso de formação de condutores que tinha um rapaz evangélico na sala. Quando estávamos falando sobre algum assunto moral, ele começou a dar a sua opinião sobre o assunto e para minha surpresa, ele mudou totalmente o modo de falar. Ele parecia estar dando um testemunho na igreja, com termos como “ungidos do Senhor, graça e livramento”. Essas palavras fazem muito sentido para nós, mas nem sempre para aqueles de fora. E se nosso intuito é fazer a mensagem do evangelho compreensível para todos, devemos ser sensíveis para isso.
Uma outra ilustração foi em um evangelismo que estávamos fazendo em um cemitério (melhor lugar do mundo pra evangelizar, todo mundo está pensando na morte) e uma irmã que estava conosco fez a seguinte pergunta para uma mulher que estávamos evangelizando: “você fuma?” Quando a mulher respondeu que sim, nossa irmã então disse: “mas seu corpo é templo do Espírito Santo”. A mulher ficou olhando com uma cara de “não entendi” (Além de usar um termo que não fez sentido para a mulher evangelizada, ela também cometeu um erro teológico porque somente os cristãos são templo do Espírito Santo e aquela mulher não era cristã. Além disso, o texto de origem está falando sobre pecados sexuais e não sobre cigarro. Acho que foram dois erros então...).
Existem várias palavras e frases que só fazem parte do nosso repertório cristão (unção, fogo de glória, “tá amarrado”) mas minha favorita é “Deus tem um plano maravilhoso na sua vida”. Essa frase é prejudicial em dois sentidos. Primeiro porque ela serve como propagando enganosa, mesmo sendo verdade. Deus realmente tem um plano maravilhoso para nossas vidas, mas esse maravilhoso é de acordo com o padrão de Deus. Pergunte para Estevão qual foi o plano maravilhoso de Deus para ele. Segundo, porque a pessoa que ouve essa frase não pensa no plano de Deus como algo transcendente a nós mesmo, mas como algo que vem em nosso benefício. Eles vinculam esse plano a outra palavrinha que eles rapidamente aprendem no meio evangélico: benção (engraçado que pecado demora pra entrar no vocabulário). E assim são enganados quando as coisas não dão certo como ele esperava.
Esse é um desafio comum em várias profissões. O equilíbrio da linguagem técnica e da linguagem popular para manter um canal efetivo de comunicação. Esse também é um desafio para nós que levamos a palavra de Deus para outros. Assim como um missionário em um outro país se esforça para falar a língua desse povo na pregação do evangelho, devemos nos atentar para usar a língua do nosso povo nessa mesma tarefa, filtrando os termos evangélicos que podem não fazer sentido.
Você concorda? Conhece algumas palavras do vocabulário evangélico que podem não fazer sentido em outros contextos?

3 comentários:

Rodrigo Amaro disse...

Se eu lembro de algum termo? Tem dois que já vi serem usados, e juntos tem um impacto igual ou tão grande quanto usados individualmente: varão e jactância. Já ouvi vários testemunhos de novos convertidos que morriam de medo de saber o significado da palavra varão...
Abraços e Paz

Alexandre Pitante disse...

Paz do Senhor,

Parabéns, pelo seu trabalho neste blog. Que Deus em Cristo Jesus continue lhe abençoando poderosamente.

Estou seguindo o vosso blog.

Aproveito pra lhe convidar a visitar meu blog também. Avivamento pela Palavra é um blog voltado aos amantes da Bíblia sagrada como Verdade Absoluta e que só através Dela seremos mais crentes e mais cheios do Espirito Santo. Comente, pois seus comentários são muito importante para mim poder estar sempre em melhorias no meu blog.

http://www.alexandrepitante.blogspot.com/

Siga-nos também.

Fica com Deus.
Abraço em Cristo, Alexandre Pitante.

João M. disse...

Essa matéria me fez lembrar de um livro muito bom:
"Evangelização no Brasil hoje :conteudo e linguagem" da editora Loyola se não me engano.

Por incrível que parece o "hoje" do livro se refere a 1976. Mas ele continua atual.

Abraços!

Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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