domingo, novembro 23, 2008

Richard Dawkins usando terminologia evangélica.


Estou lendo "Deus, um delírio" de Richard Dawkins e me deparei com uma frase importante. Ele diz algo mais ou menos assim (me perdoem se a frase não está exatamente como a versão em português, mas estou lendo em inglês, já que consegui o livro por um dólar em Miami): “é possível ser um ateu feliz, equilibrado, ético e intelectualmente realizado” e daí ele continua na sua tentativa de conscientizar seus leitores sobre os enormes benefícios da ateísmo. Essa frase se encontra logo no início do prefácio.
O que me chamou a atenção é que ele está usando a boa e velha terminologia evangélica para converter pessoas de outros credo para sua religião. A grande isca do evangelismo moderno é “venha para Jesus, Ele vai te dar paz, alegria, vai te fazer feliz e você vai se sentir realizado”. Não é basicamente isso que Dawkins está prometendo no prefácio de seu livro? Venha para o ateísmo, ele vai te dar paz, alegria, felicidade e realização. Isso mostra o quanto o ateísmo não é a negação da religião, mas somente mais uma religião. Ela só transfere sua fé de uma deidade para a a humanidade. Ainda assim é uma questão de fé, como diz um pouco antes “eu acredito no homem...”.
Pretendo em breve escrever um post sobre fé e quais as bases para a fé, pois muitos ateus dizem que fé é uma crença sem fundamentos, o que não é verdade, por nenhuma definição, nem mesmo a bíblica. Mas isso é assunto de um outro post. A questão aqui é outra.
Ateísmo é uma religião e a cada dia tem se organizado e estruturado como uma. Eles já possuem um livro sagrado (Origem das Espécies, Darwin), um líder que define seus dogmas (Richard Dawkins), possuem seus profetas (Sam Harris, Christopher Hitchens) e uma visão de mundo (evolucionismo e humanismo). Em pouco tempo teremos templos totalmente dedicados a seus cultos, que não ficarão restritos às matérias em artigos científicos ou as universidades.
Uma das grandes desgraças do evangelismo moderno é o decisionismo, tudo é uma pequena questão de se decidir, de dar uma chance. Podemos falar disso em outro post (estou prometendo muitos posts...) mas com certeza funciona, no sentido de conseguir um grande número de associados. E Dawkins se entrega a esse pragmatismo religioso. Não somente o ateísmo possui todas as características de uma religião, ele está rapidamente adotando práticas que levamos séculos para adotar.
Estão copiando não somente o que existe de bom no cristianismo, mas também o que existe de ruim.
Ao menos algo de bom. Se a próxima geração de ateus se voltarem para o ateísmo pelas promessas de felicidade e realização sem fim, vamos ter um belo grupo de “desviados” do ateísmo, assim como temos do cristianismo.

Um comentário:

Luis Paulo Silva disse...

Sinceramente...

“é possível ser um ateu feliz, equilibrado, ético e intelectualmente realizado”

Ele disse aqui que a maioria dos ateu não são felizes, equilibrados, éticos e intelectualmente realizados ou foi só impressão minha?

Luis Paulo Silva
www.despertaiceifeiros.blogspot.com

Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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