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domingo, novembro 27, 2011

SIMPLESMENTE O EVANGELHO



Sabe, tenho me lembrado nos últimos dias de um senhor que eu conheci há alguns anos, cujo nome é Esli, Pr. Esli. Quando o conheci ele devia ter uns 70 anos de idade. Era um senhor magro e miúdo, cabelos cinza, quase brancos, e bem penteados para trás; usava uma roupa puída, porém limpa, e seus sapatos não eram diferentes, engraxados, mas bem gastos.

Ele chegou numa caminhonete velha - engraçado me lembrar de tantos detalhes -, mas a simplicidade daquele homem me chamou a atenção. Ele foi indicado para dirigir o culto de jovens daquela noite, na Igreja em que eu frequentava na época, e convenhamos, para o nosso "maravilhoso" gosto cristão pós-moderno aquele senhor estava fora dos padrões de um bom pregador... Afinal, o melhor para Deus deveria incluir umas roupas mais novas e quem sabe um pregador mais novo, ainda mais em se tratando de um culto voltado para jovens. Mas já estava em cima da hora para ter gostos pós-modernos (Graças a Deus!).

Ao chegar ele abriu a caminhonete e começou a tirar o equipamento que ia usar, era um daqueles projetores de cinema bem antigos, que utilizam rolos de filmes armazenados em latões redondos e que fazem um barulho peculiar quando estão rodando. Aquele senhor de aparência frágil e com um sorriso estampado no rosto começou a tirar as partes do equipamento, que pareciam pesar uns 20 quilos, como se fosse nada. Não acreditamos na força que ele tinha.

Montado e pronto o equipamento, o simpático Pr. Esli se apresentou brevemente e disse que ia passar um filme que contava a história de um surfista que encontrou a Cristo. Quando o filme terminou ele foi à frente e contou brevemente como, afinal de contas, havia parado ali com seu velho Projetor. Ele disse que se converteu muito jovem e que a Verdade do Evangelho impactou tanto a sua vida que desde então nunca mais conseguiu parar de falar de Cristo.

Ele não nos contou muitos detalhes, ou talvez não me lembre de todos, mas disse que havia conseguido aquele equipamento há muito tempo e desde então começou a visitar presídios, escolas, praças, cidades, passando filmes evangelísticos e levando a mensagem da Cruz. Em um ponto da sua vida ele e sua esposa se aposentaram e venderam o pouco que tinham para comprar um trailer no qual eles vivem hoje e com o qual viajam pelo Brasil, levando seu projetor de filmes, falando do amor do Mestre, compartilhando simplesmente o evangelho do Cristo que morreu na cruz para que tenhamos vida eterna.

Eu quis partilhar essa pequena história porque tenho me sentido constrangida nos últimos tempos e sentido muita falta do evangelho singelo e puro. Conhecer esse senhor foi uma das coisas que mais marcaram a minha vida. Sei que existem ainda hoje muitos outros homens de Deus e conheci alguns, mas a simplicidade e desapego daquele homem e a sua forma não rebuscada antes simples, sincera e verdadeira de falar de Cristo me emocionaram naquela noite, e ainda me emocionam quando lembro.

Ele não é conhecido na mídia, não tem muitos recursos, jamais ouvi falar dele em lugar algum, mas ele possui o que realmente importa: Ele tem verdadeiramente a Cristo como seu Senhor e Salvador, e o evangelho ardendo em seu coração.

Desejo que histórias como a do Pr. Esli nos façam lembrar o que realmente importa que preguemos e vivamos, e que esse exemplo de simplicidade possa nos fazer lembrar o que Jesus Cristo veio fazer na terra, em nós e através de nós. Finalizo com o agradecimento ao Maurilo e Vivian, donos e criadores desse blog, pelo convite para escrever aqui. Um abraço. Sua Sempre. Raquel Magalhães


"Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus." Atos 20:24 - NVI

quarta-feira, agosto 03, 2011

Uma tropa de elite para o evangelismo


Hoje eu vi uma cena curiosa que me lembrou como o uso da lei no evangelismo é importante e poderoso na pregação do evangelho.
Eu estava indo para o trabalho e num momento o ônibus parou em um semáforo que tinha acabado de fechar. Enquanto esperava (o que mais poderia fazer se estava dentro do ônibus??) eu vi em uma outra rua um carro parado no semáforo também esperando que esse abrisse. Estava o motorista e uma mulher ao lado. Logo atrás parou uma viatura da polícia, também esperando que o semáforo abrisse. Assim que a viatura parou, o motorista virou para a passageira e falou alguma coisa. Ela estava sem cinto. Discretamente olhou pelo retrovisor e, após constatar que uma viatura estava logo atrás, mais discretamente ainda colocou o cinto. O semáforo ficou verde e todos saíram sem maiores problemas.
Eu não sei como funciona exatamente essa questão de quem deve multar ou não em casos assim. Eu sei que em São Paulo a CET tem essa função, mas não sei se isso também cabe à polícia ou não. Eu sei que isso foi ensinado no meu Curso de Formação de Condutores, mas eu acho que não estava prestando atenção, já que não lembro da resposta...
Quando um representante da lei chega perto de uma pessoa que está fazendo algo errado ou mesmo que tem algum culpa no cartório, rapidamente essa pessoa muda sei jeito, pelo menos naquele momento, para se adequar à lei. Assim como a passageira rapidamente colocou o cinto de segurança quando viu que uma viatura estava logo atrás dela (e nem sabemos se os policiais realmente perceberam que ela estava sem cinto), quando usamos a Lei no evangelismo, podemos ver o pecado tentando se adequar ao peso da Lei. Como se estivesse na presença de um policial que acaba de pegá-lo em um flagrante, o pecador via de regra tenta se justificar quando percebe seus pecados expostos pela luz da Lei. “Todo mundo faz isso”, “foi só uma vez”, “mas eu sou humano” e tantas outras respostas desse tipo aparecem no evangelismo. E eu gosto quando o pecador começa a se justificar. Isso é bom.
O pecador que começa a se justificar no evangelismo está na verdade reconhecendo que fez algo errado. É a ação da Lei no convencimento do pecador. Ele está sendo convencido, mas não pode simplesmente se entregar. Ele precisa se defender. 
“Deus resiste ao orgulhoso, mas dá graça ao humilde” 
Tiago 4:6
Somente haverá graça para aqueles que se humilharem perante Deus. É necessário que o orgulhoso seja quebrado. Via de regra, isso não é rápido, mas é efetivo.
Por isso que Spurgeon chamava a Lei de “nosso maior auxiliador” na pregação do evangelho.
Quem não gostaria de ir fazer evangelismo protegido por uma viatura de polícia? Pois Deus nos deus em suas Escrituras algo muito mais poderoso do que dez viaturas, uma verdadeira tropa de elite: a Lei.
Use e abuse de forma bíblica dos Dez Mandamentos em seu evangelismo. Prepare o caminho para que os humildes recebam a graça de Deus.

domingo, fevereiro 20, 2011

Rio - O Filme

Animado para ver esse filme. Acho que vai ser legal. Eu tenho um carinho pelo Rio de Janeiro, especialmente pelo meu tempo como missionário nas favelas. Tempo dificil, mas tempo bom.

domingo, março 14, 2010

Invictus - uma análise do filme



Esse post vai doer mais em mim do que qualquer outro que estiver lendo.
Dando uma pequena olhada no blog, é possível perceber que meu esporte preferido é Rugby. Para mim, não existe esporte melhor, tanto para assistir quanto para jogar. Até porque futebol é esporte para mulher...
No nosso Brasil, o Rugby não é muito conhecido e quando falo que gosto desse esporte sempre ouço “é futebol americano”? E aí lá vou eu explicar.
E qual não foi minha alegria quando eu soube que Clint Eastwood estava fazendo um filme sobre os Springboks, a seleção de Rugby da África do Sul (meu segundo time preferido) e sua conquista do título mundial na Copa do Mundo de Rugby (sim, nós temos a nossa copa) em 1995 contra a os All Blacks da Nova Zelândia (meu time preferido), quando a África do Sul estava sobre comando do Nelson Mandela. E o foco do filme, além do Rugby, é mostrar como Mandela usou o Rugby para tentar trazer os brancos mais próximos dos negros.
Esse filme tem tudo o que eu gosto: rugby, All Blaks, rugby. Springboks, rugby, história, rugby, Haka, rugby, direção do Clint Eastwood e rugby. Esse filme estreou nos Estados Unidos em dezembro, bem no dia que estávamos em Miami, mas como era uma viagem de apenas um dia, não podemos ver o filme e eu tive de esperar até o dia 29 de Janeiro para isso.
Muito entusiasmo, muita animação. Mas nem sempre, a história contada é aquela que realmente aconteceu. Isso não é nenhuma novidade, pois todos sabemos que quem conta a história determina quem é o mocinho e quem é o bandido. Portanto, é sempre interessante buscar informações sobre o que realmente aconteceu (quando você se interessa pelo assunto), e principalmente de uma fonte próxima e confiável. E para mim, não existe nenhuma fonte mais próxima e confiável que Peter Hammond, da Frontline Fellowship, um ministério evangelístico da Africa do Sul.
Para você se situar um pouco, o filme começa em 1994, quando Mandela assume a presidência da Africa do Sul depois de anos de apartheid e precisa lidar com o conflito entre negros e brancos. O rugby, e especialmente a seleção nacional, está ameaçada de ser extinta por estar muito ligada aos brancos que governavam até aquele momento. Existe uma pressão do negros de mudar o nome e as cores do time. É aí que Mandela se posiciona e decide que deve usar o time para trazer os brancos, admiradores do esporte, para mais próximo de seu governo e vê na Copa do Mundo que será realizada no ano seguinte na própria Africa do Sul como uma forma de promoção e unificação de seu país.
Hammond diz que esse gesto de Mandela realmente ganhou a admiração do brancos sul-africanos, para quem o rugby é mais do que seu esporte nacional. Mas o filme ignora algumas questões políticas muito importantes nessa tentativa de tornar Mandela alguém maior do que ele realmente é.
Em suas palavras “o filme claramente tem uma agenda política”.
Uma importante observação, e isso eu concordo plenamente, Invictus entrega a Mandela todo o crédito pela vitória dos Springboks na copa do mundo. “Essa deve ser a primeira vez na história que um chefe de estado recebeu o crédito pela conquista esportiva de um time no campo. Por acaso a Rainha Elizabete II recebe o crédito quando o time de rugby da Inglaterra ganha? Por acaso o presidente Bush recebeu crédito pelas conquistas do time olímpico americano em Beijing”?
De acordo com Hammond, o diretor do filme “não deveria ter super-simplificado essa história fascinante separando-a do real contexto de crimes e violência após 30 anos de guerra terrorista levanda pela CNA (Congresso Nacional Africano) de Mandela”.
O filme mostra uma visita a Robben Island, onde Mandela esteve preso por 18 anos (e não 30 como diz o filme. Na verdade, o tempo total de prisão de Mandela foi de 26 anos), mas nunca explica o por que ele foi colocado na prisão.
A impressão que se tem é que ele foi preso por ter se colocado contrário ao apartheid. Mas isso não é verdade. O bispo Desmond Tutu também era vigorosamente contra o apartheid mas nunca foi preso.
Segundo informação de Hammond, nem mesmo a Anistia Internacional quis defender o caso de Mandela porque ele não era considerado um preso político, mas sim responsável por inúmeros crimes violentos e que havia recebido um julgamento e uma sentença justos.
Mandela era o presidente da Umkhonto we Sizwe (MK), o braço terrorista da CNA.
Ele foi considerado culpado por 156 atos de violência incluindo campanhas terroristas, omo a que plantou bombas em lugares públicos, incluindo a estação de trem de Joanesburgo.
Mandela recebeu do presidente sul-africano P. W. Botha, em várias ocasiões, ofertas para ser livre da prisão se ele renunciasse aos seus atos de violência terrorista. Mas ele sempre se recusou a isso.
Uma afirmação interessante de Hammond é que o filme de Eastwood afirma dogmaticamente que os negros precisavam perdoar os brancos. Mas nunca no filme é dito que os brancos também precisavam perdoar as pessoas como Nelsom Mandela e os terroristas do CNA que foram responsáveis pela morte de milhares de sul-africanos. Não houve nenhuma menção das três décadas de violentos atos terroristas, de queima de escolas, das milhares de pessoas inocentes que morreram queimadas vivas com gasolina, carros bombas e outros.
Um outro fato importante é que durante o período que o filme se passa, muitos fazendeiros brancos e suas esposas e suas crianças foram brutalmente torturados e mortos, muitas vezes por membros da Umkhonto we Sizwe que hoje fazem parte da Força de Defesa Nacional Sul-africana.
Apesar de Invictus render toda a glória pela vitória dos Springboks a Nelson Mandela, em nenhum momento o filme relaciona a Mandela a culpa pela ascensão do crime e da deterioração da economia sob o governo de Mandela.
Uma pequena comparação, de acordo com Hammond, durante os 46 anos do governo apartheid, 18 mil pessoas foram mortas, incluindo os crimes, atos terroristas e aqueles mortos pela polícia e pelo exército, em todos os lados, tanto de terroristas quanto de policiais e afins. E isso durante o tempo de guerra, de apartheid. Durante o governo de Mandela, entre 20 a 25 mil pessoas eram mortas por ano.
Um outro fato perturbador de Invictus é o corte total de qualquer referência às fortes convicções cristãs de vários dos membros da seleção de Rugby. Alguns dos integrantes da seleção eram cristãos que acreditavam na Bíblia e se encontravam regularmente para orações antes dos jogos.
O capitão do time, Fracois Pienaar (intrepretado or Matt Damon no filme), em uma entrevista à BBC Sports em 1995, disse que: “quando o apito final tocou, eu caí de joelhos. Eu sou cristão e queria fazer uma oração rápida, por estar fazendo parte de um evento tão importante, não por termos vencido. Então, de repente, todo o time estava em volta de mim, o que foi um momento muito especial”. No filme, esse momento se tornou uma simples oração protocolar “obrigado Senhor, por nos deixar vencer o jogo”.
Os Springbos deram toda a glória por sua vitória aos Senhor Jesus Cristo por este triunfo, mas no filme de Eastwood, essa glória vai para Mandela e para um poema humanista de William Ernest Henley, que diz “Eu agradeço a quaisquer deuses que existam pela minha alma invencível... eu sou o mestre da minha fé; eu sou o capitão da minha alma”. O título do poema, Invictus, dá o nome ao filme.
Peter Hammond termina sua revisão do filme com as seguintes frases:
“Se tudo o que o filme mostra sobre Nelson Mandela ter encorajado o time for verdade, então isso é elogiável. Mas certamente, qualquer vitória no esporte de um time deve ser creditada a seu diretor, técnico e à dedicação, treino e esforço dos membros do time”.

Um filme não tem por si mesmo a obrigação de contar a verdade, é um filme. Uma ficção. Mas existe um perigo terrível que sempre acompanha qualquer ficção e esse perigo é o de influenciar pessoas para pensar de uma forma diferente da realidade, ou dos fatos históricos conhecidos. E é sempre bom ter isso em mente. Seja vendo um filme, seja lendo um livro. Seja na nossa visão de mundo.
Vou terminar por aqui porque está passando França e Itália pelo Rugby Six Nations na televisão e eu quero terminar de ver o passeio da França em cima dos italianos.
Em tempo o site de Peter Hammond é http://www.frontline.org.za
Nas escrituras, tirar os sapatos tem um significado muito especial. Quando Moisés teve seu primeiro confronto com Deus, Ele disse para que ele tirasse seus sapatos porque ele estava em terra santa. Jesus caminhou descalço para o Calvário. Na cultura daquele tempo, estar descalço era o sinal que você era um escravo. Um escravo não tinha direitos. Jesus nos deu o exemplo supremo de renunciar tudo por um grande objetivo.
Loren Cunningham Making Jesus Lord / Marc 8:34,35

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