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quinta-feira, agosto 02, 2012

Jesus e seu plano para acabar com a pobreza



A pobreza e a existência dos pobres é o maior sinal de que o projeto original de Deus foi subvertido pela injustiça humana.
Pobreza é fruto da injustiça. É uma ameaça à vida.
A espiritualidade de Jesus, é a espiritualidade da vida com abundância para todos, é a espiritualidade que dá vida para que outros tenham vida.

Essa frase foi publicada ontem no Facebook por um deputado estadual que está em franca campanha para promover sua esposa como candidata a vereadora. Ele também é pastor evangélico de uma igreja com uma boa representatividade na cidade de São Paulo. Já que é ano de eleição, eu pretendo escrever alguma coisa sobre políticos pastores ou pastores políticos, ou algo assim. A questão de pastores se tornarem políticos se tornou tão corriqueira e natural que pouca reflexão se tem dado ao assunto. Mas esse assunto fica para outro dia. O que eu quero desafiar é a veracidade da aceitação acima. Será que a pobreza é o maior sinal que o projeto de Deus para a humanidade foi subvertida? O plano original de Deus para o homem era a riqueza? O subverter do plano de Deus foi a injustiça humana? A pobreza é fruto da injustiça?
Em ano de eleição, frases de efeito são importantes, até porque elas ofuscam a costumeira falta de plano dos candidatos. Isso acontece com todos os candidatos, sejam eles evangélicos ou não. Mas o quanto eles deveriam deixar que o marketing eleitoreiro influenciasse a sua teologia? O que deveria nos informar sobre os planos de Deus e o que aconteceu com ele? A política? A sociologia? Filosofia talvez? Ou devemos nos ater ao que a Bíblia diz sobre o assunto e nos informar através dela?
O raciocínio acima parte do princípio que a pobreza é o mal maior a ser erradicado. Ele parte do princípio que o plano original de Deus para o homem era a riqueza e que ninguém deveriam ser pobre. Que a causa da pobreza é a injustiça. Com Jesus é colocado na frase, a única conclusão lógica é que a principal obra de Jesus no mundo seria erradicar a pobreza. Admito que isso não é afirmado na frase acima, mas todo o resto o é. Ora, se o objetivo maior do plano de Deus é que o homem não seja pobre (seja rico, tenha em abundância) e se Jesus veio a Terra cumprir o plano de Deus, então, Jesus veio a Terra acabar com a pobreza. É a única conclusão lógica.
Infelizmente, ou melhor, felizmente, não é isso que a Bíblia ensina. Primeiro, a Bíblia em momento algum apresenta a pobreza como algo que deveria ser combatido completamente. O povo de Israel possuía legislação que impedia que as pessoas morressem de fome (Lv 19:9-10; Dt 24:20-21; Ex 23:10-11) e Deus realmente não desejava que houvesse pobreza em Israel (Dt 15:4), mas o próprio Senhor reconheceu que os pobres sempre estariam na terra (Dt 15:11). Quando chegamos ao Novo Testamento, não vemos nenhuma preocupação da igreja em erradicar a pobreza no mundo. O que vemos é a igreja cuidando dos seus membros, alimentação dos pobres (Atos 6:1), mas nada efetivo para que a pobreza fosse erradicada do império. Até porque o objetivo dos apóstolos não era a transformação social do Império, mas sim o reino vindouro de Deus. A mente deles estava no Novo Céu e Nova Terra (Ap 21:1) e sabiam que nessa nova ordem tudo seria diferente.
Também não podemos nos esquecer de que Jesus era pobre. Quando um mestre da lei disse pra Jesus que o seguiria para onde quer que fosse (Mt 8:19), a resposta de Jesus foi “"As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça". (v. 20). Se aquele que veio implantar o plano de Deus na terra era pobre, então, obviamente esse plano não era erradicar a pobreza (veja também 2 Co 8:9).
O plano de Deus para o homem é que vivêssemos para Ele e por Ele (Rm 11:36). O pecado do homem, através da desobediência de Adão trouxe a maldição sobre nós. Todas as outras coisas ruins são resultados dessa desobediência (Rm 5:12). Jesus Cristo veio para reparar isso. Ele veio para que nós, que nos tornamos inimigos de Deus, fossemos reconciliados com Deus (Rm 5:10). Jesus Cristo nos deus uma esperança celestial (Fp  3:20).
Em resumo, em nenhum dos 27 livros do Novo Testamento vamos encontrar qualquer referencia bíblica que indique que o plano de Deus para o homem seja a erradicação da pobreza.
Em última instância, achar que o evangelho é o mesmo que erradicar a pobreza não deixa de ser uma visão sociológica e mais requintada da boa e velha teologia da prosperidade. E o mais triste é que por muitas vezes eu já vi esse mesmo pastor/deputado falando de púlpito contra a teologia da prosperidade. Coerência não é exatamente o lado mais forte da política brasileira.

domingo, setembro 18, 2011

Crianças pastoras? Quais as qualificações para um pastor?


Hoje à noite vai passar no canal National Geographic, um programa intitulado “Pregadores Mirins”. O programa vai contar a história de três diferentes crianças que “promovem uma guerra contra os pecadores”, de acordo com o próprio site da NetGeo.
Eu planejava escrever um texto sobre isso, mas como o Renato Vargens já escreveu um ótimo texto sobre o assunto, resolvi postar um link para o texto dele. Ele aborda a questão praticamente da mesma forma que eu abordaria.
Então, resolvi escrever sobre quais são as qualificações para um pastor, de acordo com a Bíblia. Será que uma criança teria as qualificações necessárias para assumir um púlpito? Será que qualquer adulto teria essas qualificações?
Antes de me lançar ao texto, só gostaria de dizer que qualquer um pode imitar os trejeitos de uma outra pessoa. Com um pouco de treino, qualquer um pode liderar um culto altamente “espiritual”. Até um não cristão pode muito bem fazer “chover fogo do céu” em um reunião evangélica. Como muitas dessas reuniões são balizadas não pela veracidade bíblica, mas por ideias pré-concebidas sobre o que é espiritual ou não, regada a muitos trejeitos, somar tudo isso a algo como uma mente coletiva (mal informada sobre a Bíblia) gera uma experiência facilmente copiável e manipulável. Portanto, não devemos nos surpreender que uma criança possa imitar os trejeitos de um pastor carismático. Ou que um ateu o possa fazê-lo. Por isso que Paulo disse “apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Romanos 12:1). Um culto baseado em trejeitos dificilmente seria chamado de racional.

Quais são as qualificações para um pastor?
Os textos que nos explicam quais as qualificações necessárias para ser um pastor se encontram nos livros de 1 Timóteo, capítulo 3 e em Tito 1, ambos escritos por Paulo. Vamos primeiro ver o texto de 1 Timóteo 3:1-7:
“Esta afirmação é digna de confiança: se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função.É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro.Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade.Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus?Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o diabo.Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo.”
O texto de Tito 1:6-9 diz assim:
“É preciso que o presbítero seja irrepreensível, marido de uma só mulher, e tenha filhos crentes que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão.Por ser encarregado da obra de Deus, é necessário que o bispo seja irrepreensível: não orgulhoso, não briguento, não apegado ao vinho, não violento, nem ávido por lucro desonesto.É preciso, porém, que ele seja hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio.”
De ambos os textos, podemos ver que não é qualquer um que possui as qualificações para o pastorado.

É necessário que aquele que aspira ao cargo de pastor, seja:
  • Irrepreensível, de boa reputação;
  • Casado com apenas uma mulher (poligamia era muito comum naquele tempo e como é uma prática contrária a vontade de Deus no casamento, um homem casado com mais de uma esposa não poderia ser pastor).
  • Sóbrio;
  • Prudente;
  • Respeitável;
  • Hospitaleiro;
  • Pronto para ensinar;
  • Não seja dado à bebida;
  • Não seja violento;
  • Não seja ganancioso (muitos pastores da teologia da prosperidade podem ser desqualificados apenas com esse item);
  • Deve ser amável e pacífico;
  • Saber governar a família
  • Justo;
  • Ter domínio próprio;
  • Não deve ser recém-convertido
  • Humilde.

Nem todas as pessoas possuem essas qualificações. Uma criança tão pouco as teria.
Além dessas qualificações, existe uma recomendação dada aos pastores que eles fariam muito bem em seguir. Recomendação essas que crianças não podem seguir e que muitos adultos torcem o nariz para a simples ideia de agir como Paulo recomenda em 2 Timóteo 3:14 até 4:2:
“Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu.Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus.Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente:Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina.”
Não acredite em qualquer um que diz que é pastor. Se a pessoa não possui as qualificações para o pastorado, pouco importa se ela se auto-intitula como tal ou é assim chamado por outros. O que faz um pastor não são os seus trejeitos, a intensidade ou o sentimento que a mensagem que ele traz causa em nossos corações. Eu já estive em palestras motivacionais que mexeram mais com meus sentimentos do que muitos cultos evangélicos. A diferença está nas qualidades que um ministro possui e em seu empenho de fazer um bom trabalho na pregação fiel da Palavra de Deus, conforme nos foi ensinado pelos apóstolos.
Ver adultos sem escrúpulos e sem conhecimento manipulando crianças para que parecem cheias do Espírito é uma tristeza sem tamanho. Mas enquanto houver um mercado consumidor para esse tipo de produto desprezível, estaremos sujeitos a ver essas notícias na televisão, tornando cada dia mais difícil se identificar como evangélico.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Como descobrir as promessas de Deus para você


Promessas são as coisas mais prometidas (quase um pleonasmo) nas igrejas evangélicas de hoje. Algumas são para nós. Outras não. Como saber? Como saber quando o pastor está declarando uma promessa de Deus que realmente é minha por direito e uma que não tem nada a ver comigo? Como me proteger contra a enganação que pode estar escondida atrás do púlpito?
Greg Koukl, filósofo e apologista do ministério Stand to Reason compartilhou essa semana um texto em suas cartas de instrução que eu achei muito útil. Ele rapidamente aborda o assunto nos dando ferramentas para saber quando podemos tomar posse de uma promessa e quando não podemos.
Leia o texto com atenção, coloque seus ensinos em prática e você nunca mais vai ser enganado por promessas que não são suas e vai saber exigir as que lhe são por direito.

Por Greg Koukl

Quando eu era um novo convertido na década de 70, parte das tralhas padrões de um cristão do Movimento de Jesus (+) era uma cópia brochura com as páginas marcadas nos cantos do livro The Jesus Person Pocket Promise Book (O livro de promessas de bolso da pessoa de Jesus).
Parecia uma ideia sensacional, no momento, recolher as promessas de Deus e depois requerê-las conforme necessário. Agora, quase 40 anos mais tarde, - embora as promessas de Deus não sejam menos "preciosas e magníficas" (2 Pedro 1:4), - penso duas vezes quando as pessoas as afirmam para si.
Promessas são muitas vezes abusadas, em muitos casos por pessoas que deveriam conhecer melhor. A promessa não amarrada cuidadosamente aos detalhes do texto em que se baseia se torna um exercício vazio de pensamento desejoso relativista.
Conhecimento – uma mente corretamente informada – é a primeira característica de um bom embaixador. Embaixadores precisam obter o conteúdo da mensagem corretamente antes que eles possam passá-la com precisão para outros. Uma vez que tudo o que oferecemos em nome de Deus consiste em promessas de algum tipo, erros aqui realmente importam.
A promessa bíblica é um compromisso vinculativo de Deus para fazer ou não fazer algo específico. Se a promessa é feita para você, você tem o direito de esperar que Deus mantenha sua palavra. No entanto, se você não é o legítimo proprietário dessa promessa, você não pode reivindica-la para você. É inútil apropriar-se de promessas feitas para outro. Isso pode levar à decepção e desânimo.
Mas como você sabe se você é o sortudo beneficiário? Você sabe olhando bem de perto os detalhes da promessa em si mesma e aplicando dois simples princípios.
O significado correto de qualquer passagem bíblica é o significado que o autor tinha em mente quando ele o escreveu. Uma promessa é somente uma promessa quando é utilizada conforme a intenção de seu criador. Nós descobrimos essa intenção prestando atenção aos detalhes, as palavras, as condições, o destinatário, o tempo, o cenário histórico – os detalhes que compõem o contexto da promessa.
O processo pode ser organizado em etapas, perguntando (e respondendo), quatro questões: quem?, o quê?, por quê? e quando? *

Quem? - Identifique a pessoa em particular ou pessoas em particular para quem a promessa é feita. A promessa pode ser para um indivíduo específico, para um grupo, ou para qualquer um. Pergunte: “sou eu essa pessoa? Se a promessa é para um grupo (por exemplo, os judeus, cristãos) pergunte: sou eu parte do grupo?

O quê? - Mire nos detalhes da promessa. Especifique no que realmente a promessa se compromete. Pergunte: que vai acontecer (ou não acontecer) quando a promessa for cumprida?

Por quê? - Por que a promessa será cumprida, isto é, o que deve acontecer primeiro? Observe as condições ou exigências nas quais a promessa depende, muitas vezes assinaladas por uma cláusula se/então. Pergunte: eu preencho os requisitos?

Quando? - Este é o tempo da promessa. A promessa pode ser para um período em particular ("... nessa época no ano que vem...") ou por um tempo indeterminado. Faça a pergunta: Qual é o tempo da promessa, (se existir algum)?

Nós só podemos legitimamente reivindicar uma promessa bíblica se ela for nossa por direito. Se a promessa for para nós, e tivermos preenchido as condições, e a promessa for para o nosso tempo, então podemos contar com Deus para cumprir sua palavra.
Se não, então devemos deixar a promessa para seu legítimo proprietário e aproveitar o texto, através do que podemos aprender a partir das relações de fidelidade de Deus com as pessoas.

Semper Fi, (Semper fidelis, sempre fiel).

* Agradeço ao meu irmão, David Koukl, para este exercício útil.

Nota do tradutor: (+) Jesus Movement, 'Movimento de Jesus' ou ainda Jesus People, foi um movimento cristão estabelecido nos 1960 em oposição ao Movimento Hippie.

domingo, julho 25, 2010

Evangelismo na Europra: como evangelizar um dinamarquês


"Um viking feliz"

Oprah Winfrey fez um programa especial sobre uma pesquisa do Gallup feita para a revista Forbes em 155 países, publicada dia 19 de Julho sobre os países considerados mais felizes do mundo. No topo da lista está a Dinamarca. Em seu programa especial, ela entrevistou pessoas de vários países, incluindo uma brasileira. O Brasil está em 12 lugar. Os outros 4 primeiros colocados foram Finlândia, Noruega, Suécia e Holanda. Todos países europeus.
Para verificar porque os dinamarqueses são tão felizes, Oprah foi até a Dinamarca para conhecer seu estilo de vida. Visitou casas, conheceu a comida, cultura, o jeito dinamarquês de ser. Depois se reuniu com um grupo de amigas em uma bar e conversaram sobre a felicidade dinamarquesa. Em um dado momento da conversa, uma das amigas fez um comentário interessante. Ela disse que, apesar de ser uma nação feliz, a Dinamarca não é um país religioso. Na verdade, todas as entrevistadas eram atéias e confessaram que a grande maioria de seus amigos também o eram. Conclusão: Deus não é necessário para ser feliz.
Aí vem a grande pergunta: qual mensagem podemos pregar para os dinamarqueses? Venha para Jesus e ele vai te trazer felicidade? Eles já tem isso. Pelo menos de acordo com as estatísticas. Venha para Jesus e você terá muitos amigos? Ora, pelo o que eu vi, amizade não falta aos dinamarqueses. Jesus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida? De acordo com eles, quem os ama de verdade é o governo da Dinamarca que tem um plano maravilhoso para eles. Sistema de saúde e educação gratuitos. O governo cuida de seu povo. Ele os ama.
Eu recebi um email com o convite abaixo para o culto de domingo de uma conhecida igreja em São Paulo. Leia o cartaz com atenção. Veja se esse convite para a igreja seria chamativo na Dinamarca.


“Princípios para uma vida feliz e amigos”. Essa mensagem jamais conseguiria alcançar o povo europeu, porque tudo isso que está sendo prometido para eles, eles já possuem. E sem as amarras da religião. Eles podem fazer tudo isso negando a existência de Deus e fazendo o que quiserem.
Mas essa mensagem foi feita pensando no Brasil e aqui a coisa é diferente. Será?
Os brasileiros também estão entre os mais felizes do mundo. Eles não buscam felicidade. Buscam melhoria de vida. Por isso a teologia da prosperidade crescem tanto em nossa nação. Mas isso não é tudo.
Essa mensagem é diferente da mensagem do evangelho apresentada nas Escrituras. Nunca o evangelho é proclamado como forma de melhoria de vida. Não, ele nos é apresentado como o único caminho para salvação do homem, para salvá-lo da ira vindoura. Leia o livro de Atos. Veja as pregações do evangelho feitas pelos apóstolos e veja se em algum momento eles clamam que as pessoas venham para Jesus para que suas vidas melhorem. Duvido que você vai achar algo assim.
Já enfatizamos isso várias vezes, mas nunca é demais: se o cristianismo tem algo a ver com melhoria de vida, Estevão, Paulo, Pedro e tantos outros são verdadeiros fracassos da fé. Hebreus 11 também deveria ser retirado de nossas Bíblias.
Existe um outro problema também. Você mantém as pessoas com aquilo com que você as ganha. Se você promete uma vida feliz, é bom que você providencie uma vida feliz. Pois quando essa pessoa descobrir que a vida cristã não é um caminho de rosas, mas que “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória” (2 Cor 4:17).
Não, essa mensagem não funciona na Dinamarca, nem na Finlândia, nem na Europa como um todo. Também não funciona no Brasil, porque mesmo que as pessoas venham até a igreja, em pouco tempo 80% delas vão abandonar a igreja (conforme as estatísticas) porque perceberam que prometeram uma coisa e receberam outra. Leia Verdadeira e Falsa Conversão onde esse tema é mais bem explorado.
A Europa é hoje na minha opinião o maior campo missionário do mundo. E também o mais difícil. A Europa é uma sociedade pós-cristã, dominada por um secularismo humanista com raízes no ateísmo, que cresce vertiginosamente. De acordo com William Lane Craig, que estudo na Europa por vários anos e serviu como missionário, menos de 10% dos europeus são afiliados a alguma igreja, sendo menos da metade deles, evangélicos em sua teologia. Em comparação, cerca de 22% se dizem não religiosos (Reasonable Faith, página 16).
Se você quer ir evangelizar algum povo, considere a Europa. Mas se prepare. Aprenda a verdadeira mensagem bíblica do evangelho, aprenda a defender a nossa fé e ame essas pessoas com o mesmo amor que Paulo amava seu povo (Rom 9:3).
Por favor, mantenha esse continente em suas orações.

terça-feira, julho 20, 2010

A (má) pregação do evangelho


Enquanto aguardava nosso delicioso jantar (no qual eu tenho pouca ou nenhum contribuição, devo dizer), resolvi colocar em um canal de TV aberta que aluga uma grande parte de seu horário para uma igreja que está crescendo rapidamente, tão rápido que chegou até perto de nós. Eles abriram um templo ao lado de nossa casa. Por tal proximidade, de vez em quando eu me interesso em ver um pouco da ministração de seu apóstolo principal. Também devo acrescentar uma situação que ocorreu quando estava conversando com alguns amigos sobre ministérios e expus minhas críticas em relação a esse. A principal é que eles não pregam o evangelho bíblico, mas sim prosperidade para essa vida. Meu amigo disse que não era verdade, que de vez em quando (???) eles pregavam sim o evangelho. Desse dia em diante, sempre me disponho a assistir um pouco das pregação para ver algum sinal do evangelho. Até o momento, em vão.
Mas quando coloquei no canal, percebi que o preletor da noite não era o famoso apóstolo, mas sim algum outro ministro. Não vi seu nome, mas pouco importa. Ele falava exatamente igual ao apóstolo e portanto, pude ter confiança que teria o mesmo tipo de mensagem. A tempo, o apóstolo estaria em Orlando, onde irá inaugurar um novo templo quinta-feira. Espero que ele tenha viajado de American Airlines.
Depois de um bom tempo de orações por doentes, libertação de pragas e maldições, macumbas, mau-olhados, mandingas e coisas do tipo, o preletor chegou na parte onde coordenava um tipo de ginástica bíblica, onde a pessoa colocava a mão na cabeça, depois no corpo, depois levantava para o ar e no fim jogava pra trás mandando todo as urucubacas pra longe. Isso tudo repetindo tudo o que o preletor dizia e repetindo “em nome de Jesus” como se fosse um mantra ou mesmo um frase de encantamento ou mágia que tornasse realidade o pedido feito simplesmente porque se usava essa frase.
Quando eu estava para desistir, o pastor finalmente chegou na parte da pregação. Finalmente eu poderia ver a mensagem do evangelho pregada nesse mega templo onde os desejos são realizados. Infelizmente, não o meu. Mas vamos por partes.
O texto chave (único na verdade) da mensagem foi João 15:5 “Eu sou a videira; vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. O pregador começou a falar sobre a importância de estarmos em Cristo como nossa videira, de estarmos conectados com essa videira e que assim podemos dar frutos. Essa é a única forma de darmos frutos. Ele repetiu isso várias vezes, uma e outra vez, se certificando que as pessoas entendessem que era importante estar na videira para darmos frutos. E aí veio o momento crucial da mensagem, o momento que ele resolveu explicar o que eram esses frutos.
De acordo com o preletor, os frutos que vamos ver na nossa vida são saúde, dinheiro, resolução dos problemas familiares, sucesso, vitória. Por isso é importante estarmos na videira, para que possamos ter todas essas coisas materiais. Todas essas coisas pelas quais Cristo morreu. Opa, me desculpe, acrescentei essa última parte. A morte de Cristo na cruz não foi nem mencionada. Nem para validar os bens materiais.
Mas os que são os frutos que esse texto fala? São realmente as bençãos materiais anunciadas pelo pregador? Definitivamente não.
Jesus estava discursando para seus discípulos momentos antes daquele que seria o mais marcante de seu ministério. Poucos capítulos a frente, ele será preso e crucificado. Nas suas últimas palavras para seus discípulos, ele foca a importância de estarmos nele, estarmos ligados à videira, assim como um galho está ligado ao tronco. O galho não sobrevive sem o tronco. Também não dá frutos.
Esse texto nos diz sobre a perseverança dos santos. Aqueles que estão ligados à videira e produzem frutos são realmente salvos. Aqueles que não produzem frutos, não são genuinamente salvos e é lançado fora (João 15:7).
Os frutos são sinais de que aquele ramo realmente pertence à árvore. Um sinal de fé genuína. Veja abaixo alguns dos frutos que podemos esperar ver na vida de um cristão verdadeiro. Essa não é uma lista exaustiva, mas sim uma lista inicial:

Amor por Deus: Sal 42:1; 73:25; Lucas 10:27; Rom 8:7
Arrependimento dos pecados: Sal 32:5; Pro 8:13; Rom 7:14; 2Cor 7:10; 1João 1:8-10
Humildade genuína: Sal 51:17; Mat 5:1-12; Tiago 4:6,9
Devoção a glória de Deus: Sal 105:3; 115:1; Isaias 43:7; 48:10; Jer 9:23,24; 1Cor 10:31
Oração contínua: Lucas 18:1; Efe 6:18; Fil 4:6; 1Tim 2:1-4; Tiago 5:16-18
Amor altruísta: 1 João 2:9; 3:14; 4:7
Separação do mundo: 1 Cor 2:12; Tia 4:4; 1 João 2:15-17; 5:5
Crescimento espiritual: Lucas 8:15; Joao 15:1-5; Efe 4:12-16
Vida de obediência: Mat 7:21; João 15:14; Rom 16:26; 1 Pedro 1:2,22; 1 João 2:3-5
Fome pela Palava de Deus: 1 Pedro 2:1-3
Transformação de vida: 2 Cor 5:17

Veja que essa lista é bem diferente daquela apresentada pelo pastor. Se o que ele disse é verdade, então, devemos crer que Pedro, Estevão, Paulo e tantos e tantos cristãos pelos séculos deveriam ser considerados como filhos do Diabo e falsos convertidos, pois pelo padrão do pregador, eles falharam completamente. Assim como todos aqueles mencionados em Hebreus 11.
O que leva uma pessoa que se diz ministro do evangelho a pregar algo totalmente diferente daquilo que está nitidamente declarado nas Escrituras? Existem vários motivos. O maior acaba sendo sempre o financeiro. O que facilita isso é a ganância daqueles que buscam as bençãos vendidas e o analfabetismo bíblico do povo (e mesmo dos pastores) que aceitam toda e qualquer besteira dita nos púlpitos. Mas isso é assunto para outro post.
O ponto positivo de tudo isso (se é que podemos dizer isso) é que a mensagem durou apenas 10 minutos. Isso mesmo. Em um culto de mais de duas horas, o tempo destinado a Palavra de Deus durou apenas 10 minutos. Levando-se em consideração como ele tratou a Palavra, eu acho que foi tempo demais.

terça-feira, abril 13, 2010

Igreja Universal e a Teologia da Prosperidade


Hoje pela manhã estávamos lendo no UOL sobre vídeos de pastores da igreja Universal ensinando seus liderados como tirar dinheiro das pessoas mesmo durante a crise de 2008.
Apesar do absurdo do vídeo, o que me chamou a atenção não foi somente o treinamento financeiro dos pastores. O que mais me chamou a atenção foi a nota da igreja para a Folha, dizendo o seguinte:
"Como já explicado reiteradas vezes à Folha de S. Paulo, a Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) é uma denominação evangélica neopentecostal que possui como doutrina a Teologia da Prosperidade. Ou seja, acredita na intervenção divina também para o bem-estar material do homem. O exercício de fé pregado por seus bispos e pastores tem como único fundamento a prática dos ensinamentos da Bíblia"
De acordo com essa nota, a Iurd assume que prega a Teologia da Prosperidade. Provavelmente isso não seja uma novidade, mas é o bastante para considerar essa igreja como uma instituição herege. Se eles assumem que ensinam esse desvio doutrinário, que deturpa o evangelho, gera adoração a um deus que não existe e torna o objetivo da vida do cristão o aqui e o agora, então, não podemos considerar essa igreja como ortodoxa e parte da fé cristã. Assim como outras organização pseudo-cristãs (Torre de Vigia, IJSUD, Adventistas e tantas outras), a Iurd se afastou dos ensinos do cristianismo bíblico (se é que algum dia esteve próximo).
Algo que para mim encerra esse argumento é que se a Teologia da Prosperidade for verdadeira, nenhum dos doze apóstolos poderiam ser considerados cristãos, porque nenhum deles viveu uma vida próspera. Muito pelo contrário. Veja a baixo quadros que mostram o destino de Estevão, Pedro e Paulo.
Além disso, o próprio Jesus seria uma vergonha para esse evangelho. Veja o que Jesus diz para um jovem que queria segui-lo:
“Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Lucas 9:58
Animador não?
O maior inimigo da Teologia da Prosperidade é o evangelho que se encontra nas Escrituras.




domingo, janeiro 10, 2010

Redes, peixes e pilantragem evangélica

Existem limites para tudo no mundo "evangélico", mas tem uns que ultrapassam totalmente.
Após a venda de lencinhos com suor do apóstolo e tantas outras coisas, estão vendendo redinhas para 150 mil pessoas que vão doar 153 reais que representam 153 peixes! Que peixes? 153? O que aconteceu com o número 40? Tem cada pilantra nesse mundo... e tanta gente que gosta de ser enganada. Mas, como já disse Paulo "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos" 2 Tim 4:3
Abaixo segue o vídeo com o mestre que muitos ajuntaram para si mesmos:*

sábado, setembro 05, 2009

Show da fé e o evangelho da prosperidade


Em nossa casa, temos um consumo muito grande de jornal. Pilhas e pilhas são gastas todos os meses. Gostaria de dizer que tudo é o resultado de uma intensa leitura de jornais, mas na verdade quem realmente consome os jornais são nossos animais de estimação. Quem mora em apartamento sabe como é.
Por conta disso, muitos de nossos amigos nos entregam seus jornais após os terem lidos.
Hoje uma colega do trabalho me entregou um jornal chamado “Show da Fé”, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Com uma óbvia curiosidade pelo conteúdo do jornal, me propus a lê-lo antes que esse cumprisse sua missão final no grande ciclo da vida.
Eu tenho uma certa (certa) simpatia pelo missionário R. R. Soares. Eu acho ele mais consistente do ponto de vista bíblico do que os outros pregadores dessa vertente “evangelho da prosperidade” e movimento “palavra de fé”. Percebo essa consistência menos em suas pregações e mais em suas respostas dada a perguntas feitas em seu programa de televisão.
Duas coisas me chamaram a atenção no jornal e uma terceira que confirma minhas observações sobre Soares.
A primeira coisa que me chamou a atenção no jornal foi a forma como o cristianismo é apresentado. Lendo os artigos e testemunhos publicados, percebe-se o foco em um cristianismo que liberta a pessoa do domínio de Satanás e traz como resultado imediato a benção e a prosperidade. Como afirmou R. R. Soares em um artigo sobre evangelismo (que começou de forma promissora, mas teve um desfecho desapontante) “a missão mais importante a se cumprir, que é a pregação do evangelho, com os sinais que o Mestre fazia, já está bem adiantada em todo o mundo”. Veja a qualificação que é acrescentada “com os sinais que o Mestre fazia”. Essa parte é importante nesse tipo de mensagem.
Mais adiante, no mesmo artigo, falando sobre aqueles que devem ser evangelizados, ele diz que “são pessoas maravilhosas, mas que ainda não sabem o que sucedeu no Calvário”. Contrariando as Escrituras que diz que não há ninguém que seja bom, senão Deus (Mar 10:18), que todos pecaram (Rom 3:23), ninguém que busque a Deus (Salmo 53:2,3) e que nossas melhores obras são como trapos de imundícia (Isaías 64:6), esse texto nos prepara para algo que é constante em todo o jornal: o evangelho como opção para uma vida melhor. A palavra pecado pouco aparece no jornal e a palavra inferno é inexistente. A mensagem evangelística pode ser resumida em “se você já tentou tudo em sua vida e ela não deu certo até agora, venha para Jesus e ele vai mudar sua vida para melhor”. Nenhuma menção sobre o quanto pecamos contra Deus, nenhuma menção sobre nosso destino eterno se morrermos em nossos pecados, nada sobre o sacrifício de Cristo para nos salvar da ira vindoura (mas sim para nos libertar de nossos problemas), da ressurreição e da necessidade de nos arrependermos e colocar nossa fé em Cristo como nosso único e verdadeiro salvador. Nada disso. Somente a mensagem do venha para Jesus, mude de religião e está tudo certo. Isso é nítido por todos o jornal. Veja por exemplo os títulos de alguns dos artigos “O que mudou na vida deles”, “Saúde restaurada”, “Renda triplicada”, “O que eu mais queria era paz”, A obediência à Deus é o caminho para a prosperidade” e por aí vai. Com uma dose cavalar de pelagianismo, esse evangelho do cristianismo apenas como um estilo de vida melhor do que os anteriores vai sendo levada às multidões em nosso país.
E é essa orientação filosófica do cristianismo que também me chamou a atenção. Não somente você poder mudar sua religião, como você também pode se cercar de toda uma gama de produtos que vão mostrar esse novo estilo de vida. Tudo o que o mundo tem para oferecer encontra sua versão evangélica para saciar o convertido. Do vestuário e musicas até TV a cabo, passando por bolachas e macarrão instantâneo com a logomarca da igreja. Você pode mudar sua religião e também seus hábitos de consumo.
E a terceira coisa que confirmou as minhas observações foi uma resposta dada pelo missionário R. R. Soares a uma pergunta feita em uma sessão do jornal.
Uma mulher diz ter tido uma vida promíscua antes de sua conversão e que após esse evento se casou e hoje possui um filho com síndrome de Down. Ela gostaria de saber se a doença de seu filho é um tipo de castigo por parte de Deus por causa de sua vida pré-conversão.
A resposta de Soares foi categórica: Não! E explica. “Todos os nossos pecados do passado foram perdoados e jogados no mar do esquecimento (2 Cor 5:17; Mi 7:19; Isaías 43:25)”. Foi uma alegria ler essa resposta, mesmo sendo essa a única vez que uma explicação mais bíblica do evangelho foi apresentada.
Esse texto confirma minhas observações sobre a maior consistência de Soares em relação aos outros pregadores da mesma vertente. Ele sabe dessas coisas.
Isso lança alguma esperança para o futuro desse ministério. Se ao menos missionário pregasse e ensinasse mais sobre essas coisas e menos sobre o evangelho da prosperidade...
Espero que seja menos show e mais fé cristã. Milhões que ouvem a R. R. Soares seriam expostos ao verdadeiro evangelho bíblico.
Vamos continuar em oração para que esse dia chegue o mais rápido possível.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Curas milagrosas e o evangelho da prosperidade

Essa última noite, após a comilança da Ceia de Ano Novo, eu estava indo de canal a canal na televisão e parei em um programa de uma igreja neo-pentecostal que muitos estavam falando mas ainda não havia tido tempo de assistir. Como eu estava de bom humor, decidi gastar uma hora para ver exatamente sobre o que se tratava. Pela amostra fornecida pela pequena hora assistida, um bom resumo do culto (gravado na sede da igreja, no Brás) seria o seguinte; o pastor, um senhor alto e carismático, entrevista pessoas no púlpito sobre seus testemunhos de milagres. Nesse período de uma hora pude ver pelo menos dez pessoas, que na grande maioria contavam a mesma história: pessoas muito pobres que tiveram problemas graves de saúde, todos desenganados pelos médicos, que não encontravam ajuda em lugar nenhum, conseguiram alcançar cura quando viram o programa do apóstolo (título utilizado pelo pastor), através da oração desse homem e, invariavelmente, por serem dizimistas fiéis. Isso aliás me chamou atenção; mesmo com a variação das doenças, em sua maioria câncer e doenças autoimunes, o fio unificador de todos era que suas graças só foram alcançadas porque eram dizimistas. Percebe-se o quanto isso é vital nessa igreja pois no meio do púlpito (que fica bem no meio da igreja), existe uma placa com os dizeres “um milhão de dizimistas em três anos” (como a câmera se movimentava muito não foi possível confirmar se eram três ou dois anos). De qualquer forma, o narrado acima é um bom resumo da hora de programa que vi.
Como não gastei mais tempo assistindo a esse programa, não posso dizer se em algum momento o apóstolo realmente chegou a pregar o evangelho, mas isso vou deixar para um outro momento, pois pretendo assistir mais do programa e talvez até fazer uma visita ao templo. Mas o que quero refletir um pouco é porque essas curas acontecem nessas igrejas neopentecostais, especialmente as que pregam o pernicioso evangelho da prosperidade. Vou considerar para o benefício da dúvida que essas curas realmente aconteçam, não vou questioná-las nesse momento pelo simples fato que não posso dizer o quanto existe de manipulação ou não. Mas vou partir do pressuposto que essas curas são reais.
Então, quem realiza essas curas? Em um primeiro momento, pensei que a força por trás dessas curas pudessem ser demoníacas. Mas isso para mim não faz sentido porque, por mais que a mensagem pregada seja uma total deturpação do evangelho, eles ainda assim declaram que essas curas foram em nome de Jesus. Enquanto refletia sobre isso, imediatamente me veio à mente o texto de 2 Timóteo que diz: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas”.
Esse texto nos diz que muitos possuem os pregadores que merecem, pois é exatamente isso que desejam. Não querem mais ouvir sobre o verdadeiro evangelho, mas sim as baboseiras de seus líderes. E se conversarmos com essas pessoas, vamos perceber que é exatamente isso que elas querem: cura, libertação, dinheiro. Elas são atraídas a Deus não por amor a Ele, por sua salvação, mas sim porque querem receber os benefícios do cristianismo, mesmo que para isso eles tenham uma visão deturpada de Deus, como se ao invés de ser nosso Redentor, ele fosse nosso Papai Noel.
Um outro texto que me ocorreu foi o de Romanos 1 que diz que por causa de seu amor ao pecado, Deus deu aos pecadores mais do seu próprio pecado, aumentando ainda mais a condenação sobre eles. Normalmente pensamos sobre esse texto em relação aos pecadores mais terríveis. Mas nada indica que seja uma única categoria de pecadores, mas sim todos os que vivem em rebelião. E se uma pessoa é gananciosa a ponto de usar seu relacionamento com Deus única e exclusivamente para seu benefício, então essa pessoa está vivendo em rebelião e esse texto pode se aplicar a ela. Portanto, para essas pessoas que receberam para si os pregadores que merecem, também recebem sobre elas mais combustível para seus próprios pecados, aumentando sobre si sua condenação. Quando alguém é curado, não por um ato de misericórdia de Deus, mas porque pagou o dízimo e recebeu o direito de ser curada, Deus está curando essa pessoa, não para sua salvação, mas para sua condenação! Pois elas não se aproximam de Deus porque Ele é Deus e estão prontas a entregar suas vidas a Ele, mesmo que isso queria dizer a morte. Elas buscam a Deus para que Ele resolva seus problemas e as deixe ricas. Trocam os benefícios do mundo por vir pelas migalhas desse mundo decaído.
A cura que Deus propaga nesses lugares é a própria condenação sobre esses pregadores e os que os seguem, pois não buscam ao Senhor em espírito e em verdade, mas sim em ganância e enganação.
Como disse nosso Mestre:
"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade".
Mateus 7:22,23
Ps: eu sei que esse post vai causar alguns comentários enfurecidos. Tudo bem. Só espero ao menos que usem de um pouco de educação e muita bíblia...
Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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