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sábado, junho 06, 2015

Estado laico ou Estado ateu?


Eu me deparei com a imagem acima no Facebook e postei o seguinte comentário:
As pessoas entendem o conceito de Estado laico de forma errada. Estado laico não quer dizer que a religião é proibida, mas sim que não existe religião oficial de estado, todas as religiões são livres para existir em um Estado laico. O Estado é laico, mas as pessoas não. Querer que alguém abra mão completamente de seus valores religiosos quando tiver que tomar decisões, seja essa pessoa um agente público ou não (leia político) é negar já de cara o direito à liberdade religiosa. É favorecer um Estado que não é laico, mas sim anti-religião. A imposição de uma ditadura anti-religiosa.
Além do que está escrito acima, mais duas observações sobre o texto da imagem:
  • Esse é um clássico exemplo de raciocínio circular. O texto, que tem como premissa que estado laico é o mesmo que políticos laicos, já usa essa premissa em sua própria conclusão, sem prová-la antes. Ou seja, antes de afirmar que um político não deve trazer suas convicções religiosas pois isso é que significa Estado Laico, seria necessário primeiro provar que esse ponto é válido, o que nem é ao menos tentado aqui.
  • Segundo, o texto da imagem quer proibir políticos de usar o seu direito à liberdade religiosa. Ora, não é isso que o texto está reclamando, que não se deve usar política para negar direitos civis? Ou é apenas errado negar direitos civis se por trás disso houver princípios religiosos? Se for por qualquer outro motivo, tudo bem?


Cuidado em compartilhar com concordância o que aparece por aí. Essa imagem estava na página de uma instituição religiosa (não cristã). Talvez a próxima imagem não tenha “o político poderá ter sua religião em caráter privado”, mas algo como “políticos não poderão ter religião”.

domingo, julho 22, 2012

O ambientalismo cristão e o Facebook



O Facebook continua provendo debates e postagens interessantes. Mais uma vez, estive em uma conversa no site de relacionamento que pode ser proveitosa para todos nós. Dessa vez, tive uma participação modesta e coadjuvante, mas os ensinos, especialmente dos meus irmãos que se envolveram mais são muito instrutivos.
O foco do debate é o ambientalismo, especialmente em sua forma mais severa, que acredita que o objetivo do homem na Terra é preservar o meio ambiente. O homem serve ao meio ambiente e não o contrário. E como pode ser visto a baixo, essa visão de mundo tem influenciado até os membros da igreja.
Eu quero reforçar que não possuo nada contra a preservação do meio ambiente, muito pelo contrário. Como produtor rural, eu sei o quanto é importante a preservação e administração cuidadosa daquilo que o Senhor nos deu. Mas uma coisa é administrarmos o meio ambiente, outra coisa é sermos servos dele.
A conversa começou assim: uma amiga (aqui chamada de Amiga Cristã) postou seu pensamento sobre essa questão do meio ambiente. O que se segue são as respostas a esse comentário:
(os novos foram substituídos por questão de privacidade. Apenas o meu e da Vivian fora mantidos).


Amiga Cristã É engraçado como ultimamente as pessoas tem dado tanta importância para o meio ambiente e não dão a mínima para Aquele que tudo fez. É a criatura sendo adorada no lugar do Criador.

Vivian Borges É como o Maurilo sempre me diz: "é a nova religião, salvar o planeta!". Isso é uma pena :(

Ambientalista Cristã Eu me localizo entre os que vc critica, mas como sei que você é uma pessoa boa, acredito sinceramente que vc não está do mesmo lado apenas por ainda não ter entendido que nenhuma religião pode ser sincera se desprezarmos e descuidarmos, por orgulho e vaidade humana (nos considerando melhores ) daquilo e daqueles que Deus, criador de TUDO, fez, e consequentemente, do lugar onde nos permitiu morar. É responsabilidade nossa cuidarmos desse planeta com toda inteligencia, capacidade e ardor que pudermos.

Amigo Cristão 1 Ambientalista, boa noite.
Creio que você não entendeu o manifesto. 
Em nenhum momento a minha esposa falou de religião e sim do culto a natureza e desprezo ao Deus vivo, Arquiteto do Universo e Criador Soberano.


Além disso, nos equiparar aos animais é errado, pois fomos criados imagem e semelhança de Deus (Gn. 1 v. 27) e tudo que há na Terra foi presente dele para nós.
Portanto toda a natureza está sujeita às nossas necessidades e serve para o nosso uso. (Gn. 1 v. 28-30)
No entanto, como cristãos devemos usar esses recursos com sabedoria e gratidão. Afinal, que filho que ama o Pai deixa de cuidar com todo zelo dos presentes que ele lhe da?
Assim é o cristão bíblico, é grato e agradece ao Criador pelo alimento que Ele concede diariamente, seja carne vermelha ou branca, bem passada ou mal passada. ;)


Agora crueldade com animais, descaso e uso inadequado dos recursos naturais é coisa de gente burra e má.


Um abraço.

Ambientalista Cristã E disse Deus: Eis que vos tenho dado TODA A ERVA que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.
E A todo o animal da terra, e A toda a ave dos céus, e A todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.
Gênesis 1:29-30
Ambientalista Cristã Respeito sua opçao, mas não coloque palavras na Bílblia pata justificar o consumo da carne. Verifique traduçoes corretas e não deturpadas, veja que moisés colocou que A todo animal... (texto se perdeu na hora de salvar)
Ambientalista Cristã de qualquer forma, quem respeita, defende e arregaça as mangas pela natureza (ou cultua, palavras suas...) ama sim, e muito, a Deus e ao seu semelhante, pois cada passo conquistado a favor do meio-ambiente reverterá em benefícios a toda humanidade. Fiquem com Deus

Amigo cristão 1 Ambientalista, os versículos que citei foram para provar o domínio e superioridade do homem sobre os animais, pois você havia dito que éramos seres iguais a eles. E essa sua afirmação não é bíblica. Em qualquer tradução séria, isso fica evidente, inclusive na João Ferreira de Almeida que você usou para postar o versículo. 


O exemplo sobre a carne eu dei pois é a reclamação mais frequente de quem acusa o homem de destruir o planeta. 
Mas posso sim usar a Bíblia pra defender meu consumo de carne. Por favor, não diga que estou pondo palavras nas Escrituras, eu apenas as leio e o que está lá não posso mudar. 
Essa foi uma acusação muito séria. Melhor se dedicar um pouco mais à hermenêutica pra não ofender ninguém. ;)


Segue alguns textos bíblicos onde há a ocorrência de consumo de carne até mesmo por Jesus.


(Gn. 9 v. 2-3) - Deus autoriza o homem a comer carne.
(Lc. 24 v. 42-43) - Jesus comeu peixe.
(Mt. 14 v. 17-21) - Jesus multiplica os peixes e alimenta uma multidão.
(At. 10 v. 10-15) - Pedro recebe autorização para comer toda sorte de animais e não considerar imundo o que Deus purificou.


Olha, realmente não ligo pra quem come carne ou alface. Tanto faz, cada um come o que quer, não tem problema. 
É até errado eu impor algum tipo de comportamento alimentar à alguém. (Rm. 14 v. 2-3)


E quanto a essa luta contra a degradação da natureza, relaxa um pouco. =)
Temos sim que cuidar do que Deus nos deu, mas em Gênesis mesmo Ele disse "Enquanto durar a terra, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite jamais cessarão" (Gn. 8 v. 22)… Então pode crer que até o fim teremos alface e carne pra fazer x-salada. hehehe


Fica com Deus você também.

Amigo Cristão 1 E pra finalizar, tudo que a minha eposa queria dizer é que ela fica indignada com quem atribui à "mãe natureza" tudo que o nosso Deus Majestoso criou. As pessoas simplesmente ignoram a existência de Deus e isso é triste.

Ambientalista Cristã Um grande abraço a vcs.. E Amigo Cristão amado... precisamos de mais prática cristã e menos teoria! E um grande abraço à Amiga Cristã... vc é muito especial, menina! Não fique estragando o seu humor por existirem pessoas que expressam diferente o seu amor a nosso Pai. Simplesmente, AME. Seja luz, seja esse referencial (que eu tenho certeza que vc é, como sempre foi) Assim as pessoas verão Deus em sua vida, e não nessas criticas/desabafos que não levam ninguém a olharem mais a Deus. Abraços, com carinho.

Ambientalista Cristã ah... só pra não deixar passar em branco, não pra polemizar.... rs Quanto a a relaxar na minha dedicaçao à natureza, só por causa de um versiculo dizendo que plantio e colheita não cessará... é conhecer pouco a causa que abraço. Existem "profetas-cientistas", milhares de anos após ter sido feita essa citação, portanto muito mais atualizados, que apontam para a necessidade de cuidarmos melhor, com mais responsabilidade dessa nossa amada Terra. Se não a tivessemos agredido tanto, com certeza hoje o alface que chega às nossas mesas já não estaria tão carregado de venenos... não é mesmo? rsrs :)

Amigo Cristão 2 é Amiga Cristã e Amigo Cristão 1 meus amados, apoio tudo o que disseram, Amigo Cristão 1 sua hermenêutica das escrituras está perfeita! a vida Cristã deve ser mesclada de equilíbrio em tudo, a natureza é criação e deve ser cuidada, mas em primeiro lugar vem o Senhor Deus, infelizmente há pessoas que usam a bíblia para defender modismos... veja mais essa Pastor... a gente morre e não vê tudo...

Amigo Cristão 1 Fique tranquila, você não tirou nosso sono, a minha esposa estava dormindo e eu trabalhando. E também não me ofendeu, veja que deixei até um smile no final da frase. Eu estava só tentando achar um jeito de não ser grosseiro e falar que você precisava estudar mais o texto bíblico. Mas pelas suas outras afirmações vi que você não zela tanto pelas escrituras, pois dizer que não posso fundamentar meu argumento cristão "só por causa de um versículo" e que existem "profetas-cientistas" com verdades mais atualizadas do que as de Deus, mostra despreparo ou descaso. Rogo para que seja a primeira opção. 


E discordo quanto a precisarmos de mais pratica Cristã e menos teoria. 
O crente deve amar a Escritura, viver a Escritura, Sola Scriptura.
A teoria e prática vem do estudo da Bíblia, se você estiver despreparado, vai cair... ou sair por aí falando abobrinha.
Enfim, obrigado pelo carinho pela minha eposa, ela é sim muito especial.

Amigo Cristão 1 Triste isso, Amigo Cristão 2. Eu acho que quem acredita na "Mãe Natureza" também acredita na "Mãe Diná". hehehehe

Maurilo Borges Junior Amigo Cristão 1, infelizmente o ambientalismo, a religião do momento, acaba as vezes se espalhando e alterando a nossa perspectiva de cristianismo. Muito do que os painéis ambientalistas afirmam depende que o evolucionismo seja verdadeiro ou pelo menos que a Terra possua 4,5 bilhões de anos. Além do mais, o foco sempre se altera. Eu me lembro que na Eco 92 só se falava em buraco na camada de ozônio, que ela jamais seria fechado, que todos morreríamos queimados. Hoje já sabemos que o buraco é um fenomeno combinado de gases CFC e a temperatura na Antártica. E também sabemos que deve estar totalmente fechada em 2065. E ninguém mais fala no buraco.
Hoje o foco é na produção rural. O que muita gente ignora é que o grande poluidor do planeta não é o mundo agro, mas sim as cidades. O produtor rural nos dias de hoje sabe que ele depende dos recursos da natureza para produzir e é um grande preservador. Por isso temos 63% do nosso território preservado. A verdade mais incoveniente que existe é essa: o ambientalismo é uma religião que substitiu a adoração ao Deus verdadeiro pela adoração às obras de Suas mãos. E as vezes combate aqueles que estão na verdade preservando o meio ambiente.

Amiga Cristã Ambientalista, lamento por você ter interpretado mal o meu comentário. Eu não me referia aos crentes, e sim às pessoas que “dão a vida”pela natureza e fazem dela um deus, se esquecendo do único Deus.
Mas, já que você expôs o seu pensamento devo discordar e lembrá-la que a causa do crente deve ser a expansão do Reino de Deus (Marcos 16:15). 
Não vou entrar em maiores detalhes pois tudo o que penso, o meu marido já expôs. Um abraço

Ambientalista Cristã Não Amiga Cristã, eu interpretei muito bem seu comentário, acreditava apenas que expondo meu ponto de vista faria vc repensar na forma de julgar aos outros sem conhecimento de causa, e pensar antes de colocar uma critica no facebook a um grupo de pessoas. Já falei isso anteriormente. Mas, tendo em vista o rumo que tomou, eu tomo a liberdade de deletar os comentários e exclui-la dos amigos, apenas porque meu objetivo não é piorar a situação. Fico triste quando vejo pessoas bem intencionadas, com grandes potenciais, errando por pensamento obtuso. Mas acredito no futuro..."amar é dar a cada um o tempo para amadurecer". Vou dar apenas o tempo de vc ler esse comentário... sinto muito por isso.

E assim praticamente termina a conversa. Um ou outro comentário foi adicionado, mas nada realmente relevante foi trazido para a conversa. A Ambientalista Cristã realmente deletou seus comentário e tirou a Amiga Cristã de seus amigos no Facebook.
Mais uma vez, não temos nada contra a preservação do meio ambiente, muito pelo contrário, mas somo contra a adoração da criação ao invés do Criador. Mesmo que os motivos sejam nobres (infelizmente muitas vezes não são, vide Al Gore) nada na criação se compara à glória do Criador.
Não deixe que o politicamente correto seja a lente pela qual você entende o Cristianismo. Cristo é o fundamento da nossa fé. E por Ele e para Ele vivemos.

domingo, maio 20, 2012

Comece sua busca pelo Cristianismo!




Uma vez eu ouvi Craig Hazen, professor de religião comparada da Biola University,  no programa Stand to Reason (um programa de rádio americano sobre apologética e cristianismo) no qual Hazen apresentava um argumento interessante: se alguém resolvesse fazer uma busca espiritual para descobrir qual religião deveria se associar, ela deveria começar pelo cristianismo. E ele apresenta 5 razões para isso:

O cristianismo é testável.
O cristianismo possui um teste que pode ser aplicado a ele para saber se é verdadeiro ou não: a ressurreição de Cristo.

Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
1 Coríntios 15:12-19

O cristianismo é uma religião baseada em conhecimento, evidências e fé. A fé é resultado do conhecimento e das evidências. E para conhecer as evidências em favor da ressurreição de Cristo você pode ler o post Artigos sobre aressurreição de Cristo, ou você pode digitar a palavra ressurreição na caixa de busca do blog para pesquisar os vários artigos sobre a ressurreição de Cristo. Como temos rico material sobre o assunto, não vou me repetir aqui, mas só quero afirmar que a ressurreição corpórea de Cristo é um dos eventos mais bem documentados e atestados da história. Posso afirmar isso porque a grande maioria dos historiadores concorda com as premissas que levam à conclusão que Cristo ressuscitou. Só não concordam com a conclusão. Coloque o cristianismo à prova, analisando as evidências e verificando se Cristo ressuscitou mesmo ou não. Mas lembre-se: é necessário estar aberto à possibilidade de que Cristo realmente ressuscitou. Começar a investigar a ressurreição de Cristo com a idéia pré-definida de que ele não ressuscitou, é já definir o resultado antes de conhecer o resultado.

O cristianismo é de graça.
Enquanto outras religiões vão exigir de você trabalhos e obras para tentar ser salvo, o cristianismo tem a salvação baseada no trabalho de outra pessoa: Jesus Cristo. A salvação é uma dádiva gratuita de Deus para o homem. Toda obra feita pelo cristão após a sua salvação é apenas reflexo dessa mesma salvação. Se for para começar a pesquisar uma religião, por que não começar por aquela que é gratuita?

A visão de mundo cristã oferece uma perspectiva que se encaixa no mundo como ele realmente é.
Veja que o cristianismo se encaixa bem com o mundo como ele é. Por exemplo, religiões orientais dizem que o sofrimento é uma ilusão. O ateísmo não consegue fundamentar a existência da moralidade (se somos apenas matéria e átomos em movimento, então, não existe certo ou errado, bem ou mal, existem apenas átomos em movimento). Como você poderia explicar para um sobrevivente do Holocausto que as atrocidades dos nazistas foram apenas átomos em movimento? Ou por exemplo o pensamento pós-moderno, que diz não existir certo ou errado, que é impossível sabermos se algo é verdadeiro ou não. Mas se isso for verdade, então, também é falso, já que é uma declaração de conhecimento sobre algo que não podemos conhecer. Se trouxéssemos esse tipo de pensamento para o nosso cotidiano, não sobreviveríamos nem mesmo um dia.
O cristianismo consegue fundamentar bem a existência do mal e lida diretamente com ele, sem negá-lo, mas apresentando uma solução para o mesmo.
Se você vai começar sua busca por uma religião, deveria começar por uma que reflete o mundo como ele realmente é.

No cristianismo você vive uma vida não compartimentada.
O cristianismo diz que devemos usar nossas mentes no nosso ato de adoração à Deus. Tudo o que somos deve ser engajado na vida cristã. Diferentemente de outras religiões que negam o uso da razão ou pedem para que você esvazie sua mente, o cristianismo nos faz viver como um todo.

O cristianismo tem Jesus como figura central.
Todo mundo quer um pedaço de Jesus. Todo mundo. Todas as religiões que vieram depois do cristianismo fazem alguma menção à ele. Até Richard Dawkins, o famoso militante do ateísmo, tentou trazer Jesus para o seu lado, dizendo que, se Jesus soubesse o que sabemos hoje, ele também seria ateu. O islamismo fala sobre Jesus. Muitos budistas hoje afirmam que Jesus estudou budismo. O espiritismo apresenta Jesus como “um espírito evoluído”. Enfim, qualquer religião sempre irá se beneficiar da figura de Cristo. Então, porque não começar com aquela que tem Jesus Cristo como sua figura principal? De uma forma ou de outra você vai esbarrar na figura de Cristo enquanto estiver em sua busca espiritual. É melhor ir direto ao ponto.

domingo, agosto 07, 2011

Todas as Religiões levam a Deus?



Talvez você tenha ouvido a parábola dos seis homens cegos e o elefante. Nessa parábola, seis homens cegos sentem partes diferentes do elefante e chegam a conclusões diferentes sobre o que o elefante realmente é.

Um dos cegos pega a presa do elefante e diz “o elefante é como uma lança!” Outro que segurava a tromba concluiu “o elefante é como uma cobra!” O cego que segurava a perna pensou “o elefante é como uma árvore!” Aquele que agarrava o rabo afirmou “o elefante é como uma corda!” Um outro que segurava a orelha acreditava que “o elefante é como um leque!” E o último cego que se escorava na lateral do elefante exclamou “o elefante é como uma parede!”

Essa parábola é muitas vezes usada para ilustrar a visão conhecida como pluralismo religioso. Como os homens cegos, nenhum religião possui a verdade. Pelo contrário, todas as religiões são verdadeiras em sua descrição de suas próprias experiências e realidade espiritual que encontram, dado as variadas experiências históricas e culturais.

Existem vários tipos de pluralismo religioso, mas uma forma de defini-lo é o seguinte: “a visão que todos os caminhos religiosos – certamente os maiores e mais éticos – levam a Deus ou a uma realidade máxima e salvação.”1 Essa ideia é comumente refletida em frases como “todas as religiões basicamente ensinam a mesma coisa” ou “todos os caminhos levam a Deus.”

A parábola do elefante, apesar de parecer bem atrativa, sofre de muitos problemas:

Problema 1: A parábola é uma analogia, não um argumento.
Um argumento é uma conclusão apoiada por razão e evidência. Mas veja que a parábola do elefante é simplesmente uma analogia (ou ilustração). Nenhum argumento, evidência ou razão é dada para que acreditemos que todas as religiões são verdadeiras. A analogia do elefante é simplesmente uma história. Mas a história pode ser falsa! Em outras palavras,
Um problema com essa analogia dos caminhos (ou elefante e os homens cegos) é que analogias não provam uma questão, apenas a ilustram. Apesar serem poderosas, elas podem simplesmente ilustrar ideias falsas, enganosas.2
De fato, um cristão pode facilmente conceber uma analogia que “prova” a veracidade da fé cristã:
Vamos mudar a analogia: se Jesus é verdadeiramente o único caminho, talvez as religiões do mundo sejam como um labirinto com apenas uma única saída correta; e se Deus, através de Jesus Cristo entrasse no labirinto e nos ajudasse a caminhar para fora?3
Essa analogia não prova que o cristianismo é de fato verdadeiro, prova? Da mesma forma, o pluralistas religiosos precisam apresentar mais coisas do que apenas ilustrações.

Problema 2: O pluralismo religioso é evidentemente falso.
Todas as religiões são basicamente iguais, exceto quando se referem a natureza de Deus, a natureza do homem, pecado, salvação e a vida após a morte. Em outras palavras, todas as religiões não são basicamente iguais! É a diferença que importa. William Lane Craig nos provê essa dura critica para aquilo que ele chama de “pluralismo religioso não sofisticado”, a ideia que todas as religiões são verdadeiras e/ou ensinam basicamente a mesma coisa:
Essa visão que muitos ouvem exposta por leigos e estudantes universitários está enraizada na ignorância no que as grandes religiões do mundo ensinam. Qualquer um que tenha estudado religião comparada sabe que as visões de mundo pregadas por essas religiões são muitas vezes diametralmente opostas uma a outra. Vamos pegar islã e budismo, por exemplo. Essas visões de mundo não tem praticamente nada em comum. O Islã acredita que existe um Deus pessoal que é onipotente, onipresente e santo e que criou o mundo. Acredita que as pessoas são pecadoras e precisam do perdão de Deus, que um céu ou um inferno eterno nos aguardam na vida após a morte e devemos ganhar nossa salvação pela fé e obras justas. O Budismo nega todas essas coisas. Para o budistas clássico a realidade máxima é impessoal, o mundo não foi criado, não existe uma continuidade da alma, o final da vida não é imortalidade pessoal mas aniquilação e ideias como pecado e salvação não tem nenhum papel nisso tudo. Exemplos como esses podem ser muitos.4
O pluralismo religioso é evidentemente falso porque viola as conhecidas leis da lógica. Por exemplo, a lei da não contradição afirma que A e não-A não podem ser verdadeiros ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Deus não pode ser tanto pessoal quanto impessoal. Deus não pode tanto existir como uma trindade e não existir como uma trindade. Já que várias religiões ensinam coisas contraditórias, todas as religiões não podem ser verdadeiras. O pluralismo religioso viola a lei da não contradição e portanto é necessariamente falso.

Problema 3: A parábola implora pela pergunta.
Lembre-se, que a questão a ser considerada é se as diferentes religiões do mundo estão ou não experimentando/descrevendo a mesma realidade ou Deus, mesmo que em um sentido limitado. Mas a parábola implica a questão por iniciar com a pressuposição que os cegos de fato estão fazendo essa exata coisa! Em outras palavras, a parábola conta sobre alguns cegos sentindo ou experimentando partes diferentes do elefante (realidade/Deus) que é a exata questão em debate.

Problema 4: A parábola comete a falácia da auto-exclusão.
O pluralista religioso que conta essa história afirma que todos são cegos, exceto o próprio pluralista religioso! Em outra palavras, existe uma perspectiva objetiva presente aqui. No entanto, se todas as visões religiosas são essencialmente cegas, isso incluiria a visão religiosa pluralista. Mas o pluralista religioso convenientemente exclui a si mesmo, tendo de alguma forma escapado a cegueira espiritual que envolveu todas as visões religiosas mas que o permitiu ver a veracidade do pluralismo religioso. Ao fazer isso, o pluralista religioso afirma ter a única perspectiva objetiva:
De fato, ele não saberia que os homens cegos estavam errados a não ser que ele tivesse uma visão objetiva daquilo que era certo! Então, se a pessoa contando a parábola pode ter uma perspectiva objetiva, porque os cegos não podem? Eles poderiam – se os cegos subitamente pudessem ver, eles também poderiam perceber que estavam originalmente errados. Na verdade era um elefante que estava na frente deles e não uma parede, um leque ou uma corda. Nós também podemos ver a verdade na religião. Infelizmente, muitos dos que negam que existe verdade nas religiões são não somente cegos mas voluntariamente cegos. Podemos não querer admitir que exista verdade na religião porque isso poderá nos condenar. Mas se abrirmos nossos olhos e pararmos de nos esconder atrás da falta de bom senso auto-refutável que diz que a verdade não pode ser conhecida, então poderemos a verdade também.5

Problema 5: A parábola refuta a si mesma.
Se todas as religiões são verdadeiras, então o cristianismo é verdadeiro. Mas se o cristianismo ensina que as religiões não cristãs são falsas, então nem todas as religiões são verdadeiras. Então, se todas as religiões são verdadeiras, nem todas as religiões são verdadeiras. Isso não pode estar certo. Vamos analisar isso melhor:

  1. Se todas as religiões são verdadeiras, então o cristianismo é verdadeiro.
  2. Todas as religiões são verdadeiras.
  3. Se o cristianismo é verdadeiro, então as religiões não cristãs são falsas.
  4. Se as religiões não cristãs são falsas, então nem toda religião é verdadeira.
  5. Portanto (de 1 e 2), o cristianismo é verdadeiro.
  6. Portanto (de 3 e 5), religiões não cristãs são falsas.
  7. Portanto (de 4 e 6), nem todas as religiões são verdadeiras.
  8. Portanto (1 até 7), se todas as religiões são verdadeiras, então nem todas as religiões são verdadeiras.
Se a sua crença leva a uma conclusão absurda, então é necessário reexaminar sua crença. A única premissa que os pluralistas religiosos poderiam negar é a premissa 3. Mas para se negar a premissa 3 é necessário não levar as afirmações do cristianismo a sério. Na verdade é uma distorção do cristianismo histórico ortodoxo que sempre afirmou que Jesus é o único caminho para a salvação. Isso levanta um ponto relacionado: os pluralistas religiosos precisam muitas vezes apelar para um tipo de reducionismo religioso para que possam manter sua visão.
Tentativas de reduzir todas as religiões para seu menor denominador comum normalmente só tem sucesso em distorcer essas religiões. Homogenizar as religiões tem um preço muito alto para pagar ao se eliminar a diversidade religiosa, porque no final das contas as religiões precisam sacrificar as principais características que as tornam únicas e atrativas em princípio.6

Problema 6: A parábola é radicalmente cética.
Ken Samples elabora sobre esse ponto:
A analogia do elefante implica um ceticismo radical em relação ao conhecimento sobre Deus; a saber, que ninguém, ou nesse caso nenhuma religião, pode conhecer Deus satisfatoriamente. Mas se Deus é de certa forma incognoscível, como alguém pode saber que Deus é incognoscível? Na verdade, por esse pensamento, alguém por acaso poderia saber se Deus existe?7
Mais ainda, os cristãos argumentariam que Deus de fato revelou a si mesmo tanto na revelação geral (criação e consciência) e na revelação especial (Escrituras e Cristo). Se o cristianismo é verdadeiro, então podemos abandonar nosso ceticismo radical em relação ao conhecimento sobre Deus em favor das afirmações radicais de Cristo: “quem me vê, vê ao Pai” (João 14:9).

Problema 7: A parábola prova o contrário.
Enquanto essa parábola é usada com a intenção de mostrar que todas as religiões são verdadeiras, extraí-se exatamente um conclusão em contrário: todas as religiões são falsas! Por que? Porque nenhum dos cegos tem uma visão correta do elefante! Ken Samples mais uma vez explica:
Ironicamente, enquanto a analogia do elefante tenta validar a verdade de todas as religiões, se levada a sua conclusão lógica a história na verdade mostra que todas as religiões falham em identificar Deus adequadamente. Portanto, ao invés de afirmar verdades religiosas, a analogia implica que todas as religiões, pelo menos em um espectro mais amplo, estão baseadas em afirmações falsas ou enganadas.8
Uma analogia que te leva a uma conclusão oposta a intencionada não pode ser uma analogia boa.

1 Kenneth Richard Samples, Without a Doubt: Answering the 20 Toughest Faith Questions (Grand Rapids: Baker, 2004), 161.
2 Paul Copan, True For You, But Not For Me: Overcoming Objections to Christian Faith, Rev. ed. (Minneapolis: Bethany House, 2009), 123.
3 Ibid.
4 William Lane Craig, Hard Questions, Real Answers (Wheaton: Crossway, 2003), 150-151.
5 Norman L. Geisler and Frank Turek, I Don't Have Enough Faith to Be an Atheist (Wheaton: Crossway, 2004), 49.
6 Samples, Without a Doubt, 164.
7 Ibid., 167.
8 Ibid.

quarta-feira, abril 27, 2011

Comparando o início do cristianismo com o início de outras religiões

Um dia desses estava navegando pela site da Credo House e encontrei o artigo EVIDENCE FOR THE RESURRECTION OF CHRIST IN A NUTSHELL (Evidência para a ressurreição de Cristo em uma casca de nós) e nesse artigo, entre várias coisas interessantes, tinha duas ilustrações que mostrava como o cristianismo e outras religiões começaram. As ilustrações são bastante explicativas e demonstram como o cristianismo é uma religião diferente de todas as outras, desde as suas origens.



domingo, abril 10, 2011

Estudo Perspicaz das Escrituras: o manual de um assassino?

Uma notícia publicada hoje pela manhã no UOL informava que G. S., considerado melhor amigo de Wellington Menezes de Oliveira na época de escola, afirma que o assassino de Realengo havia sido testemunha de Jeová. Informava até que tanto ele quanto Wellington haviam sido expulsos da congregação que participavam. Agora a pouco, no Fantástico, em uma reportagem mostrando o interior da casa de Wellington, apareceu em evidência o livro “Estudo Perspicaz das Escrituras”, reforçando ainda mais a idéia que Wellington teve de alguma forma envolvimento com essa religião.
Que livro é esse? Seria possível que esse livro servisse de fundamento para o terrível ato cometido por Wellington? Como já escrevemos vários textos sobre as Testemunhas de Jeová aqui no blog, acho apropriado explorarmos um pouco o assunto.
Antes de mais nada, outras publicações das Testemunhas de Jeová estavam na casa de Wellington. Além de Estudo, também foi mostrado Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas e Os Segredos de uma Família Feliz. Esses livros (e muitos outros) são publicados pela Torre de Vigia, organização formal dessa religião.
Para melhor entendermos Estudo Perspicaz das Escrituras, vamos deixar que o livro fale por si mesmo. Logo em seu início, podemos ler o seguinte:
“O objetivo desta publicação é ajudá-lo a fazer um estudo perspicaz das Escrituras. Como se faz isso? Por ajuntar de todas as partes da Bíblia os pormenores que se relacionam com os assuntos em consideração. Por trazer à atenção palavras das línguas originais e seu sentido literal. Por considerar informações relacionadas da história secular, das pesquisas arqueológicas e de outros campos de ciência, e pela avaliação disso à luz da Bíblia. Por prover ajudas visuais. Por ajudá-lo a discernir o valor de agir em harmonia com o que a Bíblia diz” (vol. 1 página 4).
Estudo é um tipo de manual/dicionário teológico sistemático em três volumes muito utilizado pelas Testemunhas de Jeová. É o livro que substituiu Ajuda ao Entendimento da Bíblia, que ocorreu por causa da saída de Raymond Franz da organização, que foi um dos principais editores da obra.
A questão que se levante agora é: poderia o assassino de Realengo tirar desse livro orientações para seguir com seu plano?
Não. Com toda a certeza, Wellington jamais poderia encontrar qualquer palavra de encorajamento para seus atos. A religião das Testemunhas de Jeová é uma religião pacífica, avessa até mesmo ao envolvimento com as forças armadas, tanto militares quanto auxiliares. No verbete assassínio, o livro explica: “Embora os seguidores de Cristo talvez fossem perseguidos e até mesmo assassinados pela causa da justiça, não deveria suceder que sofressem por terem cometido assassínio ou outros crimes” (vol. 1 página 251).
Uma testemunha de Jeová que fizesse parte regular da organização não cometeria um ato como esse. Isso seria muito difícil. Como já disse em outro texto, existe louco em tudo quanto é religião. Mas uma das principais características das Testemunhas de Jeová é a mansidão. Pelo menos em relação à agressão física.
O maior perigo que existe em Estudo é o teológico. Aquele que se guia pelos ensinos da Torre infelizmente está seguindo uma religião falsa, que não reflete corretamente aquilo que a Bíblia ensina, mas reflete o entendimento distorcido do Corpo Governante. Doutrinas como deidade de Cristo, punição eterna daqueles que se rebelaram contra Deus, existência da alma e tantas outras são veemente negadas pela Torre de Vigia, através de um malabarismo exegético, da qual a Tradução do Novo Mundo é parte fundamental. Apesar do perigo teológico, se Wellington estivesse realmente seguindo os ensinos de Estudo Perspicaz das Escrituras, ele estaria batendo na porta de alguém com uma pastinha e uns exemplares de A Sentinela na mão, ao invés de um par de armas nas salas de aula de uma escola.
Wellington foi um assassino frio, provavelmente uma pessoa perturbada, talvez uma pessoa com alguma doença psíquica, talvez oprimida por demônios ou talvez ambas as coisas. É o tipo de pessoa que utilizaria qualquer religião (ou falta dela) para fundamentar seu ato de terror.
Só um último comentário sobre a declaração do superintendente de circuito das Testemunhas de Jeová, Antônio Marcos Oliveira. Ele disse “nenhuma testemunha de jeová pode ser excluída de sua congregação”. Isso é muito estranho, porque um membro de uma congregação pode sim ser expulso. Isso está até no verbete expulsão de Estudo “excomunhão ou desassociação judicial de infratores, que assim deixam de ser membros ou associados de uma comunidade ou organização. No caso de sociedades religiosas, é um princípio e um direito inerentes nelas, e é análoga aos poderes de pena capital, de banimento e de exclusão do rol de membros, exercidos por entidades políticas ou municipais” (vol. 2 página 86). Existe até orientação sobre como a expulsão deve ser feita e em quais casos. No livro Prestai Atenção a Vós Mesmos e a Todo o Rebanho (o antigo manual dos anciãos, hoje substituído por Pastoreiem o rebanho de Deus) o ancião é instruído da seguinte forma: “Se foram feitos todos os esforços razoáveis para reajustar a pessoa que cometeu sérios pecados, e ela, ainda assim, continua impenitente, deve ser desassociada” (página 115).
A declaração do superintende me parece estranha. Talvez tenha sido publicada fora de seu contexto.

sábado, novembro 06, 2010

Imagine um mundo sem religião. Não precisamos imaginar. Já vimos como é.


Uma das músicas mais conhecidas de John Lennon é Imagine. É uma de suas grandes marcas. No Strawberry Field, no Central Park em Nova Iorque tem um memorial em homenagem a Lennon com a palavra Imagine. Fica perto do apartamento que ele morava. Engraçado que quando estávamos lá, tiramos fotos de várias coisas no parque, mas não disso. Veja uma foto da que achamos na internet do memorial.


Enfim, essa música é um tipo de mantra anti-religião. Como diz o refrão:
“Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz”
Ao contrário do que muita gente pensa, é fácil saber como seria o mundo sem nenhuma religião. Mas esse mundo, que já existiu, foi bem diferente da utopia de Lennon, pois esse mundo sem religião teve muito “pelo que matar ou morrer”.
É muito comum estar envolvido em uma conversa sobre religião e seu interlocutor lançar, especialmente se ele for ateu, a acusação que a religião é a principal causa para mortes e guerras. Se você for cristão, eles vão rapidamente apontar as cruzadas e a inquisição como prova para os eventos históricos horríveis que a religião em geral (e o cristianismo em particular) trouxe para o mundo. “Estaríamos muito melhor sem religião”. Já ouvi isso algumas vezes. John Lennon ainda vive nos pensamentos de alguns (e para alguns ele vive de verdade, mas isso já é outra história).
Essa acusação é muito comum, mas quando eu pergunto: “Diga-me por favor, quantas pessoas morreram nas cruzadas? E durante a inquisição?” O que se segue invariavelmente é um profundo silêncio.
Pelos dados mais comumente aceitos, durantes as Cruzadas (clique no link sobre a palavra se você não souber o que foram as Cruzadas. Fizemos o mesmo com a Inquisição), que duraram cerca de 200 anos, morreram cerca de 9 milhões de pessoas1. Metade desses eram cristãos. É muita gente morta.
Durante a Inquisição, que durou cerca de 500 anos, 6 mil pessoas morreram2. Bem menos que nas Cruzadas, mas ainda assim, muita gente.
Todos esses atos são condenáveis. Não são passíveis de defesa. Mesmo levando-se em consideração que as Cruzadas tinham também um fator político muito forte, não podemos simplesmente dizer que eles tinham um motivo razoável. Mas devemos nos perguntar: esses terríveis eventos históricos são resultados diretos quando a pessoa segue os ensinamentos de Cristo, conforme registrado no Novo Testamento ou são contrários a esses ensinos? Podemos encontrar nas palavras de Jesus fundamentos para esse tipo de matança? Deixe que cada um responda isso após uma leitura honesta do Novo Testamento. Se você encontrar algum texto, fique a vontade para postar.
Isso escrito, quero voltar para a acusação principal “a religião é a maior causa de matanças na história”. Isso é verdade? Estaríamos melhor sem religião?
Já temos os dados de uma religião em particular, o cristianismo. Não tenho intenção nenhuma de tratar sobre os números de outras religiões, especialmente do islamismo, já que esse tipo de matança está sim fundamentada nos ensinos de seu fundador. Vamos tratar disso algum outro dia.
No século 20, tivemos alguns governos que se definiam como governos ateus. Entre eles, a China de Mao Tse-tung e a União Soviética de Josef Stalin. Ambos se definiam como ateus e viveram e governaram “sem religião”. Juntando a quantidade de mortos em ambos governos, em tempo de paz, temos 60 milhões3 de pessoas. Isso mesmo, 60 milhões! Se juntarmos as mortes causadas pelo governo Nazista, ignorando-se os mortos em guerra, somente o extermínio de pessoas, a conta aumenta para 71 milhões4 (na menor das estimativas. Algumas falam na casa de 25 milhões de civis). Adolf Hitler foi batizado como católico, mas, de acordo com o autor Konrad Heiden, Hitler afirmou “Não queremos nenhum outro deus que a própria Alemanha”5. Várias referências foram feitas ao desprezo de Hitler pelo cristianismo. Assim sendo, é justo colocá-lo nessa lista.
O século 20 foi o mais sangrento de todos. Muito mais gente morreu em tempo de paz no século 20 durantes os governos que se declararam “sem religião” do que em todas as guerras religiosas dos outros séculos somadas. Portanto, a afirmação que a religião é a maior causa de matanças na história está simplesmente errada.
Já sabemos o que seria um mundo sem religião. E o que vimos não foi nada bom.
Dá próxima vez que alguém fizer essa acusação falsa, lembre-se dos dados acima e mostre, gentilmente, que no final das contas a pessoa está fazendo uma afirmação que ouviu por ai, mas que não encontra fundamento na história.
A última estrofe de Imagine diz assim:
“Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo, então, será como um só”
Não John, não nos juntaremos. Não é esse mundo sem religião que o mundo já viu que esperamos para nós. E com um pouco mais de reflexão, nem você se juntaria a eles.

“Nosso programa inclui necessariamente a propaganda do ateísmo”

1 Robertson, John M., A Short History of Christianity (1902) p.278
2 http://www.davidmacd.com/catholic/inquisition.htm
3http://users.erols.com/mwhite28/warstat1.htm#Mao http://users.erols.com/mwhite28/warstat1.htm#Stalin
4 http://users.erols.com/mwhite28/warstat1.htm#Hitler
5 Heiden, Konrad A History of National Socialism, A.A. Knopf, 1935, p. 100.


Imagine
Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will live as one
Imagine
Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia
você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de homens
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo, então, será como um só

sábado, outubro 02, 2010

O Cristianismo é Verdadeiro? Cristianismo e outras religiões antigas


Cristianismo e outras religiões antigas por Stephen J. Bedard

(Áudio em MP3 aqui em breve)

Por que o cristianismo deve ser visto como verdade? O desafio diz que havia outros movimentos religiosos no primeiro século no Mediterrâneo que eram tão populares quanto. Por que o cristianismo teria uma melhor afirmação sobre a verdade do que alguns dos cultos de mistérios do mundo greco-romano? Alguns autores chegaram a sugerir que a história de Jesus foi baseada nestes cultos de mistérios e que os Evangelhos simplesmente colocaram uma roupagem judaica em um mito universal encontrado dentro dos cultos de mistérios. Há muitas maneiras de responder a essa hipótese de Jesus como um mito, mas podemos olhar para esses movimentos religiosos a partir de uma perspectiva histórica, e concluir que o cristianismo tem uma melhor afirmação sobre a verdade.


Cultos de mistérios
Havia inúmeros cultos de mistérios no mundo greco-romano, mas os mais frequentemente comparados com o cristianismo são relacionados ao culto de Mitra, Dionísio e de Ísis e Osíris. Tem sido discutido em outros lugares que os supostos paralelos com o Cristianismo ou são exagerados ou simplesmente falsos.1, No entanto, existem outras maneiras de diferenciar estas seitas do cristianismo.

O Mitraísmo era um movimento religioso que alguns alegam que poderia ter suplantado o Cristianismo como a religião dominante do Império Romano. As origens do Mitraísmo estão envoltas em mistério. Parece haver alguma ligação com o hinduísmo e religião persa, mas no momento em que o mitraísmo se tornou uma religião popular entre os romanos havia sido transformada em algo completamente novo. O acontecimento marcante no mitraísmo foi a morte do touro por Mitra. No entanto, este não foi um acontecimento histórico datável. A morte do touro teve lugar no passado primordial. Na verdade todos os acontecimentos da vida de Mitra, incluindo sua ascensão ao céu não foi entendido como tendo importância histórica, mas sim um valor ritualístico.

O ciclo de Osíris e Ísis, que inclui o mito de Hórus, proveu a história para uma seita religiosa muito popular. Enquanto o mito atual é bastante diferente do Evangelho, há outra diferença. A história de Osíris, Ísis e Hórus tem lugar no passado mítico. Não há maneira de colocar essas histórias em um contexto histórico. Enquanto os mitos podem ter sido valorizados pelos antigos, eles não foram capazes de descrever os eventos de uma forma histórica.

O culto a Dionísio também é um movimento que é muitas vezes comparado ao cristianismo. O melhor relato do mito de Dionísio é encontrado na peça de Eurípedes As Bacantes. A história descreve a raiva de Dionísio por ter sido recusado adoração e a punição que ele inflige. Esta peça foi apresentada pela primeira vez em 405 a.C., mas descreve eventos que, supostamente, tem lugar cerca de 2000 a.C., de acordo com Heródoto.2 Diferentemente da maioria dos cultos, ele é colocado em um contexto específico, embora ainda seja uma idade onde as figuras lendárias são criadas como fundadores de cidades importantes.

Cristianismo
O cristianismo é diferente das religiões e cultos pagãos contemporâneos de várias maneiras, mas uma das mais importantes é que é uma religião histórica. Através de uma religião histórica, quero dizer que é um movimento de fé que é fundamentada em fatos históricos e não no passado mítico e que as histórias foram registradas próximas aos eventos reais. Lucas, no início do seu Evangelho, deixa claro que ele estava registrando acontecimentos reais e que os acontecimentos que tiveram lugar tinham um contexto histórico específico.3 Isto é importante porque o cristianismo não é simplesmente baseado em filosofia, em uma mitologia agradável ou na ética prática, mas é baseada em acontecimentos históricos.

Qual é a evidência histórica para o cristianismo? Nós temos exatamente o que esperaríamos levando-se em consideração a área do Império Romano em que ocorreram os fatos. As reivindicações messiânicas de um judeu de classe baixa e da adoração de seus seguidores teriam conseguido, pouco interesse para a maioria dos cidadãos do Império no primeiro século.4

E os registros dos judeus sobre o ministério de Jesus? Certamente, se Jesus estava pregando e realizando milagres, algumas das testemunhas registraria suas experiências. Há duas questões para se notar. Uma delas é que a taxa de alfabetização era bastante baixa e a maioria dos registros assumiria a forma de tradições orais. Em segundo lugar, o clima da Galiléia e da Judéia era muito úmido para que a maioria dos textos sobrevivessem. A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto é uma exceção que confirmam a regra.

Dito isto, existe alguns indícios judeus para a vida de Jesus. Em seu Testamentum Flavianium, Josefo realmente fala de Jesus. Alegações de que essa passagem é uma falsificação são muito ambiciosas. Sem dúvida, houve alguns acréscimos por cristãos, mas os estudiosos têm sido capazes de restaurar o texto original.5

Mais importante do que Josefo é o testemunho do próprio Novo Testamento. Os Evangelhos são, por vezes, desconsiderados como ficção piedosa, mas de forma injustificada. Evangelhos não canônicos do segundo e terceiro século mostram influência das novelas greco-romana, mas os Evangelhos canônicos são mais próximos do gênero da biografia e história.6 Embora os Evangelhos tenham sido escritos entre trinta e cinqüenta anos depois dos acontecimentos, isto não tira o seu valor. Eles foram baseados em tradição orais mais antigas7 e comparados com os textos a nós disponíveis sobre outras figuras antigas, como Alexandre, o Grande, os Evangelhos estavam relativamente perto aos eventos.8

Mesmo anterior aos Evangelho é o testemunho de Paulo. Paulo escreveu tão cedo quanto 20 anos após os acontecimentos e parece citar tradições ainda mais antigas. As alegações de que Paulo não fala do Jesus histórico são exagerações.9 Em 1 Coríntios 15:1-6, Paulo está tão confiante na fiabilidade histórica do Evangelho que ele apresenta a ressurreição como algo a ser confirmado por testemunhas oculares.

Conclusão
Por que a afirmação que o cristianismo é verdade deve ser levado à sério? Ao contrário de outras religiões antigas e cultos, o cristianismo está firmemente plantado na história. Não existe uma época mitológica ou lendária em que ocorreram os fatos. O Evangelho foi pregado em um tempo e lugar onde as pessoas pudessem confirmar os fatos. O cristianismo não é apenas baseado na fé cega, mas é baseado em confiabilidade histórica.

1 Stanley E. Porter and Stephen J. Bedard, Unmasking the Pagan Christ (Desmascarando o Cristo Pagão) (Toronto: Clements, 2006).
2 Herodotus, Histories Book II 2.145 (Livros de História).
3 Lucas 1:1-5.
4 Existem algumas referências antigas romanas como Suetônio, Tácito e Plínio, o Jovem. Veja Porter and Bedard pp. 129-39.
5 Porter and Bedard, pp. 139-44.
6 Richard A. Burridge, What Are the Gospels?: A Comparison with Graeco-Roman Biography (O que são os Evangelhos? Uma comparação com biografias grego-romanas) (New York: Cambridge University Press, 1995).
7 Richard Bauckham, Jesus and the Eyewitnesses: The Gospels as Eyewitness Testimony (Jesus e as Testemunhas Oculares: Os evangelhos como testemunhas oculares) (Grand Rapids: Eerdmans, 2006). Bauckham até suegerre que tradições orais de testemunhas individuais foram para no texto.
8 O mais antigo tratado sobre a vida de Alexandre, o Grande (356-323 a. C.) é de Plutarco, que escreveu no segundo século d. C.
9 Stephen J. Bedard, “Paul and the Historical Jesus: A Case Study in First Corinthians,” (Paulo e o Jesus histórico: um estudo de caso em 1 Coríntios) in McMaster Journal of Theology and Ministry 7:9-22 (2006).

sábado, setembro 18, 2010

O Cristianismo é Verdadeiro? Destituindo os Sacerdotes do Cientismo


Destituindo os Sacerdotes do Cientismo por Bob Perry
(Áuido em MP3 em breve aqui)

O “cético” materialista Michael Shermer recentemente ofereceu o seguinte como uma descrição de seu ateísmo: "Não há nada como um conjunto central de princípios que aderimos ou acreditamos, ou algo parecido ... com um cristão ou um judeu ou qualquer outra coisa. Nós não temos nada disso, porque não há nada. Simplesmente nós não acreditamos".1

A negação de Shermer de qualquer aderência à crença religiosa é instrutiva, tendo em conta as reivindicações amplamente anunciadas que ele e outros fazem sobre a legitimidade da entrada de cristãos no mercado de idéias. A "religião", lembremo-nos, nada mais é do que um modelo pelo qual uma pessoa compreende e responde ao mundo. Todo mundo tem uma. A religião de Shermer é simplesmente regrada por uma crença de que Deus não existe. Mas esta afirmação não lhe permite escapar do fato de que ele mantém uma visão sistemática do mundo. Ele simplesmente tentou construir sua compreensão da ética, da verdade e da realidade absoluta a partir da não-existência de Deus. A questão não é sobre quem tem pontos de vista religiosos. A questão é quais desses pontos melhor correspondem com a realidade.

Reconhecer esta religiosidade materialista não é apenas uma forma inteligente de fazer uma afirmação trivial - não quando fomos treinados para acreditar que o diálogo legítimo começa com a aceitação tácita dos pressupostos naturalistas em qualquer discussão sobre o que realmente importa. Qualquer opinião que questione essa atitude é categoricamente rejeitada por uma questão de opinião pessoal que não precisa ser levada a sério. É somente dentro desse paradigma que os cientistas podem nos oferecer "provas". Nossa cultura ordena cientistas como a fonte de toda sabedoria e autoridade.

Se o naturalismo é verdadeiro, tudo isto faz sentido. Se o mundo físico é tudo o que é real, se cada fenômeno deve ser entendido como uma conseqüência de moléculas em movimento, se causas materialísticas são o único tipo que somos permitidos invocar, é lógico que a ciência – o estudo do mundo natural – é o único jogo explicativo em voga na cidade. Se a ciência detém toda a verdade, a nossa crença na ciência – o cientismo – é a nossa maior esperança.

Mas se a ciência é o único defensor apropriado da visão de mundo naturalista, parece justo perguntar como a ciência pode analisar as coisas que, sob os pressupostos do naturalismo, não são possíveis, mesmo em princípio? Como os sacerdotes do cientismo propõem explicar as realidades não-naturais?

Tomemos por exemplo a declaração tantas vezes repetida de que "a ciência refutou Deus". Esta é uma afirmação estranha para dizer o mínimo. Por um lado, ela deve abordar simultaneamente verdades que se excluem mutuamente como: 1) a ciência é o estudo do universo físico e, 2) nenhum teísta acreditável já afirmou que Deus é parte do universo físico. Esse detalhe parece ter sido perdido pelos sacerdotes do cientismo – especialmente para aqueles que defendem a sua descrença na divindade com uma presunçosa negação com a mão e uma demanda por "provas". Eles insistem que o teísta cristão ofereça evidências físicas aceitáveis para um entidade não-física que o clero científico já rejeitou por mero pressuposto. Não vêem a circularidade em seu raciocínio? Sem ele, toda a estrutura do cientismo colapsa sob o peso de seus próprios critérios para a identificação da verdade.

É descontroladamente irônico que os sacerdotes do cientismo parecem ignorantes do idioma de sua fé. A ciência depende da matemática para fazer a sua defesa. Além disso, essa estrutura matemática tem sido descrita pelos próprios cientistas naturalistas como "uma entidade abstrata, imutável que existe fora do espaço e do tempo", que permite a ordenação e as propriedades invariantes que observamos na natureza. "É algo que beira o misterioso" que possui "uma sensação estranhamente real" por si mesmo e satisfaz "um critério objetivo central da existência."2 Stephen Hawking gostaria de saber onde características como a matemática, e as leis da física e da química poderiam ter sido originadas.3 Mesmo o ateu Bertrand Russell disse certa vez que a matemática possui ambos “a verdade e a suprema beleza."

A matemática é a linguagem da ciência – o vocabulário daqueles que negam a realidade não-física – ainda assim a própria matemática é a combinação de números e de conceitos, os quais nenhum deles é físico, mas ambos são inegavelmente reais.

É através da matemática que os cientistas exercem a metafísica quântica, através da qual tentam escapar à inferência causal clara da cosmologia do Big Bang. Confessam que nosso universo realmente não possui nenhuma causa necessária e que eles sabem disso, porque o grau de outra forma inexplicável do ajuste fino no universo significa que devemos apenas viver entre um número infinito de outros universos. Como o cosmólogo Max Tegmark afirmou, esta idéia "... Parece estranha e pouco plausível, mas parece que vamos ter que viver com ela, porque ela é apoiada por observações astronômicas."4 Evidentemente, o fato de que esses universos alternativos são, por definição, não observáveis nunca é abordado por aqueles que exigem "provas" do teísta cuja "fé cega" é considerada um alvo para o seu escárnio.

Causalidade por agente. Vida da não-vida. Mente da matéria. Realidade objetiva não-material. Cada uma dessas realidades é parte de nossa experiência humana comum, mas cada uma é fundamentalmente incompatível com uma visão naturalista do mundo.

Isso não quer dizer que o empreendimento científico é equivocado. Longe disso. A questão
é que, no teísmo cristão, a ciência é entendida no contexto como o método racional pelo qual nos descobrimos e compreendemos a ordem e a majestade da obra criadora de Deus. Visto desta forma, cada um desses enigmas desaparece dentro de uma visão mais abrangente que a natureza não é uma descrição completa da realidade. Acontece que o poder explicativo do cristianismo ultrapassa a alternativa naturalista.

Isso não diminui a ciência. Simplesmente reconhece que a idolatrização materialista da ciência é um ritual inútil com o objetivo de explicar as realidades que a cosmovisão em si mesmo nega. "Seja paciente", somos informados, "a ciência não consegue explicar essas coisas ainda, mas vai. Basta dar-lhe tempo." Embora destinado a persuadir, esta exortação piedosa serve apenas para confirmar o zelo religioso do materialista.

Os sacerdotes, ao que parece, também se imaginam como profetas.

1 Rrecho da transcrição de 31 de dezembro de 2009 do programa de rádio Hugh Hewitt disponível em: http://www.hughhewitt.com/transcripts.aspx?id=53dc1daa-c9b6-429f-9732-923b01ba19b3
2 Max Tegmark, Parallel Universes (Universos Paralelos). (Scientific American. Maio de 2003), 49.
3 Dean Overman, A Case Against Accident and Self-Organization (Um caso contra acidentes e a auto-organização). (New York, New York: Rowman e Littlefield Publishers, Inc. 1997), 159.
4 Tegmark, 41.

domingo, junho 27, 2010

Kant e a Bíblia

immanuel kant fala sobre a biblia
"A existência da Bíblia, como um livro para o povo, é o maior benefício que a raça humana já experimentou. Qualquer tentativa para menosprezá-la é um crime contra a humanidade"

domingo, maio 30, 2010

Como o cristianismo incentiva a investigação científica


Por DOUGLAS GROOTHUIS

Kenneth Samples em Without a Doubt /Sem Dúvida/ (Baker, 2004) resumiu apropriadamente dez maneiras nas quais a crença cristã cria um ambiente favorável para a investigação científica. (Eu os modifiquei um pouco.)

1. O universo físico é uma realidade objetiva, que é ontologicamente distinto do Criador (Gênesis 1:1, João 1:1).

2. As leis da natureza demonstram ordem, padrão e regularidade, pois são criados por um Deus ordeiro (Salmo 19:1-4).

3. As leis da natureza são uniformes em todo o universo físico, uma vez que Deus o criou e providencialmente o sustenta.

4. O universo físico é inteligível porque Deus nos criou para conhecê-Lo, conhecer a nós mesmos e todo o resto da criação. (Provérbios 8 e Gênesis 1-2 ).

5. O mundo é bom, valioso e digno de um estudo cuidadoso, porque foi criado com um propósito por um Deus perfeitamente bom (Gênesis 1). Os seres humanos, como os portadores da imagem original de Deus, foram criados para discernir, descobrir e desenvolver a bondade da criação para a glória de Deus e a promoção humana através do trabalho. O mandato da criação (Gênesis 1:26-28) inclui a atividade científica.

6. Porque o mundo não é divino e, portanto, não é um objeto apropriado de adoração, pode ser um objeto de estudo racional e de observação empírica.

7. Os seres humanos possuem a capacidade de descobrir a inteligibilidade do universo, pois somos feitos à imagem de Deus e fomos colocados na terra para desenvolver suas potencialidades intrínsecas.

8. Porque Deus não revela tudo sobre a natureza, a investigação empírica é necessária para distinguir os padrões de Deus estabelecidos na criação.

9. Deus encoraja, até mesmo impulsiona, a ciência através de seu imperativo para o homem de ter domínio sobre a natureza (Gênesis 1:28).

10. As virtudes intelectuais essenciais para a realização do empreendimento científico (estudo, honestidade, integridade, humildade e coragem) fazem parte da lei moral de Deus (Êxodo 20:1-17).

Enquanto o cristianismo e a ciência tiveram suas brigas, não há nada inerente à cosmovisão cristã que a torne inimiga da ciência corretamente entendida.

Tradução: Pés Descalços

sexta-feira, setembro 25, 2009

O(s) Evangelho(s) segundo a Daslu


Normalmente a vida dos famosos (ou coisas do tipo) pouco nos interessa. Suas estripulias, falas, casos, realizações, via de regram não vão gerar em nós qualquer reação digna de nota. Com uma única exceção: quando o assunto em pauta de tal pessoa envolve religião. Aí sim, nosso interesse é acionado.
Em uma pequena reportagem sobre as visitas (quatro no total) a uma igreja evangélica feitas nos últimos meses pela dona da Daslu, Eliana Tranchesi, católica de carteirinha segundo a revista, pode-se ler a reposta a uma pergunta relativamente direta, “a senhora virou evangélica”? “Sempre tive fé no Evangelho”, ela respondeu, “então não precisaria me converter. Acredito nas religiões do cristianismo, sem preconceito”.
Seria possível alguém dizer tudo sem falar nada?
Vamos observar dois pontos interessantes nesta resposta, que demonstra o que ela tem aprendido (ou não) na Igreja Evangélica de Jesus Cristo, localizada na casa da pastora (????) Vera Domingues, que conta com cerca de 30 pessoas por reunião. Os caracteres totais do nome da igreja são 33 (diga trinta e três) e superam o número médio de participantes. Seja como for, não existe dificuldade em se discipular alguém em um igreja que possui um número de membros menor do que a quantidade de letras de seu nome.
Eliana disse “sempre tive fé no Evangelho, então não precisaria me converter”. O que será que ela quis dizer com isso? Ela sempre teve fé no Evangelho? Em qual evangelho? Existe uma diferença bem grande na visão que os católicos e os protestantes possuem do evangelho e seus resultados. Um acredita na infusão da retidão de Cristo e daí em frente podemos trabalhar nossa salvação. Se no final da vida, morrermos sem pecados, vamos para o céu. Ao contrário, se morrermos em pecado, podemos ir para o purgatório, desde que não seja um pecado capital, se não para o inferno vamos nós!
O outro entende que somos pecadores miseráveis (I'm the wretch, the song refers to...), que merecem receber a ira de Deus mas pela obra de Cristo na cruz temos todos os nossos pecados perdoados (passados, presentes e futuros) e a retidão de Cristo é creditada em nossa conta. Nada do que podemos fazer irá nos tornar mais salvos. Mas pela fé podemos ter confiança em nossa salvação única e exclusivamente por causa de Cristo.
Em qual evangelho ela já acredita para não precisar se converter?
Além do mais, para nós protestantes (e evangélicos até onde eu sei) a conversão é necessária para a salvação, pois a conversão é o nascer de novo (João 3:5). Conversão não é mudar de religião. É a ação de nos arrependermos de nossos pecados e colocar nossa fé em Cristo. Graça, fé e arrependimento. Nesse momento o Espírito Santo age em nossa vida e nos dá uma nova natureza. Nascemos de novo, nos convertemos. Sem isso, sem salvação. Ela não precisa ser salva?
Segunda frase que nos chamou a atenção; “Acredito nas religiões do cristianismo, sem preconceito”. O que isso quer dizer exatamente? Ela acredita em todas as variações que existem dentro do cristianismo? Mesmo quando elas discordam totalmente?
O catolicismo vê a salvação de uma forma diferente do protestantismo. Também entendem a importância das Escrituras de forma diferente. Para a igreja católica, os dogmas são desenvolvidos pela interpretação das Escrituras pelo magistério (igreja) somado às tradições. Os protestantes, somente as Escrituras (sola scriptura) com liberdade de leitura e interpretação para cada cristão. Para as Testemunhas de Jeová (faz um tempinho que não escrevemos nada sobre elas...) Jesus Cristo não é Deus, para os protestantes e católicos, com certeza o é. Mormons acham que Jeová é o pai de toda a humanidade, teve muitos filhos com uma mãe cósmica e que todos somos irmãos, inclusive de Jesus e do diabo. A igreja Ortodoxa rejeita a “Imaculada Concepção de Maria”, assim como os protestantes, mas é uma doutrina de grande importância para os católicos.
Podemos enumerar várias e várias outras diferenças no que ela chama de “religiões do cristianismo”. Como é possível para ela acreditar em todas essas “religiões” se elas não concordam entre si?
Ela só foi até o momento a quatro reuniões na igreja de nome grande. Mas não seria o suficiente para saber que o cristianismo bíblico é totalmente diferente de qualquer outra religião? Não seria o suficiente para saber que você pode aceitar ou negar a mensagem do Evangelho, mas não tem como agir de forma indiferente, se aquilo que ela prega é verdadeiro? Não seria o suficiente para ela saber que aqueles que já se converteram, que nasceram de novo, dão frutos de sua salvação e acreditam que Cristo é o único e verdadeiro caminho e difere daqueles que o representam de forma errada?
Quatro reuniões são mais do que suficiente para isso. Quando estamos fazendo evangelismo na rua, o evangelizado entende tudo isso em menos de 15 minutos e pedimos para que ele repita para nós o que acabou de ouvir. Se a pessoa vai se converter ou não é outra história, já que esse é um trabalho para o Espírito Santo. Mas ela sai dali com uma mensagem muito clara do evangelho.
A pregação somente da graça de Deus sem a lei tem a tendência de criar pseudocristãos. É por isso que Tiago disse “Deus resiste ao orgulhoso” (não preciso me converter), “mas dá graça ao humilde” (Tiago 4:6)

sábado, maio 16, 2009

Craig e o delirio de Dawkins

Já foi dito e muitas e muitas vezes que Dawkins pode ser um ótimo showman, mas é um péssimo filósofo. Veja uma explicação bastante sólida sobre as falácias de Dawkins em seu best-seller.
Com vocês, Dr. William Lane Craig:



quarta-feira, abril 08, 2009

Richard Dawkins e a arte do raciocinio circular


Mais uma vez, com a chegada de datas religiosas, revistas como SuperInteressante ou Galileu se lançam a desvendar artigos da fé. Nessa empreitada, a Super lançou uma revista especial sobre Deus, sendo esse aliás o título.

Em um artigo intitulado “Ele está acima de nós?”, uma citação de Richard Dawkins (The Alien Man, para quem viu Expelled) chamou minha atenção, por ser um primor do pensamento circular.

Quando falava sobre a impossibilidade da existência de Deus, ele diz que Deus não poderia existir porque a evolução do cérebro humano levou milhões de anos para acontecer e para que o universo tivesse um arquiteto, ele teria de ter um cérebro tão desenvolvimento ou mais quanto o humano, sendo assim, não teria tido tempo para desenvolver esse cérebro e criar o universo. Não sei se retiraram essa citação de alguma entrevista ou de Deus, um Delírio, onde ele repete essa pérola da lógica.

Dawkins acredita piamente que a única grande verdade do universo é o processo evolutivo conforme descrito por Darwin. Para ele, absolutamente tudo o que existe só veio a existência por esse processo, que é um fato em si e que nenhuma outra explicação cabe. Portanto, para ele, se um Deus existir, ele só pode existir por um processo Darwiniano.

Ora, isso é raciocínio circular. Eu fundamento minha conclusão na própria conclusão em si. Em momento algum os cristãos (principal alvo de Dawkins, declarado por ele mesmo) alegam que Deus foi criado, ou que é dependente desse universo. A crença clássica do cristianismo sobre Deus é que ele é transcendente ao universo. Ele criou o universo. Já existia antes mesmo desse último existir. Portanto, mesmo que um processo evolutivo tenha desenvolvido a vida em nosso planeta, nada, absolutamente nada obriga Deus a se limitar por essa regra. É como dizer que o autor de um livro só pode existir se ele tiver vindo a existência pelo mesmo processo que seus personagens em seu livro. Não faz sentido.

É interessante notar que Dawkins diz que a chance de Deus existir é “tão improvável quanto uma rocha se transformar em uma pessoa”. Mas não é exatamente isso que ele acredita? Que através de bilhões de anos, a vida se formou do nada (abiogênese, alguém poderia chamar Pasteur por favor???) e através de algum ato mágico (mas não sobrenatural) a primeira célula se formou. O resto é história, como conta a música de abertura do “The Big Bang Theory”. Fechando o raciocínio, Dawkins acredita na possibilidade da existência de Deus, já que ele acredita que uma pedra (sem vida) se transformou no ser humano (ser vivente). A única diferença é que ele acrescenta um montão de tempo para disfarçar.

Dawkins é um péssimo filósofo, isso já é notório. Mas mesmo sabendo disso, ele não para de me surpreender com suas pérolas. E pensar que ele é o considerado o mais brilhante dos ateus… também, depois que perderam Anthony Flew, o que sobrou?

domingo, novembro 23, 2008

Richard Dawkins usando terminologia evangélica.


Estou lendo "Deus, um delírio" de Richard Dawkins e me deparei com uma frase importante. Ele diz algo mais ou menos assim (me perdoem se a frase não está exatamente como a versão em português, mas estou lendo em inglês, já que consegui o livro por um dólar em Miami): “é possível ser um ateu feliz, equilibrado, ético e intelectualmente realizado” e daí ele continua na sua tentativa de conscientizar seus leitores sobre os enormes benefícios da ateísmo. Essa frase se encontra logo no início do prefácio.
O que me chamou a atenção é que ele está usando a boa e velha terminologia evangélica para converter pessoas de outros credo para sua religião. A grande isca do evangelismo moderno é “venha para Jesus, Ele vai te dar paz, alegria, vai te fazer feliz e você vai se sentir realizado”. Não é basicamente isso que Dawkins está prometendo no prefácio de seu livro? Venha para o ateísmo, ele vai te dar paz, alegria, felicidade e realização. Isso mostra o quanto o ateísmo não é a negação da religião, mas somente mais uma religião. Ela só transfere sua fé de uma deidade para a a humanidade. Ainda assim é uma questão de fé, como diz um pouco antes “eu acredito no homem...”.
Pretendo em breve escrever um post sobre fé e quais as bases para a fé, pois muitos ateus dizem que fé é uma crença sem fundamentos, o que não é verdade, por nenhuma definição, nem mesmo a bíblica. Mas isso é assunto de um outro post. A questão aqui é outra.
Ateísmo é uma religião e a cada dia tem se organizado e estruturado como uma. Eles já possuem um livro sagrado (Origem das Espécies, Darwin), um líder que define seus dogmas (Richard Dawkins), possuem seus profetas (Sam Harris, Christopher Hitchens) e uma visão de mundo (evolucionismo e humanismo). Em pouco tempo teremos templos totalmente dedicados a seus cultos, que não ficarão restritos às matérias em artigos científicos ou as universidades.
Uma das grandes desgraças do evangelismo moderno é o decisionismo, tudo é uma pequena questão de se decidir, de dar uma chance. Podemos falar disso em outro post (estou prometendo muitos posts...) mas com certeza funciona, no sentido de conseguir um grande número de associados. E Dawkins se entrega a esse pragmatismo religioso. Não somente o ateísmo possui todas as características de uma religião, ele está rapidamente adotando práticas que levamos séculos para adotar.
Estão copiando não somente o que existe de bom no cristianismo, mas também o que existe de ruim.
Ao menos algo de bom. Se a próxima geração de ateus se voltarem para o ateísmo pelas promessas de felicidade e realização sem fim, vamos ter um belo grupo de “desviados” do ateísmo, assim como temos do cristianismo.
Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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