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sábado, julho 28, 2012

A divindade do Espírito Santo




O Espírito Santo é Deus e, como já vimos, é uma pessoa. Negar esta verdade é insultá-lo, é fazer agravo ao Espírito Santo da graça (Hb 10:29), sendo tal pecado imperdoável: “E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do home, ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro” (Mt 12:32).


Divindade provada
O Espírito iguala-se ao Pai e ao Filho, tendo também um nome, pois o Senhor Jesus determinou que os seus discípulos batizassem “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28:19), o que seria absurdo se não fosse o Espírito Santo uma pessoa. Jesus prometeu dar os seus discípulos “outro Consolador” (João 14:16). A palavra “outro” é aqui, no original grego ἄλλος (allos), que significa “outro”, mas da mesma natureza, da mesma espécie e da mesma qualidade. Disse A. T. Robertson:  “Outro da mesma classe (allon, não heteron)”10. Se o Espírito fosse uma força ativa, impessoal, a palavra correta para “outro” seria ἔτερος (heteros), e não allos.
Também é bom não perder de vista a palavra “Consolador”, que no grego é παράκλήτος  (parakletos), que significa “ajudador”, “alguém chamado para auxiliar”, um “advogado”. Essa mesma palavra aparece em 1 João 2:1 com este signficado: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis: e se alguém pecar, temos um ADVOGADO (parakletos em grego) para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”. Em outras palavras, Jesus dizia aos seus discípulos que estava voltando para o Pai, mas que continuaria cuidando da sua igreja, pelo seu Espírito Santo, seu parakletos, um como ele, que teria o mesmo poder para preservar seu povo.
Em Atos 5:3-4, o Espírito Santo é chamado nominalmente de Deus. Pedro perguntou a Ananias: “Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisse ao Espírito Santo, e retivesse parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este designo em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus”. Veja que Deus e o Espírito Santo aqui são a mesma divindade. Primeiro o apóstolo diz que Ananias mentiu ao Espírito Santo, e depois o mesmo Espírito Santo é chamado de Deus. O mesmo acontece com 2 Sm 23:2,3 “O Espírito do Senhor falou por mim, e a sua palavra esteve em minha boca. Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou”.
A parte final de 2 Co 3:18 nos diz: “... como pelo Espírito do Senhor”, mas a Versão Almeida Atualizada traduz assim: “...como pelo Senhor, o Espírito”. A expressão grega aqui, literalmente, seria: “Senhor Espírito”, mas o texto permite quatro traduções, assim: a) O Senhor do Espírito; b) o Espírito do Senhor; c) o Espírito que é o Senhor; d)Senhor, o Espírito. Esta última é a mais aceitável, porque o que o apóstolo quer mostrar é que o Espírito é o Senhor, embora o apóstolo o separe de Cristo em pessoa, identificando-o em natureza e divindade. O Senhor aqui é uma referência a Cristo. A STV, porém, impôs arbitrariamente a palavra “JEOVÁ”, para traduzir o vocábulo grego Kyrios, e com isso a TNM diz que o Espírito Santo é Jeová, o que vem contrariar os próprios princípios da organização. O tiro saiu pela culatra, pois ficam obrigados a admitir que o Espírito Santo é Jeová, embora o neguem nominalmente. Assim está expresso no próprio texto que eles fabricaram. Caíram na própria armadilha.


Atributos da divindade no Espírito Santo
Vejamos agora os atributos da divindade no Espírito Santo, revelados na Bíblia:

a) O Espírito Santo é onipotente (Zc 4:6; Rm 15:19).
b) O Espírito Santo é onipresente (Sl 139:7-10).
c) O Espírito Santo é onisciente (1 Co 2:10,11).
d) O Espírito Santo é eterno (Hb 9:14).
e) O Espírito Santo é criador (Jó 26:13; 33:4; Sl 104:30).
f) O Espírito Santo gerou Jesus Cristo (Lc 1:35).
g) O Espírito Santo é a verdade (1 Jo 5:6).
h) O Espírito Santo é o Senhor da Igreja (At 20:28).
i) O Espírito Santo é chamado de Javé (Jz 15:14 comp. 16:20; Ex 17:7 comp. Hb 3:7-9; Nm 12:6 comp. 2 Pe 1:21; Is 6:9 comp. At 28:25,26; Ez 8:1,3).
j) O Espírito Santo é aquele que dá a vida eterna (Gl 6:8).
l) O Espírito Santo é o guia do seu povo (Sl 143:10; Is 63:14; Rm 8:14; Gl 5:18).
m) O Espírito Santo é o santificador dos fiéis (Rm 15:16; 1 Pe 1:2).
n) O Espírito Santo é aquele que habita nos fiéis (Jo 14:17; Rm 8:11; 1 Co 3:16; 6:19; 2 Tm 1:14; Tg 4:5).
o) O Espírito Santo é santo (Rm 15:16; 1 Jo 2:20).
p) O Espírito Santo é fonte de poder e milagres (Mt 12:28; At 2:4; 1 Co 12:9-11).
q) O Espírito Santo é o autor do novo nascimento (Jo 3:5,6; Tt 3:5).
r) O Espírito Santo é o autor da vida (Ez. 37:14; Rm 8:11-13).
s) O Espírito Santo é o distribuidor dos dons espirituais (1 Co 12:7-11).
t) O Espírito Santo é o conhecedor do coração do homem (Ez 11:5; Rm 8:26,27; 1 Co 12:10; At 5:3-9).
u) O Espírito Santo é conhecedor do futuro (Lc 2:26; Jo 16:13; At 20:23; 1 Tm 4:1; 1 Pe 1:11).
v) O Espírito Santo é salvador (Ef 1:13; 4:30; Tt 3:4,5).
x) O Espírito Santo é sábio (Is 11:2; Jo 14:26; Ef 1:17).

Deve ter sido árdua tarefa para os integrantes da STV manobrar todas essas passagens bíblicas de maneira tal que conseguissem inculcar na mente de seus adeptos essa crença tão irracional, que jamais uma pessoa conhecedora da Bíblia admitiria. A divindade do Espírito Santo não nasceu no Concílio de Nicéia, não foi invenção humana, mas é uma verdade que está exarada no Livro de Deus, e nele assim a encontramos e cremos.


Símbolos do Espírito Santo
Os símbolos do Espírito Santo são reflexo das suas múltiplas operações, e de maneira alguma comprometem sua personalidade e divindade. Em Lc 3:16, o Espírito Santo é ilustrado como fogo, porque o fogo aquece, ilumina e se espalha purificando. Não que ele seja um fogo desprovido de personalidade, pois a Bíblia também chama o Deus-Pai de “fogo consumidor”(Hb 12:29), sem contudo comprometer sua personalidade. Da mesma forma, com referência à água, pois em Jo 7:37-39 o Espírito Santo é ilustrado como a água. Assim como a água é indispensável à vida física de qualquer  ser vivo, da mesma maneira ela é indispensável à vida do crente. Ela refresca, refrigera e dá uma sensação de tranquilidade e bem-estar, e é isso que o Espírito Santo realiza na vida do crente.
Assim como é um vento, em Jo 3:8, representa a ação sobrenatural do Espírito Santo. Do mesmo modo que é um mistério a ação do vento aos olhos humanos, é um mistério a obra regeneradora do Espírito Santo. A pomba, em Jo 1:32, é o símbolo da mansidão, brandura, simplicidade, pureza, amor, paz, longanimidade, etc (Gl 5:22). A expressão “em forma”, em Lc 3:22, revela que o Espírito Santo desceu sobe Jesus numa aparência ou na figura de pomba, e não que ele seja uma pomba. A palavra grega aqui é eide e não morfe, como aparece em Fp 2:6, que revela a essência  e natureza da divindade de Cristo. A primeira significa mera aparência, e a segunda, a sua própria natureza e essência.

Nota
10 – Robertson, A. T. Imágens Verbales en el Nuevo Testamento, vol. 5, Clie, Madrid, 1990, página 279.

Fonte: Como Responder às Testemunhas de Jeová, Esequias Soares da Silva, Editora Candeia, 1995.

sábado, julho 14, 2012

O Espírito Santo e as Testemunhas de Jeová



A Sociedade Torre de Vigia (STV) nega a divindade e a personalidade do Espírito Santo. Ensina ela: “Quanto ao ‘Espírito Santo’, a suposta terceira pessoa da Trindade, já vimos que não se trata de uma pessoa, mas da foca ativa de Deus”.1 Depois da referida declaração, procura justificá-la com dois argumentos, que refutaremos à luza da Bíblia. Os argumentos das páginas 20 – 23 da brochura estão bem refutadas por Bowman, na obra Por que se Deve Crer na Trindade – Uma resposta às Testemunhas de Jeová.

1 – Como pode ser o Espírito Santo uma pessoa e se alguém cheio dele?
A organização faz a seguinte exposição:
“João, o batizador, disse que Jesus batizava com espírito santo, assim como João batizava em águas. Portanto, assim como a água não é pessoa, tampouco o espírito santo é pessoa”.2
Acrescenta ainda que a Bíblia fala de pessoas que foram “cheias do Espírito Santo”, de pessoas que foram “ungidas pelo Espírito Santo”. Então, questiona a STV, como pode ser o Espírito Santo uma pessoa? Como pode uma pessoa ou um grupo de pessoas serem cheio de uma pessoa? Com essas conclusões nega ser o Espírito Santo uma pessoa e simultaneamente a sua divindade.3
O Corpo Governante, porém, no mesmo livro ensina que Satanás é uma pessoa, nestes termos:
“Satanás, o Diabo, é uma pessoa real... Tanto Deus como o Diabo são pessoas espirituais”.4
No entanto, a própria Tradução do Novo Mundo (TNM), diz em Lucas 22:3: “Mas Satanás entrou em Judas, o chamado Iscariotes”. Agora sou eu quem pergunto às Testemunhas de Jeová: como pode um pessoa entrar na outra? Personalidade, portanto, não é corporalidade. Deus é pessoal, mas não tem corpo material: “Deus é Espírito” (João 4:24). Isso prova que a STV confunde o significado de personalidade.
Essa comparação, entre batismo no Espírito Santo e batismo nas águas, é muito pobre. É argumento inconsistente, uma vez que o batismo nas águas representa imersão nela, significado de uma nova vida com Cristo (Romanos 6:4,5), e o batismo no Espírito Santo significa ser alguém revestido dele. Em 1 Cor. 10:2 lemos que o povo de Israel foi batizado em Moisés. Então a STV deveria também negar a personalidade de Moisés. Como pode um povo ser batizado em Moisés?
O fato de alguém estar cheio do Espírito Santo, ou revestido dele, não quer dizer que ele seja impessoal. Para esses mesmos argumentos da STV nós temos a resposta com outra pergunta: Como pode ser Jesus uma pessoa e ser alguém morada dele? Disse Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (João 14:23). O apóstolo Paulo disse: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gálatas 2:20). Como a STV explica este fenômeno? Nega também a personalidade do Senhor Jesus Cristo por causa disso? Claro que não. Por que pois negam a personalidade do Espírito Santo, utilizando-se do mesmo argumento? Aí está o artifício da STV: usa dois pesos e duas medidas, sem a preocupação de ensinar a Bíblia, mas de impor crenças peculiares.

2 – Personalizar não prova personalidade
O Corpo Governante cita Provérbios 1:20-23; Mateus 11:19 e Lucas 7:35, querendo provar que a sabedoria personificada não é uma pessoa.5 Os “filhos da sabedoria” é uma expressão hebraísta que diz respeito aos efeitos ou às obras da sabedoria. A Bíblia não personaliza o Espírito Santo, pois não há necessidade disso, por ser ele uma pessoa. Em nenhum lugar da Bíblia diz que a sabedoria é uma pessoa, enm apresenta atributos pessoais e divinos. É o contrário do Espírito Santo. Esse argumento, portanto, da STV é tão paupérrimo que só pode convencer as Testemunhas de Jeová, e, mesmo assim, porque elas são privadas de examinar qualquer tratado teológico, fora de sua organização.

3 – O Espírito Santo não tem identidade pessoal?
A STV ensina que o Espírito Santo não tem identidade pessoal porque tal expressão ocorre 21 vezes no Novo Testamento sem o artigo.6 Os integrantes da STV não ensinam que o artigo grego aponta o objeto ou chama a atenção para ele, e que a sua ausência pode ou não indicar indefinição. O nome de Jesus ocorre mais de 900 vezes no Novo Testamento e aparece cerca de 350 vezes sem o artigo, e nem por isso Jesus deixa de ter identidade pessoal. Se a STV se preocupasse em ensinar a Bíblia, assim como ela é, e a defender sua doutrina sem preconceito, os seus “eruditos” teriam publicado (no lugar onde diz que o artigo definido não aparece 21 vezes, onde ocorre a expressão “Espírito Santo”) que 73 vezes o Espírito Santo aparece com o artigo definido. Não o fazem porque tal procedimento atrapalha a explanção de suas crenças, e com isso provam que a STV não merece confiança.

Notas
1 Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, página 40.
2 Op. Cit., página 40.
3 Raciocínios à Base das Escrituras, página 143.
4 Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, página 18.
5 Ajuda ao Entendimento da Bíblia, 1982, página 542, 543.
6 Op. Cit., página 543.

Fonte: Como Responder às Testemunhas de Jeová, Esequias Soares da Silva, Editora Candeia, 1995.

quarta-feira, abril 04, 2012

História das doutrinas católicas



As crenças católicas romanas passaram por várias alterações ao redor dos anos. Isso por si só não é ruim, já que algumas doutrinas levaram alguns anos para se consolidar. Mas no cristianismo, a maioria das grandes doutrinas foi bem fundamentada nos primeiros séculos. Uma diferença que se faz entre a fundamentação de uma doutrina e a criação de uma crença é que a primeira é o trabalho de teólogos de trabalhar em cima de crenças já existentes e buscar nas Escrituras se essas crenças são corretas ou não. A divindade de Cristo é um exemplo clássico. A igreja sempre acreditou nessa doutrina. Ela só passou a ser seriamente contestada no quarto século e precisou de uma defesa e fundamentação mais robusta. No segundo caso, uma doutrina é criada e o trabalho do teólogo é apenas o de confirmar isso, esteja essa confirmação nas Escrituras ou não. Acredito que a grande maioria das doutrinas católicas apresentadas abaixo se encaixem nessa segunda categoria.
Você pode ver a tabela original no blog Os Puritanos.

1. Orações pelos mortos, começaram em cerca de
300
2. Fazer o sinal da cruz
300
3. Velas, cerca de
320
4. Veneração dos anjos e santos falecidos e o uso de imagens
375
5. A Missa, como celebração diária
394
6. Começo da exaltação a Maria (o termo "Mãe de Deus" foi-lhe aplicado pela primeira vez pelo Concílio de Éfeso)
431
7. Os sacerdotes começaram a se vestir de maneira diferente
500
8. Extrema Unção
526
9. A doutrina do Purgatório, estabelecida por Gregório
593
10. O latim usado para orações e cultos imposto por Gregório I
600
11. Orações feitas a Maria, santos mortos e anjos, cerca de
600
12. Título de papa, ou bispo universal, dado a Bonifácio III pelo imperador Focas
607
13. Beijar os pés do papa, começou com o papa Constantino
709
14. Poder temporal dos papas, conferido por Pippin, rei dos francos
750
15. Adoração da cruz, imagens e relíquias, autorizada em
786
16. Água benta misturada com uma pitada de sal e abençoada pelo sacerdote.
850
17. Adoração de S. José
890
18. Colégio dos Cardeais estabelecido em
927
19. Batismo dos sinos, instituído pelo papa João XIII
965
20. Canonização dos santos mortos, primeira vez pelo papa João XV
995
21. Jejum nas sextas-feiras e durante a Quaresma
998
22. A Missa, gradualmente transformada em sacrifício com freqüência obrigatória no
século 11
23. Celibato do sacerd6cio, decretado pelo papa Gregório VII (Hildebrando).
1079
24. O rosário, oração mecânica por meio de contas inventado por Pedro, o Eremita
1090
25. A Inquisição, instituída pelo Concílio de Verona
1184
26. Venda de Indulgências
1190
27. Transubstanciação, proclamada pelo papa Inocente III
1215
28. Confissão auricular de pecados a um sacerdote e não a Deus instituída pelo papa Inocente III, no Concílio de Latrão
1215
29. Adoração da hóstia, decretada pelo papa Honório III
1220
30. A Bíblia proibida aos leigos, colocada no Index dos Livros Proibidos pelo Concílio de Valença
1229
31. O Escapulário, inventado por Simão Stock, um monge inglês
1251
32. O cálice proibido ao povo na comunhão pelo Concílio de Constança
1414
33. O Purgatório proclamado como dogma pelo Concílio de Florença
1439
34. A doutrina dos Sete Sacramentos confirmada
1439
35. A Ave Maria (parte da metade final foi completada 50 anos mais tarde e aprovada pelo papa Sixto V no final do século 16)
1508
36. A ordem dos Jesuítas fundada por Loyola
1534
37. A tradição declarada de autoridade igual à da Bíblia pelo Concílio de Trento
1545
38. Livros apócrifos acrescentados à Bíblia pelo Concílio de Trento
1546
39. O credo do papa Pio IV imposto como o credo oficial
1546
40. A imaculada conceição da Virgem Maria, proclamada pelo papa Pio IX..
1854
41. Sumário dos Erros, proclamado pelo papa Pio IX e ratificado pelo Concílio do Vaticano; condenava a liberdade de religiosa, de consciência, de expressão, de imprensa e das descobertas científicas, que eram desaprovadas pela Igreja Romana; assegurava ao papa autoridade temporal sobre todos os governadores civis
1864
42. Infabilidade do papa em questões de fé e moral proclamada pelo Concílio do Vaticano
1870
43. Escolas públicas condenadas pelo papa Pio XI
1930
44. Assunção da Virgem Maria (ascensão física ao céu logo depois de sua morte) proclamada pelo papa Pio XII
1950

terça-feira, outubro 25, 2011

Os comentários das testemunhas de Jeová


Continuamos de férias, mas sempre que tem um comentário no blog tentamos responder. E como achei os dois comentários abaixo interessantes, resolvi postar aqui. Eles são interessantes, mas não são novidades, especialmente porque conheço a fonte de cada um dos textos copiados aqui.
Sempre recebemos visitas de testemunhas de Jeová com comentário sobre nossas crenças. Alguns são bem legais. Outros são bem mal educados. Mas é sempre assim a interação dos seres humanos.
Hoje recebemos os comentários de alguém que acredito ser testemunha de Jeová, o Tompson. Eles podem ser lidos na postagem Resposta a uma Testemunha de Jeová. Recomendo a leitura do texto e dos comentário.

Tompson.
Maurilo, O ensino da trindade não é bíblico! The Encyclopædia Britannica diz: “Nem a palavra Trindade, nem a doutrina explícita ocorrem no Novo Testamento, nem intencionavam Jesus e seus seguidores contradizer a Shema [uma oração hebraica] no Antigo Testamento: ‘Ouve, ó Israel: O Senhor, nosso Deus, é um só Senhor’ (Deut. 6:4).” Os cristãos não adoravam a tríade romana, nem quaisquer outros deuses. Aceitavam a declaração de Jesus, de que é só a Jeová que se deve adorar. (Mateus 4:10) Além disso, acreditavam nas palavras de Cristo: “O Pai é maior do que eu.” (João 14:28) As Testemunhas de Jeová têm o mesmo conceito. Os primeiros seguidores de Jesus faziam uma nítida distinção entre Deus, Cristo e o espírito santo. Na realidade, batizavam discípulos (1) em o nome do Pai, (2) em o nome do Filho, e (3) em o nome do espírito santo, não no nome duma Trindade. De modo similar, as Testemunhas de Jeová ensinam a verdade bíblica e por isso conseguem distinguir a diferença entre Deus, seu Filho e o espírito santo. — Mateus 28:19.

Resposta.
Olá Tompson.
É preciso ter cuidado com citações de textos, especialmente quando você faz uma citação da citação. O texto da The Encyclopædia Britannica que você citou está incompleto, assim como está incompleto na brochura “Deve-se crer na Trindade?”, de onde eu acho que você tirou a citação. Algumas frases depois do textos citado por você, o texto da Britannica diz assim: “Assim, o Novo Testamento estabelece as bases para a doutrina da Trindade. A doutrina se desenvolveu gradualmente, através de vários séculos e por muitas controvérsias.”
O texto da Britannica afirma algo que também é afirmado pelos cristãos que acreditam no ensino bíblico da Trindade: a palavra não está no texto bíblico. Mas não precisa estar. A palavra Bíblia não está na Bíblia, mas ainda assim nós acreditamos nela. Corpo Governante não é uma expressão bíblica, mas ainda assim as testemunhas de Jeová mantém essa órgão dentro de sua instituição.
É verdade que o texto bíblico não ensina explicitamente a doutrina da Trindade. É um ensino implícito. Tanto que vários textos são utilizados para isso. Mas aqui, também, não vemos problema algum, já que as testemunhas de Jeová também possuem doutrinas que acreditam estar implícitas no texto. É o caso de acreditarem que Jesus e o Arcanjo Miguel são a mesma pessoa. Nenhum texto bíblico afirma explicitamente que ambos são a mesma pessoa. É apenas através da junção de alguns textos soltos uns dos outros e de contextos diferentes que a Torre de Vigia chega a conclusão herética que Jesus e Miguel são a mesma pessoa. Portanto, não existe nenhum problema aqui.
O shemá é verdadeiro. Veja o que a doutrina da Trindade afirma: existe apenas um Deus e ele co-existe em três pessoas. Não três deuses, mas um Deus. E eles não são a mesma pessoa. O Pai não é o Filho que não é o Espírito Santo que não é o Pai. Engraçado que o shemá em hebraico é “shemá israel adonai elohenu adonai echad”. A palavra para “um” é “echad”, mas é “um” no plural, não no singular. É o mesmo “um” de Gênesis 2:24.
Uma tríade romana não é o mesmo que a Trindade. A mais famosa era formada por Júpiter, Juno e Minerva. São três deuses, não um Deus que co-existe em três pessoas. Algo bem diferente da Trindade.
Os cristão até hoje distinguem o Pai, o Filho e o Espírito Santo. São três pessoas distintas, mas que são a mesma deidade. As pessoas não se confundem, nem mesmo os papéis dentro da Trindade. A única coisa que te fez acreditar que os cristãos bíblicos confundem as pessoas na deidade é um entendimento errado sobre a própria doutrina da Trindade ou você acha que Trindade e Modalismo são a mesma coisa, o que não são. Portanto, eu recomendo que você gaste um tempo estudando o que a doutrina da Trindade realmente ensina, pois a sua fonte de informação nesse assunto (Torre de Vigia) apresenta os dados de forma bastante distorcida.

Tompson.
Jesus ensinou seus discípulos a orar: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.” A Bíblia descreve nosso Pai celestial, cujo nome é Jeová, como superior ao Filho. Por exemplo, Jeová é “de eternidade a eternidade”. Mas a Bíblia diz que Jesus é “o primogênito de toda a criação”. O próprio Jesus ensinou que Jeová é maior do que ele, quando disse: “o Pai é maior do que eu.” (Mateus 6:9; Salmo 90:1, 2; Colossenses 1:15; João 14:28, ALA) Mesmo assim, a doutrina da Trindade afirma que o Pai e o Filho são “igualmente Deus”. Nas orações de Jesus, pode-se perceber claramente a superioridade do Pai em relação ao Filho, bem como o fato de que o Pai e o Filho são pessoas distintas. Um exemplo disso é a oração que ele fez antes de ser executado: “Pai, se tu quiseres, remove de mim este copo [ou seja, uma morte desonrosa]. Não obstante, ocorra, não a minha vontade, mas a tua.” (Lucas 22:42) Se Deus e Jesus são um “na sua essência”, como afirma a doutrina da Trindade, como poderia a vontade de Jesus ser diferente da vontade do Pai? — Hebreus 5:7, 8; 9:24. Além do mais, se Jeová e Jesus fossem a mesma pessoa, como podia um deles saber de coisas que o outro não sabia? Por exemplo, com respeito ao tempo em que o mundo seria julgado, Jesus disse: “Acerca daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.” — Marcos 13:32.

Resposta.
Tompson, como já expliquei em outro comentário, existem papeis diferentes dentro da Trindade. Existe uma subordinação entre as pessoas na deidade, mas isso não quer dizer que não possuem a mesma essência. Como já disse no comentário anterior, a mulher se subordina ao homem. Mas a mulher não é menos ser humano que o homem por causa disso. Assim, Cristo se subordina ao Pai, mas ele não é menos Deus por causa disso. Assim, orar ao Pai não é evidência que Jesus não é Deus, já que a oração deve ser feita no nome dele. Aliás, essa é uma prova que Jesus é Deus, já que Estevão orou para Jesus em Atos 7:59 “E atiravam pedras em Estêvão, enquanto ele fazia apelo e dizia: “Senhor Jesus, recebe meu espírito” (TNM). Estevão estaria cometendo uma blasfêmia se estivesse orando para Jesus sem esse ser Deus.
A Bíblia também diz que Jesus é eterno. Vejo o que diz Miqueias 5:2 “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.”
Esse texto se refere a Jesus, não ao Pai.
Você possui um entendimento errado sobre a oração de Jesus um pouco antes da crucificação. Ele não estava com medo da cruz. Ele não foi o primeiro nem o último a morre na cruz. Outros morreram na cruz de forma muito pior. Um dos grandes problemas da Torre de Vigia é possuir uma cristologia tão distorcida que muda a própria essência de Cristo. Ele não era um covarde com medo da cruz. O que ele sabia que ia encarar não era simplesmente a morte horrenda, mas sim a ira de Deus que seria colocado sobre ele em pouco também. “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53:5. Mas Cristo sempre se submete ao Pai. Ele não possuía uma vontade diferente do Pai. Ele expressa toda a sua humanidade naquele momento. Ele sabia que o cálice que ele estava para enfrentar era o cálice da ira de Deus (Isaías 51:17; Habacuque 2:16).
Como já foi dito antes, Jesus e o Pai não são a mesma pessoa. Dizer que a doutrina da Trindade ensina que eles são a mesma pessoa é desonestidade intelectual ou então falta de informação. Mas existe algo interessante sobre essa questão de um saber uma coisa e o outro não. Existe algo que Jesus sabe e que o Pai não sabe. Está em Apocalipse (Revelação) 19:12 “E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo.” Esse texto fala sobre Jesus. Até mesmo a Torre de Vigia reconhece isso. Somente Jesus sabe qual é esse nome escrito. O Pai então deixa de ser Deus por causa disso? Ou talvez tenhamos que harmonizar esses textos à luz de outros?
Jesus é Deus. Ele criou todas as coisas (João 1:3), assim, não pode ter criado a si mesmo. Se ele criou todas as coisas, nada do que existe, existe a parte dele. João 1:1 afirma que ele é Deus (a inserção de um por parte da Torre não muda o texto, só cria uma complicação para a própria organização). Isaías diz que viu a glória de Deus (Isaías 6:1) mas João afirma que Isaías viu a glória de Jesus (12:41). Compare também Isaías 8:13-14 e 1 Pedro 2:6-8. Jesus é a pedra de tropeço, assim como o é Jeová.
Por último, quando dizermos que Jesus é Jeová, não estamos dizendo que ele é o Pai. Jesus é Jeová, o Pai é Jeová e o Espírito Santo é Jeová.
Meu amigo, reveja seus conceitos. Você acredita em um Jesus que não existe, fruto da criação da Torre de Vigia, que só se sustenta pela ignorância bíblica do povo e pelas manobras de distorção do texto da Torre. Se arrependa dos seus pecados. Você pecou contra um Deus eterno, contra um Deus santo e somente a sua morte não é suficiente para pagar por isso. Imagine Hitler, que cometeu tantas atrocidades, ter morrido e nenhuma justiça ter sido feita com ele. Investigue a sua consciência. Você vai se apresentar perante Deus no dia do Julgamento e tendo crido em um falso Cristo, sofrerá condenação eterna pelos seus pecados. Arrependa-se, coloque sua fé no verdadeiro Cristo das Escrituras, que morreu na cruz no seu lugar e ressuscitou ao terceiro dia. Ele é Deus e te amou, a ponto de se entregar por você. Não siga o caminho do engano, que tem afastado milhões de testemunhas de Jeová do verdadeiro Deus. Existe salvação para você, uma salvação muito melhor do que a possibilidade de ser clonado por Jeová no Paraíso futuro. Pense sobre isso.

quinta-feira, abril 07, 2011

Diário de um evangelista: eu, um universalista?


A saga Rob Bell continua a toda nos EUA e em breve deve chegar aqui. Na verdade, alguns já estão traduzindo um ou outro texto em resposta as doutrinas universalistas de Rob Bell. Eu acho que a coisa só não pegou pra valer aqui porque ele não é tao conhecido, gracas a Deus, mas seus vídeos do Nooma fizeram algum sucesso entre os evangélicos mais “ cults” e um pouco de estrago foi feito. Vamos orar para não passar muito disso.

Mas essa historia toda me deixou pensando. Rob Bell é um universalista. Ele acredita que todo mundo vai ter uma segunda chance depois da morte. Apesar do claro ensino de Hebreus 9:27 que depois da morte vem o julgamento, ele acredita que, já que Deus é um Deus de amor, não vai mandar ninguém para o inferno. Todo mundo vai ser salvo pelo sacrifício de Jesus na cruz. Não importa suas crenças. Claro, ele teve que ignorar João 3:18 para chegar a essa conclusão. Rob Bell é um herege clássico pregando uma antiga e já muito bem refutada heresia.

Mas o que me deixou pensando é quantas vezes nós, que entendemos que a Bíblia não ensina o universalismo e o consideramos como heresia, não agimos como universalistas na pratica? É possível sermos exclusivistas (Jesus é o único caminho e crença somente nele faz é necessário) em nossa ortodoxia mas universalistas em nossa ortopraxia? Bom, ai deixaria de ser ortopraxia, mas isso é outra coisa.

Podemos ser universalista na pratica quando agimos como se as pessoas fossem ter uma segunda chance em outra vida, ou quando agimos como se todas as pessoas fossem automaticamente salvas, mesmo quando na teoria declaramos não acreditar nisso. Um bom exemplo é no evangelismo. Quando nos negamos a evangelizar, a compartilhar nossa fé com as pessoas a nossa volta, estamos sendo universalistas. O universalista não precisa se preocupar em levar a mensagem de Cristo para o mundo, porque o mundo já esta salvo. Mas aqueles que acreditam no julgamento que esta por vir, na ira de Deus contra os pecadores, não podem se negar ao trabalho de proclamação das boas novas.

Imagine você observando do lado de fora a casa do seu vizinho com um principio de fogo no telhado. Você olha para dentro e vê que seu vizinho esta aproveitando de um belo jantar junto a sua família, sem perceber do perigo que esta próximo. O que você faz? Vira as costas e vai embora? Somente chama os bombeiros (os especialistas) e fica olhando de longe? Ou você vai ate a casa do seu vizinho, bate na porta com toda a forca e chama a atenção dele para o fogo que esta chegando? Pense e responda para si mesmo.

Nessa cenário, o mais obvio seria tocar a campainha, pois o fogo ainda não alcançou seus vizinhos e eles podem ser salvos facilmente. Mas quando pensamos em evangelismo, ao invés de agir da maneira mais obvia, agimos como o vizinho que vira as costas e vai embora ou o que deixa o trabalho para os especialistas (evangelistas). Muitas vezes, é tarde demais para se tomar alguma ação.

Essa é uma questão que todos devemos pensar a respeito. É uma chamada para mim também. Eu sou muito bom em desperdiçar oportunidades de evangelismo. Não podemos desassociar nossas crenças de nossas práticas. O destino eterno das pessoas está em jogo. Não haverá segunda chance.

Vamos abandonar nosso universalismo prático e abracar o evangelismo como a proclamação do amor de Deus pela humanidade. Isso sim é amor. Que sempre vence.

quarta-feira, março 23, 2011

A arte de fazer perguntas: Rob Bell propaga o universalismo

Uma das formas de transmitir uma idéia e fazer a outra pessoa achar que a idéia é dela ou fazê-la considerar uma idéia oposta as suas é apresentar a nova idéia através de perguntas. Perguntas direcionadas. Isso é uma arte. Pode ser usada para o bem e para o mal. Rob Bell, famoso pelos seus vídeos da série Nooma, já há muito tempo provou que é um mestre na arte de fazer perguntas. Mas infelizmente, ele tem usado essas perguntas para, lentamente, desconstruir as crenças básicas do cristianismo e propagar o universalismo (crença que no final das contas, todos serão salvos, não importa suas crenças). Veja abaixo um vídeo promocional do novo livro de Rob Bell, Love Wins (O Amor Vence). Preste bastante atenção. Veja que, através de uma série de perguntas, Rob Bell coloca em cheque duas doutrinas básicas e importantes do cristianismo: punição eterna dos perdidos e salvação pela fé em Cristo. Veja o vídeo legendado:


Eu tenho uma amiga que gosta muito de Rob Bell. Ela assistiu os vídeos do Nooma e adorou. Fiquei triste quando soube disso, mas não esperava nada de diferente, já que ela tem um conhecimento bíblico mínimo e normalmente decide se algo é correto ou não pela sensação que causa e não pelo que está nas Escrituras. Rob Bell é bom em manipular as emoções. Mas não é o único. Leia abaixo um texto que Jeremy Grinnell, professor de teologia sistemática, escreveu em resposta ao vídeo promocional de Rob Bell. Através de uma série de perguntas, também é possível minar a propaganda universalista e apelar para as emoções para mostrar que um Deus que é amoroso, mas não aplica justiça, não pode ser confiável. Seria um irresponsável. E é esse deus que Rob Bell quer propagar.
Na verdade, uma cuidadosa leitura de João 3:18 a 21 seria o bastante para mostrar, a partir do texto bíblico, que o universalismo é um desvio doutrinário.
Abaixo, o texto em resposta a Rob Bell:

Muitos anos atrás eu estava passeando por um museu do holocausto e estava muito emocionado pelas imagens de sofrimento e brutalidade humana que eu vi por lá. E quase no final do passeio, em uma parede estava a foto de Hitler em pé na frente da Torre Eiffel em Paris. Eu e muitos que estavam comigo fomos atingidos pela idéia de Hitler aproveitando as belezas de Paris enquanto, no mesmo momento, uma das maiores atrocidades que o mundo já viu estava sendo levada a cabo pelas suas ordens.


Mas aparentemente, nem todo mundo viu da mesma forma.
Em algum momento nesse dia, alguém colocou uma nota manuscrita na foto, e na nota estava escrito: “tudo bem, porque Deus perdoou Hitler também.”
Deus perdoou ?
Ele perdoou?
E alguém sabe disso com certeza?
E teve a necessidade de contar para o resto de nós?
Será que a pessoa mais maldosa e impenitente do mundo, sendo o que ele era, ainda assim consegue ir para o céu?
E em relação à aquelas pessoas que não são tão ruins quanto ele – molestadores de crianças, racistas, traficantes.
E o resto de nós que só gritamos com nossos filhos, fechamos as pessoas na rodovia e sonegamos algum imposto?
O que faz o nosso mal menor e o de Hitler maior?
É o número de pessoas que você machuca? Ou o quanto você os machuca? Ou se alguém sabe? Ou se você tinha intenção ou não?
E se por acaso você foi a pessoa molestada ou seus entes queridos foram mortos por causa de sua etnia?
E então tem a pergunta por trás da pergunta. A verdadeira questão... Como Deus é?
Por que milhões e milhões aprenderam que a principal mensagem do evangelho de Jesus Cristo é que Deus está disposto a perdoar todo mundo não importa quem sejam ou qual maldade tenham cometido contra o resto de nós.
Então o que é sutilmente entendido e ensinado é que Deus está disposto a perdoar os causadores de maldade, não importa se suas vítimas viram justiça ou não. Esse Deus está disposto a deixar passar coisas que nós não devemos deixar.
Mas que tipo de Deus é esse?
Pode um Deus tão desinteressado em justiça ser bom?
Como esse Deus pode ser confiável?
Como isso pode ser... boas... novas?
É por isso que tantas pessoas não querem ter nada a ver com a fé Cristã.
Eles vêem tudo isso como uma lista de absurdos e inconsistências e dizem “por que eu iria querer fazer parte disso?”
Veja que o que acreditamos sobre o céu e o inferno é incrivelmente importante porque expõe o que acreditamos sobre quem Deus é e como Deus é.
O que você descobre na Bíblia é tão surpreendente e inesperado e belo que, seja lá o que for que aprendemos ou fomos ensinados, as boas novas são bem melhores do que podemos imaginar.
As boas novas são pura e perfeita justiça, sem acusações erradas, sem punição que não corresponde ao crime, sem motivos escondidos, sem dor e sofrimento não relacionados. Mas a verdadeira compensação para todos que já foram machucados ou traídos.
As boas novas são que “a justiça vence”.

“Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus”.
João 3:18-21

quinta-feira, março 17, 2011

Uma frase sobre a igreja emergente


Frase que eu ouvi essa semana:
"A igreja emergente: porque toda geração precisa de um evangelho social para substituir o verdadeiro".

Também poderia ser colocado da seguinte forma:
"A igreja emergente: porque toda geração precisa de um evangelho confuso para substituir o verdadeiro".

sábado, setembro 25, 2010

O livro de Judas e a doutrina do Inferno


Hoje, quando estava indo para o trabalho, li uma passagem do livro de Judas (outro Judas, não o que traiu Jesus) que dizia o seguinte:

“aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia, assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Judas 6-7).

Quando li esse texto imediatamente pensei na força apologética desses versículos para uma robusta defesa da doutrina bíblica do inferno. Claramente esse texto nos diz que a) anjos estão reservados em prisões na escuridão; b) essas prisões são eternas; c) ele aguardam o grande dia do juízo; d) que Sodoma e Gomorra servem como exemplo; e) e que sofrem (ato contínuo) f) a pena do fogo eterno. Não é a primeira vez que eu vejo essa passagem, mas foi a primeira vez que ela se destacou para mim. Já devo tê-lo visto em algum texto de teológico.
Enfim, passei o dia pensando em como a Torre de Vigia poderia negar a claridade dos ensinos desse texto em relação ao tormento eterno de pecadores. Quando cheguei em casa (após devorar uma deliciosa pizza), abri minha Tradução do Novo Mundo (TNM), a famosa tradução das Escrituras das Testemunhas de Jeová e li essa mesma passagem.
Em um texto truncado, lê-se o seguinte:

“E os anjos que não conservaram a sua posição original, mas abandonaram a sua própria moradia correta, ele reservou com laços sempiternos, em profunda escuridão, para o julgamento do grande dia. Assim também Sodoma e Gomorra, e as cidades em volta delas, as quais, da mesma maneira como os precedentes, tendo cometido fornicação de modo excessivo e tendo ido após a carne para uso desnatural, são postas diante [de nós] como exemplo [de aviso] por sofrerem a punição judicial do fogo eterno”.

Existe uma escolha de palavras aqui para que o texto seja desfigurado e reflita um entendimento teológico pré-concebido que vai definir a tradução. Essa posição também é demonstrada pela inserção de duas palavras que não existem no texto original [de nós] e [de aviso]. Segundo a própria TNM, quando uma palavra está em colchetes, ela não se encontra no original e foi inserida pelos tradutores.
Ainda assim, não consigo imaginar como alguém pode negar a doutrina do inferno eterno quando se tem um texto tão claro em relação isso. E esse não é o único.
O maior perigo para a Torre de Vigia é que uma testemunha de Jeová comece a ler a Bíblia por si mesmo, sem necessitar dos livros auxiliares para entendimento das suas doutrinas. Pois pela simples leituras das Escrituras, ninguém até hoje (que eu conheça ou tenha ouvido falar) se tornou testemunha de Jeová.
Como já dizia Charles Taze Russel:
"Não somente achamos que as pessoas não podem ver o plano divino estudando por si a Bíblia, como vemos, também, que se alguém puser de lado 'Studies in the Scripture' (Estudo das Escrituras, livro do profeta falso Charles Taze Russel) mesmo depois que os tiver usado, depois que os tiver lido durante dez anos -- e os ignora e vai para a Bíblia sozinho, ainda que ele tenha entendido sua Bíblia durante dez anos, nossa experiência mostra que ele vai para as trevas. Por outro lado, se ele tivesse apenas lido 'Studies in the Scripture' com suas referências e não tivesse lido uma página da Bíblia como tal, ele estaria na luz no fim de dois anos, porque ele teria a luz das Escrituras." (Watchtower, 15 de setembro de 1910)

sexta-feira, agosto 06, 2010

A mãe da heresia (não é o senhor da pintura abaixo. Ele também não é o pai...)

Um puritano estiloso em seus cabelos e rigoroso em sua teologia

Estou lendo o livro Smart Faith: Loving your God with all your mind (Fé Esperta: Amando o seu Deus com toda a sua mente) de J. P. Moreland and Mark Matlock. Já nas primeiras páginas, uma frase me chamou a atenção e eu vou compartilhar com vocês, já que nesse final de semana não vamos ter atualizações no blog. Vou estar em Miami cuidando da vida.
Vejam se a frase abaixo não é a mais pura verdade:

"Ignorância é a mãe não da devoção, mas sim da heresia"
Cotton Mather (puritano)

sábado, junho 26, 2010

Michael Jackson e as Testemunhas de Jeová: um ano depois


No dia 25 de Junho de 2009, uma quinta-feira qualquer, eu estava em casa, me recuperando de uma inflamação na garganta. Quando liguei a televisão, vi que estavam passando em um canal vários clipes do Michael Jackson em seguida. Achei aquilo estranho. Uma pequena faixa informativa no canto inferior da tela dizia que “de acordo com o site TMZ, Michael Jackson acaba de falecer” ou alguma coisa assim.
Ficamos curiosos com essa informação e fomos verificar na internet. Apesar da confusão que foi usar o Google e outras ferramentas da web (veja essa reportagem sobre o assunto), tudo parecia confirmar que realmente ele havia morrido.
Algumas horas depois (e mais algumas confirmações) peguei o nosso laptop e comecei a escrever um texto sobre o passado de Michael Jackson como testemunhas de Jeová. Pouca pesquisa foi necessária para levantar alguns dados, já que a vida de Michael sempre foi amplamente documentada.
Escrevi o texto e fui dormir. Esse seria apenas mais um texto de nosso blog lido por um ou outro visitante que ali chegasse por acidente ou por nosso poucos mais queridos seguidores. Mas a coisa não foi bem assim.
No dia seguinte a publicação do texto, nosso blog bateu recordes de visitas. Milhares de pessoas acessaram e leram nosso texto. Centenas comentaram (a sua grande maioria, testemunhas de Jeová irritadas). Dezenas de emails, tanto de protesto quanto de apoio. Novos contatos foram feitos, novas pesquisas levantadas e parte do rumo de nosso ministério foi influenciado por esse dia. Vários blogs e sites publicaram o texto sobre Michael Jackson.
Fomos apresentados a várias ex-testemunhas de Jeová e aprendemos muito sobre essa seita, muito além do que imaginávamos. Foi uma grande jornada pela defesa da verdade e que não terminará tão breve. Além de um retorno ao início da minha adolescência como testemunha de Jeová.
Mas acima de tudo, o mais importante foi que pudemos compartilhar o evangelho com milhares de pessoas em um curto espaço de tempo e para minha alegria, uma boa maioria era de testemunhas de Jeová. Quantas se converteram ao verdadeiro cristianismo? Não sabemos. Quantas largaram essa seita? Também não sabemos. Mas isso é o menos importante para nós. O que realmente importa é ser fiel aquilo que o Senhor tem nos orientado. Ele sabe quem foi transformado pela Palavra. Ele conhece esses números. Pois são todos para Sua glória.
Além do texto principal que deu início a tudo isso, outros textos se seguiram.
Veja abaixo uma lista dos textos sobre as testemunhas de Jeová e a Torre de Vigia.
Queremos agradecer a todos as pessoas que nos ajudaram nesse último ano em nossa jornada pela propagação da verdade para aqueles que estão presos às garras do corpo governante. Continuem orando para que o verdadeiro evangelho possa alcançar as vidas das testemunhas de Jeová e elas possa verdadeiramente ser salvas.

O texto que deu origem a tudo:

E os que se seguiram:

















quinta-feira, junho 03, 2010

Querem tirar a Cruz de nossas Bíblias


Existem algumas palavras que se tornaram quase um palavrão na movimento evangélico. Ortodoxia é uma delas. Teologia é outra. Teologia correta é uma expressão que dá medo nos novos gurus do evangelicalismo.
É engraçado que pessoas como Ricardo Gondim fazem uma caricatura horrendo daqueles que acreditam nas doutrinas clássicas do cristianismo, na maioria das vezes utilizando-se de uma má representação de nossas posturas embalada em frases de efeito.
Não acredito que haveria outra forma de fazer isso porque jamais conseguiriam utilizando-se das Sagradas Escrituras para o mesmo.
É uma pena.
Querer apagar o cristianismo (a cruz) de suas Bíblias para substituílo por puro humanismo.
É como disse Tim Challies: eles até amam Jesus, mas odeiam Deus.

sábado, maio 22, 2010

As Testemunhas de Jeová refutadas versículo por versículo

Um dos mais excelentes livros para uso no estudo e evangelização de Testemunhas de Jeová é o livro "As Testemunhas de Jeová refutadas versículo por versículo. Ainda estou para achar um livro tão útil quanto esse.
Abaixo você pode ler o livro em sua versão on line ou pode baixá-lo para seu computador.
O mais legal é que essa edição é: legal, pois David A Reed liberou os direitos para publicação na internet.
Leia. Releia. Estude. E coloque em prática.

Existe alguma esperança para as Testemunhas de Jeová que morrerem antes do Armagedom?


Eu estava lendo Estudo Perspicaz das Escrituras e cheguei na parte sobre a ressurreição. E percebi que existe uma falha terrível no raciocínio da Torre de Vigia (novidade) que se for percebido pelos seguidores dessa religião, pode fazer com que muitos deles caiam fora do barco religioso. O interessante é que muitos não percebem essa falha. Alguns porque estão tão ocupados com a quantidade absurda de leitura e respostas automáticas (as respostas já estão enumeradas nas literaturas) que não tem tempo de raciocinar sobre o que estão lendo. Outros, porque não se pode questionar o corpo governante. Se falaram que é assim, é assim. Se falarem que vacina é prejudicial à saúde, todos vão aderir. Ah, isso já aconteceu. Deixa pra lá. Mas outros simplesmente não percebem essa falha porque falta capacidade cognitiva para isso, seja porque nunca a tiveram, seja porque a leitura em excesso da Sentinela levou a esse estado atrofiado.
Minha tese é simples e responde à pergunta desse post, que é “existe esperança para as Testemunhas de Jeová que morrerem antes do Armagedom?'' Minha tese é: não! Todas as Testemunhas de Jeová que morreram antes do Armagedom não possuem qualquer tipo de esperança. A bem da verdade, todas vão ter exatamente o mesmo destino daqueles que não são Testemunhas de Jeová. Também terão o mesmo destino dos apóstatas e dos mais terríveis dos seres humanos. A bem da verdade, eles serão tratados por Jeová da mesma forma como Jeová tratou Hitler, Mao Tse-tung, Stalin e tantos outros. E todas essas afirmações estão sendo feitas com bases nos próprios escritos da Torre de Vigia. Na verdade, eu estou utilizando o Estudos Perspicaz das Escrituras (EPE), o livro mais parecido com teologia sistemática para uma Testemunha de Jeová (eles não gostam de usar a mesma terminologia do cristianismo, é parte da formação de identidade quando se cria uma seita) e uma edição da revista A Sentinela.
Vamos então explorar o texto e ver como essa afirmação (não há esperança para eles) é uma conclusão lógica dos ensinos da Torre.
Começando com a frase a seguir, retirada de EPE, volume 3, página 436: “Por todas as Escrituras torna-se evidente que não existe nenhuma 'alma imaterial' separada e distinta do corpo. A alma morre quando o corpo morre. Até mesmo sobre Jesus Cristo está escrito que 'esvaziou a sua alma até a própria morte'. Sua alma estava no Seol. Durante esse período, ele não existia como alma ou pessoa. (Is 53:12; At 2:27; compare isso com Ez 18:4; veja ALMA.) Por conseguinte, na ressurreição, não há uma nova junção da alma com o corpo.”
Segundo essa declaração, é crença da Torre de Vigia que quando uma pessoa morre, não apenas seu corpo morre, mas também a alma. A pessoa deixa de existir. Totalmente. Não existe mais nada que possa ser considerado como pessoa. Inclusive a alma. Ou espírito. Absolutamente nada sobrevive à morte. As Testemunhas de Jeová acreditam tão piamente nisso que chegam a ponto de alegar que mesmo Jesus Cristo deixou de existir pelo tempo que se passou entre sua morte e ressurreição. Apesar de ser uma crença contrária às Escrituras (vou tentar escrever sobre isso com mais detalhes em outro momento), vamos aceitar essa crença como se fosse verdadeira por causa do argumento que está sendo apresentado. É nela que a falha reside.
Uma crença também importante das Testemunhas de Jeová é que o próprio Jeová irá ressuscitar aqueles que morreram antes do Armagedom (todos aqueles que eram Testemunhas de Jeová fiéis, além dos que morreram antes do surgimento da Torre de Vigia e mais algumas pessoas). Mas se a pessoa deixou de existir, como então poderá Jeová ressuscitá-las? O parágrafo seguinte de EPE explica essa dúvida:
“Mas será que o velho corpo é reajuntado na ressurreição? Ou trata-se duma réplica precisa do corpo anterior, feita exatamente como era quando a pessoa morreu?...
...Os celestiais recebem um corpo espiritual, pois apraz a Deus que tenham corpos apropriados para o meio ambiente celestial. Mas, àqueles a quem Jeová se agrada em levantar para uma ressurreição terrestre, que corpo Ele lhes dá? Não poderia ser o mesmo corpo, tendo exatamente os mesmos átomos. Se um homem morre e é sepultado, o seu corpo, mediante o processo de decomposição, converte-se em substâncias orgânicas que são absorvidas pela vegetação. Pessoas talvez comam tal vegetação. Os elementos, os átomos daquela pessoa original, acham-se agora em muitas outras pessoas. Na ressurreição, é óbvio que os mesmos átomos não podem estar na pessoa original e em todas as outras, ao mesmo tempo".
Segundo EPE, aqueles que forem ressuscitados no Armagedom não receberão o mesmo corpo, uma vez que aquele foi destruído. Nem mesmo os átomos poderão ser o mesmos. Portanto, é criado um novo corpo para os ressuscitados. Mas isso impõe uma questão interessante: se a alma é igual a vida que é igual ao corpo (no sentido que se um morre, o outro morre, se um deixa de existir o outro deixa de existir) e o corpo antigo foi destruído (assim como a alma) e um novo corpo, com nova vida (e nova alma, por assim dizer) está sendo criada, não seria essa pessoa uma nova pessoa? Como poderia essa nova pessoa que está sendo ressuscitada/criada a mesma pessoa que deixou totalmente de existir no momento da morte? Lembre-se que não existe uma alma/espírito que será introduzida nesse novo corpo. Tudo isso deixou de existir. Aquela pessoa não existe mais. Nenhuma traço dela existe mais. Já que corpo é igual a alma, novo corpo não seria o mesmo que nova alma?
Existe uma tentativa de resposta a esse questionamento na revista A Sentinela de 1 de Abril de 1999, página 18, parágrafo 17:
“Visto que Jeová Deus é infinito em sabedoria e tem memória perfeita, ele pode facilmente ressuscitar alguém. Para ele não é problema lembrar-se do padrão de vida dos falecidos — de seus traços de personalidade, da sua história pessoal e de todos os pormenores da sua identidade”.
A resposta para a questão é simplesmente a seguinte: Jeová irá recriar todos os traços de personalidade da pessoa falecida. Suas memórias, sua história pessoal, sua personalidade, “todos os pormenores da sua identidade.”
É uma boa resposta. Mas que se levada a sério, implica em uma conclusão bastante óbvia: esse novo ser é uma nova pessoa. Não é a mesma. É uma cópia melhorada, mas ainda assim não é a mesma pessoa. É um novo corpo, melhorado, com uma cópia das memórias da pessoa antiga. Mas ainda assim é uma nova pessoa. Não existe continuidade da vida antiga para a nova vida. Como nada daquela pessoa sobreviveu, não existe um material básico sobre o qual a nova vida é constituída. Tudo é absolutamente novo. O corpo “ressuscitado” na verdade deveria ser chamado de clonado, pois é basicamente a mesma coisa. Jeová usa sua memória para recriar a nova pessoa. Tanto o físico quanto a alma. Tudo do zero.
Para ilustrar de forma mais clara toda essa situação: imagine que eu sofra um acidente que me deixe em estado de coma e com poucos dias de vida. E nesse cenário imaginário, a ciência avançou o suficiente para ser capaz de clonar meu corpo exatamente como ele está. Não só isso, também é capaz de gravar em um HD cada uma das minhas memórias, meus pensamentos, tudo o que eu aprendi. Ou seja, cada pormenor da minha identidade, de forma perfeita.
Após gravar todos esses dados e copiar meu DNA, eu vou a óbito. Os cientistas então fazem um clone a partir do meu DNA e transferem todo o conteúdo da HD para o cérebro desse meu clone. Quando ele é despertado, ele pensa, age e reage como eu reagiria nas situações que se apresentassem. Esse meu clone acreditaria piamente que era eu. Mas isso levanta a pergunta: esse clone seria eu? Ou seria uma outra pessoa, com todas as minhas características?
A única conclusão lógica é que é uma nova pessoa, ainda que acreditasse ser eu. Eu deixei de existir. Não experimento mais nada nessa vida. Me clone “pegou o bastão”, por assim dizer, da minha vida da onde eu larguei. Mas é ele quem está vivendo agora, não eu.
E é por esse processo de clonagem que as Testemunhas de Jeová trabalham diligentemente. Todas aquelas que morrerem antes do Armagedom deixarão de existir. Jeová, de acordo com as suas crenças, irá criar um clone de cada uma. Mas será esse clone que irá desfrutar dos benefícios da vida eterna na terra. Não será a pobre Testemunha de Jeová que trabalhou tanto por sua salvação que irá viver para sempre. Será outra pessoa.
Por isso que eu posso afirmar confiantemente, com base nos próprios escritos da Torre de Vigia que não existe esperança para as Testemunhas de Jeová que morrerem antes do Armagedom. Elas trabalham para que uma outra pessoa, um outro ser humano desfrute no futuro.
Elas trabalham em vão.

Ps: para sorte das Testemunhas de Jeová, os ensino bíblico sobre a alma e vida após a morte é bem diferente do que é ensinado pela Torre de Vigia. Assim sendo, existe esperança para as Testemunhas de Jeová, desde que elas abandonem essa religião falsa e sejam salvas pelo verdadeiro Jesus Cristo, aquele que se revelou nas Escrituras. Leia o texto “A pergunta de um milhão de dólares” na lateral dessa página e você verá que existe uma esperança.

terça-feira, abril 13, 2010

Igreja Universal e a Teologia da Prosperidade


Hoje pela manhã estávamos lendo no UOL sobre vídeos de pastores da igreja Universal ensinando seus liderados como tirar dinheiro das pessoas mesmo durante a crise de 2008.
Apesar do absurdo do vídeo, o que me chamou a atenção não foi somente o treinamento financeiro dos pastores. O que mais me chamou a atenção foi a nota da igreja para a Folha, dizendo o seguinte:
"Como já explicado reiteradas vezes à Folha de S. Paulo, a Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) é uma denominação evangélica neopentecostal que possui como doutrina a Teologia da Prosperidade. Ou seja, acredita na intervenção divina também para o bem-estar material do homem. O exercício de fé pregado por seus bispos e pastores tem como único fundamento a prática dos ensinamentos da Bíblia"
De acordo com essa nota, a Iurd assume que prega a Teologia da Prosperidade. Provavelmente isso não seja uma novidade, mas é o bastante para considerar essa igreja como uma instituição herege. Se eles assumem que ensinam esse desvio doutrinário, que deturpa o evangelho, gera adoração a um deus que não existe e torna o objetivo da vida do cristão o aqui e o agora, então, não podemos considerar essa igreja como ortodoxa e parte da fé cristã. Assim como outras organização pseudo-cristãs (Torre de Vigia, IJSUD, Adventistas e tantas outras), a Iurd se afastou dos ensinos do cristianismo bíblico (se é que algum dia esteve próximo).
Algo que para mim encerra esse argumento é que se a Teologia da Prosperidade for verdadeira, nenhum dos doze apóstolos poderiam ser considerados cristãos, porque nenhum deles viveu uma vida próspera. Muito pelo contrário. Veja a baixo quadros que mostram o destino de Estevão, Pedro e Paulo.
Além disso, o próprio Jesus seria uma vergonha para esse evangelho. Veja o que Jesus diz para um jovem que queria segui-lo:
“Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Lucas 9:58
Animador não?
O maior inimigo da Teologia da Prosperidade é o evangelho que se encontra nas Escrituras.




sábado, julho 25, 2009

Os evangélicos conseguem identificar uma heresia? Se for n'A Cabana, não.


Normalmente, quando estou no ônibus, indo ou vindo do trabalho, não costuma muito abordar as pessoas para fazer evangelismo porque esse é meu momento de aprendizagem, já que ouço a vários podcasts em meu ipod, como Wretched Radio, Stand to Reason, Reasons to Believe, Sience news Flash, William Lane Craig e outros. Mas um dia desses, voltando do trabalho, me sentei ao lado de uma moça que estava lendo A Cabana, de William P. Youg. Eu vi que ela estava na última página do livro, então resolvi esperar que ela terminasse de ler e assim que ela fechasse o livro, teria uma conversa com ela sobre o que achou do livro. Torcendo claro, que ela não descesse do ônibus antes disso.
Assim que ela fechou o livro eu perguntei a ela o que ela achou do livro. “Muito bom né? Nossa, um ótima história sobre relacionamentos” ela respondeu. “Qual tipo de relacionamento? Entre pessoas ou com Deus”? “Com Deus” ela disse, “é uma ótima história como Deus nos ama e quer se relacionar conosco”. Fique curioso para saber qual religião ela era (apesar de já ter uma idéia) e ela me confirmou que era evangélica. Perguntei se ela indicaria esse livro para alguém não cristão e ela disse que sim.
Minha curiosidade foi aumentando “você não viu nada de errado no livro? Nada que seja contrário ao que a Bíblia diz”? E ela me respondeu “não, nada mesmo. Deveria”?
Comecei a explicar para ela que, apesar de ser um livro bem escrito e com um grande apelo emocional (no final das contas é por isso que tanta gente gosta do livro), algumas coisas me chamaram a atenção, algumas declarações como a que se encontra na página 107 da edição brasileira “Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestinos. Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em irmãos e irmãs, em meus amados”. Perguntei a ela se essa declaração combinava com a de Jesus em João 14:6 “eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. Ela me disse que não, que essa frase do livro é bem diferente do que está na Bíblia. “Imagine alguém que não é cristão e lê isso, o que essa pessoa vai pensar”? “Que não é necessário vir a Cristo para ser salvo” foi a resposta que ela me deu. Eu perguntei se ela concordava com a visão ortodoxa que para alguém ser salvo, essa pessoa precisa se arrepender de seus pecados e colocar sua fé em Jesus Cristo, que não existe “cristão anônimo”, que ninguém pode ser salvo sem um relacionamento pessoal com Cristo. Ela disse que sim. “Portanto, essa é uma grande heresia em um livro que muitas pessoas estão lendo, não é verdade”? “Sim, foi meu pastor que me indicou”. Ai, ai, fica pior a cada minuto. Conversamos um pouco mais sobre uma e outra heresia desse livro, que é tudo menos cristão.
Logo depois eu precisei descer, mas pela cara que a moça ficou, consegui deixar uma pedra em seu sapato (ou em sua mente). Ela realmente ficou pensando sobre isso.

Eu fico maravilhado com a incapacidade em geral dos evangélicos de perceber heresias, mesmo quando elas estão a menos de um palmo do nariz. Eu acho que isso tem a ver com a falta de uma visão bíblica de mundo. Menos de 11% dos cristão lêem a Bíblia regularmente. Não existe cobrança por parte de pastores e líderes para que suas ovelhas se alimentem com regularidade das Escrituras. E a grande maioria das mensagens são sobre vitória e como consegui-la (como uma que vi essa manhã de uma famosa igreja no Brás, em São Paulo. O pastor ali é um mestre do origami bíblico). Em um cenário como esse, não é difícil entender como a moça do ônibus (e muitos outros evangélicos) não conseguem ver as heresias explícitas da Cabana.
Quando cheguei em casa, peguei uma versão que tenho da Cabana e dei uma olhada rápida. Veja quantas heresias pude identificar em pouco minutos:
- “Em Jesus eu perdoei todos os humanos por seus pecados contra mim, mas só alguns escolheram relacionar-se comigo (...) Quando você perdoa alguém, certamente liberta essa pessoa do julgamento, mas, se não houver uma verdadeira mudança, não pode ser estabelecido nenhum relacionamento verdadeiro”. (página 135).
Deus está explicando para Mack sobre perdão. Diz que todos já receberam o perdão de seus pecados em Cristo e como já foram perdoados, não existe julgamento vindouro para ninguém. Será que é isso que a Bíblia diz? João 3:18 “Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”. Romanos 2:5 “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus”.
- “Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos”.
Isso é modalismo (ou sabelianismo), uma antiga heresia que a igreja combateu no século três. O modalismo ensina que a Trindade não é composta de três pessoas, mas de uma. O Pai é o Filho que é o Espírito Santo que é o Pai. Uma só pessoa que a cada momento se manifesta de diferentes formas a cada momento. Se eles são a mesma pessoa (uma afirmação que contradiz a Bíblia e o próprio restante da Cabana), como podem os três estar presentes no batizado de Jesus (Mateus 3:17-17). E para quem Jesus orou? (Mateus 26:39, Marcos 14:39). Somente Jesus se tornou humano, se fez carne (João 1:14).
- “Papai não respondeu, apenas olhou para as mãos dos dois. O olhar de Mack seguiu o dela, e pela primeira vez ele notou as cicatrizes nos punhos da negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele.
- Jamais pense que o que meu filho optou por fazer não nos custou caro. O amor sempre deixa uma marca significativa - ela declarou, baixinho e gentilmente. - Nós estávamos lá, juntos.
Mack ficou surpreso.
- Na cruz”? (pagina 53 e 54).
Segundo A Cabana, o Pai e o Espírito Santo (uma mulher asiática que parece fã de maconha) foram crucificados com Cristo. É isso o que a Bíblia ensina? Isaías 53:10 diz que “foi da vontade do Senhor esmagá-lo”. Leia todo o capítulo 53 de Isaías. Deu não pode olhar para o pecado (Habacuque 1:13) e Deus o fez pecado por nós (2 Coríntios 5:21). Somente o Filho foi crucificado. Uma amiga disse para mim que isso é irrelevante. Mas não é, pois seu os três estavam juntos na cruz, quem estava derramando sua ira sobre eles? Para quem eles apresentaram um sacrifício pelo nosso pecado? (Hebreus 9:26).
- “Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro. Meu objetivo não é castigar. Minha alegria é curar” (página 68).
Essa frase tem um apelo emocional muito forte, mas é contrário aos ensinamentos das Escrituras. Deus não tem o culpado por inocente (Êxodos 34:7) e Ele julgará toda a Terra em justiça (Salmo 96:13). Os textos de João e de Romanos que já vimos afirmam justamente isso. Leia também 2 Timóteo 4:1. A Bíblia apresenta um quadro bastante diferente da Cabana.

Essas são apenas algumas das heresias encontradas nesse livro. Uma leitura cuidadosa pode revelar muitas outras. Leia nosso post sobre as 13 Heresias da Cabana.
Infelizmente, esse livro tem feito sucesso no meio evangélico. Muitos são enganados pelas mentiras ali colocadas, já que essas mentiras estão envoltas em um invólucro emocional e apelam bastante para uma imagem de Deus que agrada a muitas pessoas. Uma pena que o deus apresentado no livro A Cabana nada tem a ver com o Deus das Escrituras.
Acho que nada representa isso melhor do que uma frase dita pelo autor do livro em uma entrevista para a revista Purpose Driven Connection, a nova revista do famoso pastor americano Rick Warren (só poderia mesmo sem nessa revista...) “por todo o país, eu encontro pessoas não religiosas que leram o livro, compraram cópias para seus amigos religiosos e disseram para eles 'eu gosto do Deus da Cabana muito mais do que o seu'”. É claro que essas pessoas gostam mais desse deus. Ele satisfaz melhor as necessidades que as pessoas têm de possuir um deus feito por elas mesmas. É por isso que esse livro faz sucesso entre os não religioso. A Cabana aproxima as pessoas do deus do livro e as afasta do Deus das Escrituras.
Meus irmão evangélicos, por favor, ganhem uma visão bíblica de mundo. Leiam as Escrituras. Não sejam facilmente enganados por qualquer um que venha com um apelo emocional.
Citar 2 Timóteo 3:16 e 17 nunca é demais “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra".
Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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